Três professores da Entomologia estão entre os mais influentes do mundo em 2026
Os professores Raul Narciso Carvalho Guedes, José Eduardo Serrão e José Cola Zanúncio, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, estão novamente entre os pesquisadores mais influentes do mundo. Os três integram a edição de 2026 do levantamento elaborado pela Universidade Stanford, dos Estados Unidos, em parceria com a editora Elsevier, que reúne cientistas com maior impacto na produção científica mundial.
Divulgada no início de outubro, a lista inclui 11 pesquisadores vinculados à UFV no total de 1.510 cientistas citados, atuantes no Brasil. A presença dos três professores reforça a relevância internacional das pesquisas desenvolvidas no PPG Entomologia, em áreas como o controle de pragas, a toxicologia e ecotoxicologia de inseticidas e os efeitos de substâncias químicas sobre insetos.
O ranking mundial é publicado desde 2019 e contempla os 100 mil cientistas com maior número de citações ou aqueles que estão entre os 2% mais bem classificados em suas respectivas subáreas. A classificação abrange 20 grandes áreas científicas e 174 subáreas, conforme a metodologia Science-Metrix. Diferentemente de avaliações centradas na quantidade de publicações, o levantamento prioriza o impacto da produção científica, considerando as citações recebidas, a coautoria e a posição dos pesquisadores nos artigos, como autores únicos, primeiros ou últimos autores.
Pesquisa em Entomologia
Com trajetória consolidada há décadas, o professor José Cola Zanúncio atua em estudos relacionados ao controle de pragas florestais e agrícolas, com destaque para o manejo de insetos que afetam a produção e para o desenvolvimento de estratégias de controle. Suas pesquisas contribuem para ampliar o conhecimento sobre a biologia e o manejo de espécies de importância econômica, com aplicações para a agricultura e a silvicultura.
José Eduardo Serrão integra a lista desde a primeira edição, em 2019. Sua atuação envolve estudos sobre a fisiologia e a histologia de insetos, incluindo investigações sobre os efeitos de inseticidas em organismos não alvo. As pesquisas buscam compreender como determinadas substâncias podem afetar órgãos e funções biológicas de insetos benéficos, mesmo quando não provocam mortalidade, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias que reduzam os impactos ambientais do controle químico de pragas.
Já o professor Raul Narciso Carvalho Guedes, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFV, tem forte atuação nas áreas de Toxicologia e Ecotoxicologia de Inseticidas. Seus estudos abordam a resistência de insetos a inseticidas, os mecanismos envolvidos nessa resistência e os efeitos de compostos químicos sobre organismos de interesse agrícola. A repercussão internacional de suas pesquisas também contribuiu para ampliar redes de colaboração científica entre a UFV e pesquisadores e instituições de outros países.
O reconhecimento dos três professores evidencia não apenas o alcance de suas trajetórias individuais, mas também a contribuição da pesquisa desenvolvida na UFV para o avanço do conhecimento científico. A inserção deles em redes internacionais de colaboração favorece o intercâmbio de experiências, a formação de estudantes e o desenvolvimento dos estudos desenvolvidos por toda a equipe do PPG.
Fotos: Rodrigo Carvalho Gonçalves e Divulgação UFV
Pesquisadores da Entomologia recebem menção honrosa no VII Workshop sobre Insetos Sociais
Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Entomologia receberam menção honrosa pelos trabalhos apresentados no VII Workshop sobre Insetos Sociais, realizado de 14 a 16 de outubro em Viçosa. O grupo é formado pelo mestrando Bruno Madeira e a egressa Maria do Socorro Lacerda Rolim, ambos vinculados ao Laboratório de Termitologia, pelo doutorando Mateus Lordelo Vidigal, do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos e pela pós-doc Eldair Santos da Silva, do Laboratório de Ultraestrutura Celular.
Os dois primeiros trabalhos premiados, ambos orientados pelo professor Og de Souza, abordam diferentes aspectos da pesquisa com cupins: enquanto Maria investigou a relação entre a agressividade desses insetos e as associações entre espécies em diferentes regiões geográficas, Bruno explorou o uso de tecnologia de baixo custo para monitorar as condições ambientais necessárias à criação de cupins em laboratório.
Doutora em Entomologia pela UFV, Maria apresentou parte dos resultados de sua tese, defendida em agosto. O estudo investiga se a agressividade dos cupins varia entre regiões geográficas e se esse comportamento está relacionado à presença de outras espécies, chamadas inquilinas, que vivem nos ninhos construídos por eles.
A partir dessas observações feitas em Viçosa e em Nova Xavantina, no Mato Grosso, o grupo formulou a hipótese de que os cupins que convivem com mais espécies em seus ninhos seriam menos agressivos, favorecendo a permanência dos inquilinos. Os resultados, entretanto, contrariaram essa expectativa, indicando que a agressividade, isoladamente, não explica por que algumas espécies conseguem compartilhar ninhos com outras. As diferenças geográficas e as oportunidades de interação entre os cupins podem estar relacionadas a esse comportamento, abrindo espaço para novas investigações sobre as relações ecológicas entre essas espécies.
Para Maria, um dos méritos do trabalho está em transformar uma observação recorrente no laboratório em uma questão científica investigável. A pesquisadora destaca que o estudo contribui não apenas para avançar na compreensão dessas relações, mas também para levantar novas perguntas. “Os resultados levantam questões que podem ser exploradas por outros estudantes do programa, integrantes do nosso laboratório e pesquisadores parceiros interessados em compreender como essas associações entre espécies se formam. Para mim, é muito gratificante perceber que uma observação feita durante a pesquisa pode contribuir não apenas para responder a uma pergunta, mas também para gerar novas investigações.”
Tecnologia em monitoramento
Bruno recebeu menção honrosa pelo trabalho sobre a utilização de Arduino para medir a temperatura e a umidade da sala de criação de cupins. A proposta está diretamente relacionada à sua pesquisa de mestrado sobre o comportamento desses insetos, que depende da manutenção de condições adequadas para a sobrevivência dos indivíduos coletados na natureza e utilizados em experimentos laboratoriais.
O monitoramento ambiental permite acompanhar as condições do espaço de criação e identificar quais parâmetros precisam ser controlados para aumentar a sobrevivência dos cupins em laboratório. Essa etapa é fundamental para que os insetos permaneçam vivos durante o período necessário à realização dos experimentos comportamentais.
Na avaliação de Bruno, o caráter inovador da proposta foi um dos fatores que contribuíram para o reconhecimento. Embora o Arduino seja uma tecnologia amplamente utilizada em outras áreas, sua aplicação em pesquisas biológicas ainda é pouco explorada, o que amplia as possibilidades de desenvolvimento de soluções acessíveis para o trabalho científico.

Abelhas
O trabalho de Mateus, orientado pelo professor Gustavo Martins, investiga como fatores ambientais influenciam a microbiota intestinal da Melipona capixaba, uma abelha sem ferrão ameaçada de extinção e encontrada exclusivamente nas regiões montanhosas do Espírito Santo. “Nosso objetivo foi compreender como características do ambiente, como altitude, tipo de ninho e exposição a elementos químicos, estão relacionadas à composição das comunidades bacterianas que vivem no intestino dessas abelhas.”
Foram estudadas abelhas de 102 ninhos, analisando a composição da microbiota intestinal e o perfil de elementos químicos nas próprias abelhas, no mel e no pólen armazenados pelas colônias. Os resultados mostraram que existe um grupo de bactérias centrais que permanecem conservadas apesar das variações ambientais. Por outro lado, um outro grupo de bactérias, de provável origem ambiental, apresenta diversidade influenciada pelas condições ambientais locais e pela composição química dos recursos alimentares que as abelhas consomem. “Esses resultados sugerem que a microbiota intestinal pode ajudar a compreender como as abelhas respondem às condições ambientais, incluindo a exposição a possíveis contaminantes”, explica Mateus, que assina o trabalho ao lado de Gustavo e da egressa Lorena Botina.
Para ele, o trabalho inova na abrangência da abordagem metodológica, que traz um conjunto robusto de dados. “Amostramos 102 ninhos em 32 localidades diferentes, contemplando ninhos naturais, caixas racionais e cortiços, e relacionamos essa diversidade à distribuição geográfica das abelhas e aos perfis de 24 elementos químicos quantificados nos animais e em seus recursos alimentares. Essa abordagem gerou um conjunto amplo e valioso de dados, mostrando o quão complexa é essa relação.”

Vespas
A pós-doc Eldair Santos da Silva apresentou o trabalho “Alterações histológicas no intestino médio de vespas sociais em áreas com diferentes níveis de impacto ambiental”, que dá continuidade aos estudos que desenvolveu durante o doutorado, sob orientação do professor José Serrão. “No doutorado, investiguei a presença de metais-traço e metaloides em vespas sociais. Agora, busco compreender os efeitos desses elementos sobre a morfologia desses insetos, especialmente no intestino médio.”
Para a pesquisadora, o reconhecimento do trabalho está relacionado à sua contribuição para a compreensão dos impactos ambientais sobre os insetos, evidenciando diferentes alterações celulares no tecido intestinal das vespas.
Intercâmbio científico
Além do reconhecimento pelos trabalhos, a participação no Workshop proporcionou aos pesquisadores oportunidades de diálogo com especialistas, troca de experiências e contato com diferentes abordagens científicas.
Para Maria, a apresentação teve um significado especial por ser a primeira vez que compartilhou parte dos resultados de sua tese com um público de especialistas em um evento científico. As conversas com outros pesquisadores permitiram conhecer novas perspectivas e identificar questões que podem ser exploradas em estudos futuros.
Bruno também avaliou positivamente a participação no evento. “Me permitiu ter trocas de ideias com outros pesquisadores, ideias essas que certamente vão vir a acrescentar a minha tese.” Para ele, conhecer pesquisas de diferentes grupos é uma oportunidade de ampliar perspectivas, mesmo quando os estudos se concentram em organismos ou questões distintas. Eldair concorda: “conhecer os trabalhos apresentados por outros pesquisadores ampliou minha perspectiva sobre as possibilidades de investigação e as novas abordagens que podem ser exploradas na minha área de atuação.”
Para Mateus, a apresentação oral e a menção honrosa tornaram a experiência ainda mais especial. “Considero muito valiosa a oportunidade de compartilhar ideias. Esse tipo de encontro contribui não apenas para aprimorar nossos trabalhos, mas também para identificar novas perguntas e possibilidades de colaboração.”
Publicados relatórios de inscritos para vagas no mestrado e no doutorado
Estão publicados os relatórios de inscritos no Processo Seletivo 2027/01 do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, que oferece vagas de mestrado e doutorado.
Veja aqui a lista do mestrado.
Veja aqui a lista do doutorado.
Para este próximo semestre, o PPG oferece 5 vagas para o mestrado (sendo quatro de ampla concorrência e uma reservada às políticas afirmativas), e outras 2 para o doutorado (ambas de ampla concorrência). A quantidade de bolsas disponibilizadas dependerá da liberação pelas agências de fomento.
A prova escrita, primeira etapa do processo seletivo, está prevista para o dia 30 de outubro.
Todas as informações úteis aos candidatos estão disponíveis no edital.
Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves
Entomologia abre processo seletivo com vagas para mestrado e doutorado
Serão abertas nesta terça-feira, 15 de setembro, as inscrições para o Processo Seletivo Regular do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, para ingresso no primeiro semestre letivo de 2027.
O PPG oferece 5 vagas para o mestrado (sendo quatro de ampla concorrência e uma reservada às políticas afirmativas), e outras 2 para o doutorado (ambas de ampla concorrência). A quantidade de bolsas disponibilizadas dependerá da liberação pelas agências de fomento.
O prazo para inscrições vai até 21 de outubro. A prova escrita, primeira etapa do processo seletivo, está prevista para o dia 30 de outubro.
Todas as informações úteis aos candidatos estão disponíveis no edital.
Solicitações de isenção da taxa de inscrição podem ser feitas até 30 de setembro. As orientações também constam no edital.
Publicado em 14 de setembro de 2026
Entomologia abre seleção para bolsista de pós-doutorado
O Programa de Pós-Graduação em Entomologia (PPG Entomologia) está com inscrições abertas para a seleção de um bolsista de Pós-Doutorado, no âmbito do Programa Institucional de Pós-Doutorado (PIPD), com bolsa financiada pela CAPES.
As inscrições já estão abertas e vão até 23 de outubro de 2026, às 23h59. A bolsa tem valor de R$ 5.200 mensais, com previsão de implementação a partir de novembro de 2026, por até 12 meses, podendo ser renovada por igual período.
A seleção será realizada com base na avaliação do currículo e do plano de trabalho do candidato. Entre os critérios considerados estão a produção científica e o número de citações, além da clareza, originalidade, relevância e impacto institucional do plano de trabalho.
Para se inscrever, os candidatos deverão enviar para o email ent@ufv.br a documentação exigida. As orientações estão no edital, que deve ser lido por todos os candidatos.
O resultado final será divulgado a partir de 3 de novembro de 2026, na página do Programa e por e-mail.
Podem se inscrever doutores com atuação em qualquer área da Entomologia.
Foto: Frederico Salles
Programa de Pós-Graduação em Entomologia