Entomologia abre processo seletivo com vagas para o segundo semestre
O Programa de Pós-Graduação em Entomologia começa a receber nessa sexta-feira, 04 de abril, as inscrições dos interessados em participar do Processo Seletivo 2025/2. Estão sendo oferecidas vagas de mestrado e doutorado com ingresso no segundo semestre letivo do ano. O edital com todos os detalhes do processo seletivo pode ser lido neste link.
Estão sendo oferecidas oito vagas – cinco para o mestrado e três para o doutorado. A quantidade de bolsas disponibilizadas dependerá da liberação pelas agências de fomento (CAPES, CNPq ou FAPEMIG).
A seleção acontecerá entre os meses de maio e junho de 2025. O prazo para inscrições vai até dia 19/05, às 23h30. No dia 23/05 será aplicada a prova escrita, primeira etapa do processo seletivo.
Os aprovados nesta etapa passarão para a Arguição Oral, prevista para a primeira quinzena de junho. Todos os detalhes sobre as avaliações e outras informações importantes para os candidatos estão descritas no edital.
O resultado final está previsto para 27 de junho, e as matrículas dos aprovados serão feitas em 07 de agosto.
Atualizações importantes sobre o processo seletivo e documentos de referência para os candidatos serão postados neste link.
Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves
Taxonomia: Museu de Entomologia descreve cinco e prevê submissão de outras 14 novas espécies em 2025
Três espécies novas de Ephemeroptera foram descritas, somente esse ano, pela equipe do Museu de Entomologia, coordenado pelo professor orientador do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, Frederico Salles. Em breve, também serão publicadas duas novas espécies de Plecoptera e, até o final do primeiro semestre, o grupo pretende submeter outras 14 descobertas recentes. Essa é uma boa mostra do trabalho do taxonomista, cuja contribuição, fundamental para o desenvolvimento de inúmeras ciências, é destacada no mês de março, quando se comemora o Dia do Taxonomista.
Nos últimos 3 anos, o professor e sua equipe de estudantes somam 21 novas espécies descritas, entre Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera, encontradas em vários estados do Brasil e de países vizinhos. “O trabalho do taxonomista é fundamental, mas infelizmente vem sendo desvalorizado ao longo dos anos. Ninguém que trabalha com organismos pode realizar um trabalho eficaz sem conhecer as espécies com as quais está lidando. E isso só é possível porque o taxonomista já realizou o trabalho essencial de identificação e classificação dessas espécies”, diz o professor, destacando porém que a falta de visibilidade e de incentivo é muito maior fora do Brasil. “Acho que o Brasil, apesar de necessitar de um número ainda maior de taxonomistas, em função da sua enorme biodiversidade e das inúmeras ameaças a ela, ainda pode ser considerado um país privilegiado. Para muitos grupos taxonômicos, há muito mais trabalhos sendo realizados por brasileiros do que por europeus e por norte-americanos, por exemplo.”
Entre as espécies descritas este ano está Cloeodes tovauna, encontrada no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, administrado pelo Instituto Estadual de Florestas. Neste caso, trata-se de uma revisão de informação, uma vez que o material avaliado era antes atribuído a outra espécie, Cloeodes aymore. Com orientação de Frederico, os estudantes Érika Vargas e Igor Amaral apresentam a nova espécie, que se distingue por detalhes na coloração do corpo e presença de asas posteriores, entre outros pontos. O nome “tovauna” vem de duas palavras do Tupi: “tova” (cabeça) e “una” (preta), em referência à coloração marcante da cabeça do inseto.
Em outro trabalho, desta vez com pesquisadores da Universidad Nacional de Tucumán, na Argentina, da Universidade Estadual de Santa Cruz, na Bahia, da Universidade Federal de Roraima e da Universidade Federal do Piauí, o professor descreve Paramaka lucimarae e Paramaka takari, ambas da ordem Ephemeroptera. A primeira foi encontrada na Colômbia e batizada em homenagem à pesquisadora egressa do PPG Entomologia, Lucimar Dias, e a segunda aparece em uma área mais extensa, no Brasil e na Guiana Francesa.
Trabalho conjunto
As descobertas fazem parte dos esforços do grupo de pesquisadores no projeto “Diversidade de Ephemeroptera (Insecta) do Brasil: expandindo as fronteiras da geração e divulgação do conhecimento”, financiado pelo CNPq para reduzir o déficit de informação sobre a composição e a distribuição de Ephemeroptera no território brasileiro. “O conhecimento sobre Ephemeroptera no Brasil avançou muito nos últimos 20 anos, mas ainda existem áreas muito pouco exploradas”, diz Frederico. O projeto reúne pesquisadores de instituições de diferentes estados brasileiros, como Roraima, Tocantins, Rondônia, Bahia e Piauí, que estão visitando localidades destes estados em busca de informação.
Além de aumentar o mapeamento da ordem no Brasil, o esforço é importante porque tanto Ephemeroptera quanto Plecoptera e Trichoptera são organismos muito usados no monitoramento de ambientes aquáticos. “Um conhecimento mais aprofundado sobre esses grupos é essencial para poder utilizá-los efetivamente. Quanto mais detalhado o conhecimento sobre eles em uma determinada região, maior será a aplicabilidade desses organismos em estudos de monitoramento”
Nas próximas semanas, deve ser publicado o artigo em que Frederico e a pesquisadora Mellis Rippel, doutoranda pelo PPG Entomologia, apresentam duas novas espécies de Plecoptera, uma delas também encontrada no Parque Estadual do Brigadeiro. Neste caso, os pesquisadores trabalham com o gênero Guaranyperla, que tem oficialmente apenas três espécies conhecidas. ‘É bem interessante, porque ela revisou material de diversas coleções, realizou novas coletas, e descobriu que existem ao menos duas espécies novas desse gênero. Além de descrevê-las, as outras espécies serão redescritas e todo o conhecimento sobre o gênero será integrado e atualizado.”
Foto: Frederico Salles
Pesquisadores publicam revisão de dados sobre o fungo Escovopsis e sua relação com as formigas cultivadoras de fungo
Um grupo de pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Entomologia da UFV e ao Departamento de Biologia Geral e Aplicada da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) acaba de publicar um artigo de revisão sobre o fungo Escovopsis e sua relação com as colônias de formigas cultivadoras de fungo. O trabalho “The fungus Escovopsis (Ascomycota: Hypocreales): a critical review of its biology and parasitism of attine ant colonies” é assinado pelo professor orientador Simon Elliot e pela egressa Marcela Caixeta – além de André Rodrigues e Quimi Montoya, da Unesp – e é resultado de um trabalho iniciado há quase duas décadas.
“Desde que eu cheguei à UFV, em 2006, eu já queria trabalhar com esse sistema. Ao longo destes anos, tive algumas alunas fazendo estudos nessa área, especialmente Marcela Caixeta, Débora Mendonça e Juliana Augustin. Esses trabalhos foram a semente dessa revisão”, explica Simon, citando também a colaboração do professor britânico Harry Evans, em suas múltiplas passagens por Viçosa. “Por volta de 2013, identificamos aqui novas espécies e um novo gênero, inclusive com a ajuda do pessoal de Fitopatologia na época. Mas o André já estava trabalhando nisso, na Unesp, e começamos uma colaboração. Lá, o Quimi Montoya descreveu depois dois novos gêneros e várias novas espécies.”
O fungo Escovopsis desperta especial interesse porque está associado a dois fenômenos que contribuem para aumentar a complexidade dos sistemas biológicos: as interações simbióticas mutualistas e a evolução da socialidade. Em seu papel de ameaça ao jardim de fungos das formigas atinas, como as cortadeiras, ele representa o desafio que esses organismos e as simbioses mutualísticas precisam superar. “Esse é um caso clássico dessa interação entre os organismos, e conhecer os organismos, por causa dessa associação, é muito importante, especialmente nas Américas tropicais. Além disso, as cortadeiras são os insetos sociais com maiores colônias, com as maiores sociedades biológicas”, explica o professor. “Como tem muita gente interessada em como organismos e sociedades se defendem contra parasitas, esse organismo tem sido muito estudado, como um modelo de parasita que ataca uma sociedade de modelo simbiótico em um inseto social. Então é um conjunto de áreas interessantes, e esse fungo tem sido estudado por cientistas de renome no mundo inteiro.”
O trabalho publicado agora na Frontiers in Fungal Biology explora Escovopsis e três gêneros próximos – Escovopsioides, Luteomyces e Sympodiorosea -, descrevendo sua posição como de grande interesse científico e revisando a história taxonômica do grupo e sua macroevolução e biogeografia. O texto também sugere, ao contrário do que foi indicado ao longo das últimas décadas, que Escovopsis é um parasita com virulência muito baixa. “Nossos esforços têm mostrado quem são os fungos de fato. Está muito espalhado na literatura que esse fungo e seus parentes são altamente virulentos, mas a gente não observa isso no campo. A Débora Mendonça realizou um trabalho com 3 espécies diferentes mostrando que não causam tanto dano.”
Ao sintetizar e organizar as informações, o grupo de cientistas também abre espaço para o que ainda é desconhecido, contribuindo na construção de perguntas capazes de direcionar novas pesquisas. “Muitas coisas ainda precisam ser vistas. Um exemplo seria se realmente esse fungo está sendo carregado pelas fêmeas na revoada, o que ninguém nunca explorou com técnicas moleculares. Outra pergunta seria como o fungo vai de uma colônia para a outra, no campo. O fato é que, nessa explosão de novos gêneros e novas espécies, sabemos muito pouco sobre eles.”
Foto: Laboratório de Interações Inseto-Microrganismo
Parceria com Itália impulsiona pesquisas e garante dupla titulação a doutores
Três anos após a viagem que oficializou a parceria entre a professora Maria Augusta Lima Siqueira, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, e a professora Gaetana Mazzeo, da Università Degli Studi di Catania (UNICT), o trabalho conjunto segue firme e rendendo frutos. Na última semana de fevereiro, a pesquisadora brasileira Lívia Maria Negrini Ferreira (na foto acima) defendeu em Viçosa sua tese de doutorado, desenvolvida após um período sanduíche na Itália. Pouco antes, o pesquisador Roberto Catania havia defendido em Catânia seu trabalho, parcialmente realizado no Brasil. Ambos os doutores receberam dupla titulação. Em janeiro, outra estudante italiana, Marta Bonforte, chegou à UFV para um período de intercâmbio, com a mesma meta.
“Tudo isso de fato supera em muito as minhas expectativas. Quando eu fui pra Catânia, não imaginava que a gente ia continuar trabalhando em uma parceria tão coesa, tão produtiva e por tanto tempo”, avalia Maria Augusta. “Em praticamente dois anos, já temos o terceiro aluno de doutorado em cotutela, com benefícios que vão muito além do treinamento dos alunos”, ela diz, destacando os vários artigos já publicados advindos da parceria iniciada em 2022.

O grupo de pesquisadores têm seus esforços focados em abelhas e suas diversas relações com a produção agrícola. Roberto, que passou cerca de oito meses no Brasil, avaliou o efeito de diferentes pesticidas sobre abelhas, incluindo espécies encontradas nos dois países. Já Lívia trabalhou com um espectro menor de espécies, uma típica de cada país, mas com diferentes poluentes. “Em geral, demonstramos que indivíduos e colônias de abelhas silvestres estão em alto risco de exposição a uma ampla gama de agrotóxicos.”
Para a recém doutorada, o período na Itália teve impacto importante no resultado final. “Tive a oportunidade de trabalhar com espécies de abelhas com as quais eu não tinha trabalhado e que são nativas da Itália”, conta Lívia, acrescentando que os aprendizados acabam sendo também divididos com os demais colegas de laboratório na volta ao Brasil. “É um modelo de trabalho muito efetivo e muito produtivo”, reforça Maria Augusta, “porque os estudantes têm treinamentos que jamais teriam em suas universidades de origem, considerando o perfil de trabalho dos laboratórios e as condições naturais de cada país, o que aconteceu tanto com a Lívia, quanto com o Roberto.”

Nova estudante
Marta chegou ao Brasil há pouco mais de um mês, e ficará pelos próximos seis meses trabalhando sob orientação de Maria Augusta. “Minha principal meta em Viçosa é ir mais a fundo na minha pesquisa e ganhar experiência internacional. Estar aqui vai me permitir trocar conhecimento e também aprender novas metodologias e colaborar com projetos inovadores. A minha expectativa é contribuir efetivamente com o time de pesquisadores.” Na Itália, Marta desenvolve pesquisas com a interação entre abelhas silvestres e cultivos agrícolas, estudando estratégias para aumentar a presença de polinizadores em agroecossistemas e consequentemente aumentar a produtividade agrícola. No Brasil, ela pretende ampliar esse estudo para a região tropical, ao trabalhar com abelhas sem ferrão nativas do Brasil.
Publicação internacional reúne seis artigos de pesquisadores do PPG sobre efeitos não-intencionais de bioinseticidas
O volume especial “Environmental Toxicology 2025: Non-target effects of Bio-insecticides”, lançado este mês pelo respeitado periódico científico “Current Opinion in Environmental Science & Health”, traz seis artigos de professores, estudantes e egressos do Programa de Pós-Graduação em Entomologia. Nos artigos, os autores apresentam suas contribuições e opiniões sobre os efeitos não-intencionais de bioinseticidas, baseadas em suas pesquisas e publicações realizadas nos últimos dois anos.
A coordenação da edição especial é do professor Raul Narciso Carvalho Guedes, orientador da Entomologia e Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da UFV, com a colaboração dos editores Giovanni Benelli (University of Pisa), Nicolas Desneux (Université Côte d’Azur) e Evgenios Agathokleous (Nanjing University of Information Science & Technology).
“Esse é um tópico importante e frequentemente negligenciado. Isto porque a diversidade do grupo dos bioinseticidas, com suas diferentes categorias, os torna mais difíceis de serem trabalhados, mostrando mais diversidade de respostas e riscos”, avalia Raul. “Mas a percepção de que são seguros e livres de risco é, no mínimo, temerária, para não dizer falsa. Assim, o alerta para esta deficiência de conhecimento e a falta de trabalhos a respeito reforça a relevância desse número especial.”
Ao todo, o volume especial traz 16 artigos, envolvendo o trabalho de dezenas de pesquisadores de diversas instituições. O próprio Raul assina “Bioinsecticides and non-target pest species“, ao lado dos pesquisadores Leonardo Turchen, egresso do PPG Entomologia, Ran Wang e o também editor Evgenios Agathokleous. O coordenador do PPG, professor Gustavo Martins, aborda a relação de bioinseticidas e mosquitos em “Biological mosquiticidal agents: potential and effects on non-target organisms“, em coautoria com a egressa Lorena Lisbetd Botina.
Frutos da parceria entre a UFV e a Universidade de Catania estão no artigo “Non-target effects of biopesticides on stingless bees (Apidae, Meliponini): Recent trends and insights“, assinado pelas professoras Maria Augusta Lima Siqueira, de Viçosa, e Gaetana Mazzeo, de Catania, e pelos egressos Rodrigo Cupertino Bernardes, Lívia Maria Negrini Ferreira e Roberto Catania. As formigas são tema do artigo “Non-target ants and bioinsecticides: A short review“, apresentado pela professora da Entomologia Terezinha Maria Castro Della Lucia e pelas egressas Karina Dias Amaral e Cidália Gabriela Santos Marinho.
Outro professor orientador a contribuir com o número é Eugênio Oliveira, que assina o artigo “Selective actions of plant-based biorational insecticides: Molecular mechanisms and reduced risks to non-target organisms” com os pesquisadores Guy Smagghe, Luis Viteri Jumbo, Gil Santos, Raimundo Aguiar e Lara Costa, doutoranda pelo PPG Entomologia. O sexto texto, “Expecting the unexpected: Plant-mediated and indirect effects of biopesticides on arthropod pests and their natural enemies“, é assinado pelo pós-doutor egresso Khalid Haddi, junto com M. Fernanda Peñaflor, Tiago Morales-Silva e Bruno Henrique Sardinha Souza.
Raul destaca a contribuição que o material disponibilizado oferece à sociedade. “Bioinseticidas vem tendo incremento acentuado de uso, com respaldo na legislação de insumos agrícolas de vários países. Contudo, e até por isto, a legislação costuma ser bem leniente com estes compostos, exceção cabendo principalmente à da União Europeia, que se mostra mais crítica a respeito e demanda testagem mais abrangente. O material publicado ilustra as características destes compostos, apontando desafios no seu estudo e utilização em escala comercial.”
Para Gustavo, estas publicações “refletem o reconhecimento internacional e a qualidade do corpo docente e discente do Programa, capaz de opinar sobre temas relevantes na área de entomologia e confirmam a capacidade do Programa de deixar sua marca em assuntos de vanguarda.”
Programa de Pós-Graduação em Entomologia