Estudantes antecipam defesa da dissertação e ingresso no doutorado, ampliando oportunidade para novos mestrandos

Concluir o mestrado antes do prazo regular e ingressar imediatamente no doutorado pode parecer um desafio difícil de vencer. No Programa de Pós-Graduação em Entomologia (PPG Entomologia), entretanto, dois exemplos recentes mostram que esse caminho é possível quando há planejamento, dedicação, apoio institucional e uma pesquisa bem estruturada.

Os pesquisadores Marcelo Picanço Filho e Mateus Lordelo Vidigal defenderam suas dissertações nos prazos de 12 e 18 meses, respectivamente, e já iniciam, em agosto, o doutorado pelo Programa. Além de acelerarem a própria formação, eles contribuíram para que bolsas de mestrado fossem disponibilizadas a novos estudantes. 

No caso de Marcelo (foto acima), a decisão pela carreira na Entomologia foi consolidada durante a graduação em Agronomia, graças à convivência com professores e pesquisadores do Programa. “Quando comecei a graduação, logo entrei no laboratório do professor Eraldo Lima, meu orientador hoje. Os professores sempre foram muito solícitos em ensinar e incentivar a gente. Se estou aqui, devo muito ao apoio que recebi durante toda essa trajetória”, conta.

Ao longo da graduação, Marcelo desenvolveu trabalhos nos laboratórios dos professores Eraldo Lima e Raul Guedes, chegando ao mestrado já familiarizado com a pesquisa. Sua dissertação investigou os riscos globais de perdas agrícolas causadas pela lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), importante praga das culturas de milho, soja e algodão. O trabalho inovou ao incorporar variáveis de perdas econômicas aos modelos de distribuição potencial da espécie, permitindo estimar os riscos de prejuízos em diferentes regiões do mundo.

Inicialmente, Marcelo planejava concluir o mestrado em um ano e meio. Entretanto, o bom andamento da pesquisa mostrou que era possível antecipar ainda mais. “Foi algo que aconteceu naturalmente. Eu já vinha trabalhando no tema há alguns anos, as disciplinas correram muito bem e, conversando com meu orientador, percebemos que valia a pena tentar fazer em um ano. Fiz a seleção para o doutorado sem pressão e isso também ajudou. Mas só foi possível porque tive um orientador, uma coorientadora (a professora Daiane das Graças do Carmo) e uma equipe que acreditaram na ideia. É um trabalho coletivo.”

Com o trabalho já avançado, Mateus apresentou parte de sua pesquisa no XIV Encontro sobre Abelhas, em novembro de 2025

A trajetória de Mateus também começou ainda na graduação, em Ciências Biológicas, na UFV. Durante uma disciplina ministrada pelo professor Gustavo Martins, ele conheceu a linha de pesquisa sobre microbiota intestinal de abelhas e passou a atuar em seu laboratório. O interesse pelo tema cresceu rapidamente. “Antes mesmo de ingressar no mestrado, já estava preparando experimentos e estruturando o projeto.”

Sua dissertação estabeleceu as bases para uma nova linha de investigação sobre a microbiota de abelhas sem ferrão. O estudo caracterizou as comunidades microbianas presentes em diferentes castas de duas espécies do gênero Melipona, consolidando conhecimentos fundamentais para pesquisas futuras que buscam aumentar a resiliência desses polinizadores aos pesticidas. O artigo resultante da dissertação foi publicado na revista Scientific Reports

Segundo Mateus, a antecipação foi resultado principalmente de organização e trabalho em equipe. “Não acho que seja uma questão de trabalhar mais rápido, mas de planejar bem e não tentar fazer tudo sozinho. O apoio dos colegas de laboratório fez toda a diferença.”

Benefício em cadeia
Ao ingressarem mais cedo no doutorado, Marcelo e Mateus liberaram bolsas de mestrado que já foram destinadas a estudantes recém aprovados. Segundo o coordenador do PPG Entomologia, professor Gustavo Martins, essa dinâmica acompanha uma tendência internacional de redução do tempo de formação, sem abrir mão da qualidade. “Terminar o mestrado antes do previsto está alinhado com o que vem acontecendo em outros países e com o que a CAPES tem demandado”, afirma.

O professor destaca que os dois estudantes se sobressaíram não apenas pela rapidez, mas pela qualidade. “O caso do Marcelo foi inédito para mim em todos esses anos na Entomologia da UFV, ao concluir o mestrado em um ano. Já o Mateus, além de defender em três semestres, apresentou uma dissertação em inglês, com artigo aceito e com participação de um professor da China Agricultural University em sua banca, evidenciando o elevado nível de internacionalização do trabalho.”

Para Gustavo, experiências como essas dependem de uma combinação de fatores: planejamento, dedicação, domínio técnico, disponibilidade de recursos financeiros, apoio do orientador e infraestrutura adequada. O próprio Programa também contribui com medidas que favorecem esse percurso, como a atualização curricular. “O mais importante continua sendo concluir o mestrado com um trabalho de qualidade.”

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