Pós-graduandos levam pesquisas sobre fungos entomopatogênicos à Semana do Fazendeiro
Dois minicursos marcaram a participação da equipe de pesquisadores do Laboratório de Interações Inseto-Microrganismo na Semana do Fazendeiro, realizada pela UFV entre os dias 12 e 18 de junho. Sob coordenação do professor Simon Elliot, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, os cursos foram ministrados por pós-graduandos e por pesquisadores convidados, vinculados ao INCT Bioinsumos Inovadores.
Na segunda-feira, Viçosa recebeu a visita da pesquisadora Patrícia Golo, que é professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e membro do comitê gestor do INCT. Ela e equipe ministraram o curso “Fungos entomopatogênicos para o controle de carrapatos: seleção e aplicação biotecnológica.” “Viemos a convite do Simon, com quem já trabalho há bastante tempo, trazer esse trabalho de orientação que realizamos com base nas nossas pesquisas com carrapatos. Foi ótimo, fortaleceu o networking do INCT, nos trouxe uma perspectiva diferente, e com uma participação muito grande. Tivemos um público diverso, com estudantes, mas também bastante produtores, e eles são muito participativos.”
Na terça-feira, os próprios mestrandos e doutorandos do laboratório ministraram o curso “Fungos entomopatogênicos no controle de insetos-praga”. “Nós ministramos uma parte teórica, explicando o que são fungos, quais são utilizados no controle biológico, quais os métodos de controle, os desafios e as perspectivas dessas técnicas. Em seguida, preparamos uma parte prática, usando material do nosso laboratório para demonstrar como é a produção em pequena escala desses fungos”, relata a pós-doc Keminy Bautz. “Com essa parte prática, o público teve a oportunidade de manipular esses fungos, conhecer como eles são produzidos em laboratórios e entender um pouquinho das pesquisas que desenvolvemos.”
Para o estudante Carlos Henrique de Paula Pereira, do Centro Universitário de Sete Lagoas (UNIFEMM), o curso foi uma oportunidade de ampliar sua percepção sobre a cadeia de controle das doenças em plantas. “Sai repleto de aprendizados. Ampliou minha percepção acerca dos fungos capazes de controlar determinados insetos e também trouxe pontos da atualidade, como pesquisas que fizeram testes envolvendo fungos entomopatogênicos em Cigarrinhas do Milho, o vetor do Complexo de Enfezamento, observado por mim em campo. Percebi que todos da turma conseguiram absorver bem, pois ao longo de todo o minicurso houve participações, perguntas e múltiplas interações.”
A equipe do Laboratório já participou da Semana do Fazendeiro em anos anteriores, sempre com foco em controle biológico de insetos-praga utilizando fungos entomopatogênicos. “Já realizamos esse trabalho há algum tempo, mas, a cada ano, percebemos melhor nosso público e nos adaptamos a ele, melhorando a forma de abordar o tema e usando uma linguagem mais acessível”, diz Keminy. Este ano, chamou a atenção dos pós-graduandos a quantidade de produtores rurais participantes nos cursos, representando a maioria dos inscritos. Nos anos anteriores, 100% dos participantes eram estudantes. Esse ano, nos dois cursos, a maioria eram produtores rurais de pequeno porte, alguns funcionários de empresas privadas e poucos estudantes.” Entre os participantes, estavam produtores da Bahia, Rio de Janeiro, Brasília e Espírito Santo, além das cidades mineiras de Sete Lagoas, Viçosa e São Miguel do Anta, Belo Horizonte, Conselheiro Lafaiete, Inhapim e Felisburgo.
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Fotos: Rodrigo Carvalho Gonçalves
Publicado resultado da seleção para vaga extraordinária no doutorado
O Programa de Pós-Graduação em Entomologia divulga nesta sexta-feira, 04 de julho, o resultado final do Edital Extraordinário com oferta de uma vaga para o curso de Doutorado. O candidato aprovado vai iniciar o curso no segundo semestre de 2025.
A seleção do candidato foi realizada por uma comissão designada pelo PPG, considerando os critérios estabelecidos no edital.
A seleção do estudante foi feita de forma totalmente independente do Processo Seletivo 2025/02.
Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves
Professor Frederico Salles coordena avaliação de risco de Ephemeroptera, Plecoptera e Tricoptera no Brasil
O professor orientador do Programa de Pós-Graduação em Entomologia Frederico Salles é o coordenador do processo que avalia, neste ano de 2025, o risco de extinção de espécies de insetos das ordens Ephemeroptera, Plecoptera e Tricoptera no Brasil. Outras avaliações para o primeiro grupo já haviam acontecido em 2019, mas essa é a primeira vez que os outros dois grupos são incluídos no projeto, promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente.
O grupo coordenado por Frederico, que reúne cerca de 15 especialistas nestes insetos, concluiu em maio a “oficina de avaliação”, etapa em que as espécies são avaliadas, uma a uma, conforme os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUNC). “Eram cerca de 450 espécies. Ao fim, criamos um relatório que classifica as espécies considerando seu risco de extinção, desde aquelas que inspiram pouca preocupação até as que estão criticamente ameaçadas”, explica o professor. A etapa seguinte, já iniciada, é a “oficina de validação”. Desta vez, o trabalho é feito por especialistas no método, que vão validar a classificação feita pelos entomologistas. “Eles vão avaliar o nosso enquadramento, ver se estão de acordo. Dois especialistas vão ler cada ficha que a gente escreveu. Se houver alguma dúvida, eles vêm até mim e abrimos um debate sobre aquele caso.”
O principal objetivo da avaliação é enxergar e apontar o risco real de ameaça de extinção de uma espécie. “Quando todo esse trabalho termina, a gente consegue ter uma visão que muitas vezes a gente não tinha com relação ao status de conservação das espécies”, destaca Frederico. A expectativa é que o relatório final possa ser usado como apoio na tomada de ações públicas focadas na preservação das espécies. “Muitas vezes, a ação para o salvamento de determinada espécie está relacionada ao local onde ela ocorre. Então, quando você encontra uma espécie ameaçada, os olhares para aquele local vão ser diferentes. É um impacto que transcende aquela espécie: se no local há uma espécie ameaçada, muito provavelmente outras que vivem naquele local também devem sofrer ameaças.”
Sem melhora
A primeira avaliação para Ephemeroptera sob coordenação do ICMBio foi feita entre 2013 e 2015. “Depois a gente fez uma em 2019, com a ajuda de vários estudantes do meu laboratório. Nessa eu já fui o coordenador.” Agora, em 2025, foram reavaliadas todas as espécies incluídas no trabalho de 2019, e apenas 5 mudaram de status, sempre registrando um aumento no nível de risco. “Nessa comparação, podemos concluir que não há um cenário de melhora. No caso das espécies que têm uma distribuição mais restrita e ocorrem em locais que sofrem muita ação antrópica, a situação está piorando. Algumas, por exemplo, são da Bacia do Rio Doce, onde a situação não melhorou nesses últimos cinco anos.”
A grande mudança no trabalho feito pelo grupo neste ano é a inclusão das novas ordens. “Ter outros grupos de insetos aquáticos já era uma vontade nossa. Conseguimos incluir mais duas ordens, Plecoptera e Tricoptera. Então, a avaliação foi feita com um número maior de pesquisadores, incluindo especialistas nos três grupos.” Além de Frederico, também faz parte da equipe a egressa do PPG Mellis Rippel.
Foto: Frederico Salles
Processo Seletivo 2025/2: veja o resultado final
O Programa de Pós-Graduação em Entomologia publica nesta segunda-feira, 16 de junho, o resultado final do Processo Seletivo 2025.02. O prazo para recurso é de 48 horas. O documento inclui o resultado dos candidatos ao mestrado e ao doutorado.
Veja aqui o resultado.
O edital com todos os detalhes do processo seletivo pode ser lido neste link.
A matrícula dos aprovados serão feitas em 07 de agosto.
Atualizações importantes sobre o processo seletivo e documentos de referência para os candidatos estão neste link.
Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves
Laboratório de Termitologia recebe estudante belga para período de estágio
O Laboratório de Termitologia da UFV recebeu, ao longo dos últimos cinco meses, a visita do estudante belga Sylvain Leclercq. Ele esteve em Viçosa em período de estágio, previsto no programa de Mestrado em Biologia de Organismos e Ecologia, uma cooperação entre a Université Catholique de Louvain (UCLouvain) e a Université de Namur (UNamur), ambas na Bélgica. Sylvain foi recebido pelo professor Og de Souza, coordenador do laboratório, e pela doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Entomologia Maria Lacerda. Durante o período que esteve no Brasil, ele colaborou com a pesquisa de Maria, que avalia os fatores que determinam multi-simbioses em cupins.
“Do ponto de vista profissional, foi uma experiência incrível, pois sou apaixonado por artrópodes. Adorei tudo o que fiz no laboratório e aprendi muito sobre entomologia, que é o que quero fazer no futuro. O laboratório é bem equipado e a supervisão também foi perfeita”, conta o estudante, que volta essa semana para a Bélgica. Entre as atividades do mestrando no laboratório, estavam observações, identificações e manutenção da coleção de cupins, além de fotografias em microscópio e visitas a campo para observar e coletar ninhos de cupins. “Aprendi muito sobre entomologia durante esse estágio, seja sobre o uso de equipamentos ou sobre a biologia de insetos.”
Sylvain também se diz satisfeito com a experiência em nível social, apesar do desafio do idioma. “Sou uma pessoa muito introvertida, mas consegui me dar bem com todos no laboratório, mesmo que a comunicação tenha sido bastante complicada no início. Eu tinha que falar em inglês o tempo todo, e isso realmente me ajudou a melhorar meu inglês, o que é muito bom para um cientista.” A oportunidade de troca internacional e de vivência em outro idioma é também uma das principais motivações do professor Og para receber estudantes estrangeiros em seu laboratório. “É algo que dá muito certo, porque estimula meus estudantes a falarem inglês no dia a dia, que é como se aprende de fato a língua”. Além disso, Og aposta na troca de conhecimento científico e na oportunidade criada para que a equipe do laboratório conheça culturas acadêmicas diferentes. “A Europa tem um padrão que prima pela independência do estudante, indo além de meramente acumular leituras e provas. Há uma preocupação grande com a ciência em si, e isso contamina os estudantes brasileiros.”
A viagem de Sylvain ao Brasil foi financiada pelas instituições belgas. A escolha dele pelo Laboratório de Termitologia aconteceu em função dos interesses acadêmicos do estudante. “Para este estágio, podemos trabalhar onde quisermos, em qualquer tipo de empresa, universidade, laboratório. Eu sabia que preferiria trabalhar em um laboratório de pesquisa de artrópodes ou insetos. Então, comecei a procurar artigos científicos relacionados a esse ramo da biologia e encontrei o professor Og.” Após troca de mensagens com o professor, Sylvain se identificou com o perfil do laboratório e com a oportunidade de estudar insetos em um clima tropical, diferente do que ele conhecia até então. “Gostei do fato do laboratório trabalhar com cupins para entender melhor os próprios cupins e também para entender coisas em geral.” Na fase final de seus estudos na Bélgica, Sylvain já cogita um retorno ao Brasil. “Eu certamente gostaria de fazer um doutorado em entomologia, e seria ótimo fazer isso em Viçosa, particularmente no Laboratório de Termitologia.”
Programa de Pós-Graduação em Entomologia












