Lançamentos editoriais destacam trabalho de professores e estudantes do PPG Entomologia
Um guia para inspirar professores de entomologia, uma coleção de histórias em quadrinhos, uma coletânea sobre os cupins da América Latina… O trabalho de professores e estudantes do Programa de Pós-Graduação em Entomologia tem sido destaque recente em livros de formatos distintos, lançados no mercado brasileiro e internacional.
Esta semana, durante o VIII Simpósio Internacional de Entomologia, em Viçosa, foi lançado o livro digital “Didática em entomologia: Aulas práticas para construir teoria”, organizado pelo professor Og de Souza e pelas doutorandas Maria Lacerda e Ana Teixeira (na foto acima), reunindo textos de dezenas de professores e estudantes do programa. No mesmo evento, a comunidade acadêmica também pode conhecer a terceira edição de “Bio HQ: Biologia em Quadrinhos”, que se dedica à entomologia, com duas histórias assinadas pelos professores Angelo Pallini e Madelaine Venzon e suas equipes de pesquisadores. Na semana passada, a editora UFABC já tinha lançado “Cupins da América do Sul”, com três capítulos assinados pelo professor Og.

“Didática em entomologia: Aulas práticas para construir teoria”
A ideia por trás do livro acompanha o professor Og há décadas, desde que ele assumiu a disciplina “Entomologia Geral”, na UFV. “Eu gosto muito de didática, e comecei desde cedo a pensar em formas de o aluno construir a ideia, ao invés de a gente a entregar de presente. Esse é o grande mote deste livro e das aulas que estão apresentadas nele. A gente tenta fazer o aluno chegar até o conhecimento, num processo constante de construção.” Nos capítulos do livro estão reunidas aulas desenvolvidas ao longo dos últimos anos por Og, por seus colegas professores da Entomologia e por muitos de seus pós-graduandos, com sugestões sobre como ensinar diversos conteúdos entomológicos.
Organizado pelo professor e pelas doutorandas Maria Lacerda e Ana Teixeira, o livro foi publicado pela editora CopIt ArXives, especializada em livros digitais totalmente gratuitos. A publicação já pode ser baixada, sem qualquer custo. Voltado especialmente para professores, o trabalho já está circulando entre profissionais de diversas instituições brasileiras. “Temos visto o interesse de diversos professores, de instituições variadas, e muitos inclusive têm enviado o material nos grupos de seus laboratórios, para que o pessoal comece a usar. A receptividade tem sido muito boa”, comemora Maria.

BioHQ 3: Biologia em Quadrinhos
Idealizada por professores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a terceira edição do projeto “Bio HQ: Biologia em Quadrinhos” é a primeira totalmente voltada para a entomologia. Na obra estão onze histórias em quadrinhos que desvendam os segredos da ciência dos insetos. Cada história é assinada por autores diferentes. O professor Angelo Pallini e os pós-graduandos Caio Henrique de Assis, Rafael Iasczczaki e Gabriel Beghelli apresentam os ácaros em “Batalha nas sombras”, enquanto a professora Madeleine Venzon e os egressos Douglas Ferreira e Jéssica Martins tratam do controle de pragas do café em “Guardiões do café: a épica jornada do Crisopídeo no Cerrado”.
A série de livros Bio HQ tem a missão de popularizar a ciência, apresentando pesquisas reais realizadas em diversas instituições públicas brasileiras. A terceira edição, organizada pelos professores João Agreli, Solange Cristina Augusto e Rosângela Dantas de Oliveira, foi semi-finalista do Prêmio Jabuti acadêmico, na área de ilustração.

Cupins da América do Sul
A obra lançada este mês pela editora UFABC é uma coletânea de trabalhos recentes em termitologia, incluindo três capítulos escritos pelo professor Og de Souza. Coordenador do Laboratório de Termitologia da UFV, Og foi convidado pelos organizadores a apresentar parte dos resultados de sua equipe, ao lado de cientistas de toda a América do Sul.
“Dos meus três capítulos, tem um que eu particularmente gosto que é ‘Como e por que formular hipóteses da termitologia’, que é muito válido para qualquer pessoa que estiver escrevendo tese, e não necessariamente em entomologia. Discuto como se constroi uma hipótese científica”, conta o professor. Os demais capítulos tratam do fenômeno do inquilinismo em cupins e do papel desses insetos como engenheiros do ecossistema.
Organizado pelos professores Alberto Arab, Ives Haifig e Tiago Carrijo, o livro está disponível em versão digital gratuita.
Pesquisadores colaboram em artigo que apresenta passado, presente e futuro de Plecoptera
Dois egressos e um estudante do Programa de Pós-Graduação em Entomologia estão entre os autores do artigo “Stonefly systematics: past, present, and future“, uma revisão sobre Plecoptera, publicado recentemente pela revista Insect Systematics and Diversity, da Sociedade Americana de Entomologia. Mellis Rippel e Lucas de Almeida foram convidados pela primeira autora do artigo, Anna Eichert, pesquisadora do Museu Americano de História Natural, quando eram doutoranda e pós-doc no Museu de Entomologia da UFV, coordenado pelo professor Frederico Salles. Mais tarde, o mestrando Felipe Sarmento também se uniu ao time, que soma 24 especialistas de diversos países.
O artigo explora e revisa a literatura existente sobre a ordem, ao mesmo tempo em que apresenta reflexões sobre o futuro desses insetos aquáticos, fundamentais para o monitoramento da qualidade das águas em todo o mundo. “Estamos falando inclusive das lacunas que ainda existem e como a gente pode melhorar isso. É uma forma de incitar novas ideias de pesquisa, e a região da América do Sul é uma das que mais carecem de amostragem para a biodiversidade de Plecoptera”, destaca Mellis.
A expectativa dos pesquisadores é que o material, agora organizado e atualizado, possa encorajar e inspirar jovens entomologistas a colaborar com os estudos. “Quem fizer a leitura vai ver como é a ordem, na esfera evolutiva, considerando a história taxonômica, e também a ecologia, o comportamento, a biologia dos bichos. É uma iniciativa que vai facilitar e abrir portas para muita gente.”
A ordem Plecoptera, embora ainda pouco estudada no Brasil, apresenta grande potencial de diversidade não documentada. Em uma perspectiva global, ela é mais diversa em regiões temperadas do Hemisfério Norte, especialmente América do Norte, Ásia Oriental e Europa. “No Brasil, a gente tem duas famílias muito diversas. Elas são muito importantes na visão filogenética porque são muito distantes uma da outra, e isso é relevante para estudos evolutivos e comparativos. Aos poucos, os trabalhos da nossa comunidade vêm crescendo, com novos pesquisadores, abrangendo diferentes regiões do Brasil.” Além da importância da ordem para o monitoramento dos ambientes aquáticos, Mellis destaca os avanços nos estudos taxonômicos, que contribuem fundamentalmente para a compreensão da biodiversidade.
Mellis e Lucas, agora egressos do PPG Entomologia, conheceram a pesquisadora Anna Eichert na Itália, em um congresso voltado especificamente para os especialistas em Plecoptera. Na lista de autores do artigo, estão cientistas de diversos continentes. “Essa é a proposta do trabalho, são autores da África, da Ásia, da Europa, de outros países da América Latina, ou seja, é um trabalho de fato mundial, reunindo quem trabalha com bichos viventes e também com fósseis.”
Foto: Frederico Salles
Pesquisadores identificam nova espécie de fungo capaz de manipular formigas
Uma coleta realizada em Ouro Preto em busca de elementos que pudessem evidenciar a relação entre fungos e vespas resultou na descrição de uma nova espécie de fungo, Ophiocordyceps acanthoponerae, capaz de infectar e manipular o comportamento de formigas. A descoberta foi feita pelo pós-doc Samuel Lima Santos, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, e descrita em sua tese de doutorado, defendida em junho. Agora, ele apresenta a novidade também em um artigo que acaba de ser publicado pela Fungal Systematics and Evolution (FUSE). Além de Samuel, assinam o texto o professor Simon Elliot, orientador do trabalho e coordenador do Laboratório de Interações Inseto-Microorganismo da UFV, Thairine Mendes Pereira, pós-doc do laboratório e coorientadora, João Araújo, coorientador e pesquisador do Museu de História Natural da Dinamarca, na University of Copenhagen, Rodrigo Feitosa, da Universidade Federal do Paraná, e Harry Evans, do CABI UK Centre.
Os fungos do gênero Ophiocordyceps ficaram famosos por sua habilidade de controlar o comportamento de insetos. A espécie descoberta por Samuel pertence a uma nova linhagem desses fungos, filogeneticamente próxima a uma espécie que infecta vespas sociais, mas morfologicamente e molecularmente distinta das que, até então, eram conhecidas pela manipulação de formigas. A espécie de formiga infectada por essa nova espécie de fungo, Acanthoponera mucronata, é rara, de hábitos noturnos, difícil de ser coletada. “Vi aquelas formigas douradas infectadas ao longo da trilha, muito diferentes do que eu já tinha visto em registros, e coletei por precaução. Mostrei para o meu coorientador, o João Araújo, a maior referência atualmente nesses fungos zumbis no mundo. Ele identificou ali o potencial de que fosse algo totalmente novo, e fomos investigar.”
Para identificar as formigas, Samuel recorreu ao professor Rodrigo Feitosa, especialista no gênero. “Ainda há pouca informação disponível sobre elas, mas a minha sorte é que o Feitosa é o maior especialista nelas no mundo. Não sabemos ainda as nuances da interação dessas formigas com essa nova espécie de fungo, precisamos investigar mais, entender o ciclo de infecção, como elas são afetadas, como isso afeta a colônia de uma maneira geral, ou seja, temos mais trabalho pela frente.” O processo de identificação e análise do material coletado teve também o reforço do pesquisador Harry Evans, micologista britânico, que esteve recentemente no Brasil, em visita ao PPG Entomologia. “É um trabalho muito especial para mim, minha estreia como micologista e também minha primeira espécie descrita como biólogo. Foi uma honra ter o Harry comigo, que é uma das maiores referências no estudo de fungos entomopatogênicos no mundo”, diz Samuel.
Contribuição inédita
A expectativa dos pesquisadores é que a descoberta de O. acanthoponerae tenha um papel importante na compreensão da evolução dos fungos manipuladores de insetos sociais. “Esse é o primeiro registro de formigas dessa tribo sendo infectadas por esses fungos. E o fato de elas terem características relacionadas a uma outra espécie que infecta vespas cria um elo entre esses dois grupos de insetos sociais e sua relação com Ophiocordyceps. E esse elo, provavelmente, terá um papel importante para ajudar a explicar o processo de evolução da manipulação comportamental exercida por esses fungos”. A descoberta também tem o potencial de contribuir de forma mais aplicada. “Quando a gente começa a entender mais sobre essa questão de quais são os grupos associados a esses fungos, a gente consegue também investigar os metabólitos, as estratégias que esses fungos usam, as substâncias que eles produzem para manipular esses insetos… E podemos usar esse conhecimento para o desenvolvimento de estratégias de controle de pragas, por exemplo.”
Fotos: Frederico Salles
Com mais de 600 inscritos, VIII Simpósio Internacional de Entomologia abre último lote
A um mês de seu início, a edição 2025 do Simpósio Internacional de Entomologia já tem mais de 600 inscritos. As vagas remanescentes estão disponíveis no último lote, aberto em meados de julho. O tema deste ano é “Insetos e Clima: conexões invisíveis, efeitos globais“.
“Trata-se de um debate necessário, que está sendo travado em escala global, e acreditamos que o simpósio contribuirá de forma significativa para esse diálogo”, diz a estudante Gabriela Santos de Paula, que coordena o evento ao lado de Mateus de Castro Matos.
Na programação, estão incluídas palestras, mesas-redondas, apresentações de trabalhos e outras atividades voltadas ao estudo dos insetos e suas aplicações em diferentes áreas. Também está previsto Game of Bugs, uma competição entre equipes de estudantes de graduação e pós-graduação. “Estamos organizando essa atividade em um espaço externo, com o objetivo de proporcionar um momento mais descontraído e interativo entre os participantes. Teremos telão, premiações, brindes e outras surpresas que preferimos manter em sigilo por enquanto.”
A programação completa pode ser vista neste link. Serão oferecidas palestras com pesquisadores internacionais, de outras instituições brasileiras e da própria UFV. “O ponto mais forte do evento, sem dúvida, é a programação científica. As palestras, mesas-redondas e minicursos foram cuidadosamente planejados para abordar questões atuais e relevantes dentro da Entomologia”.
O Simpósio é organizado por estudantes do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, com apoio da Sociedade Entomológica do Brasil. Esse ano, o evento acontece entre os dias 23 e 28 de agosto. A data precisou ser alterada em função da disponibilidade do espaço acadêmico-cultural Fernando Sabino, localizado no Centro de Vivência da UFV.
As inscrições podem ser feitas neste link. O custo para estudantes de graduação é de R$ 375; para estudantes de pós-graduação, R$ 465; R$ 600 para profissionais e R$ 290 para visitantes.
Pós-graduandos levam pesquisas sobre fungos entomopatogênicos à Semana do Fazendeiro
Dois minicursos marcaram a participação da equipe de pesquisadores do Laboratório de Interações Inseto-Microrganismo na Semana do Fazendeiro, realizada pela UFV entre os dias 12 e 18 de junho. Sob coordenação do professor Simon Elliot, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, os cursos foram ministrados por pós-graduandos e por pesquisadores convidados, vinculados ao INCT Bioinsumos Inovadores.
Na segunda-feira, Viçosa recebeu a visita da pesquisadora Patrícia Golo, que é professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e membro do comitê gestor do INCT. Ela e equipe ministraram o curso “Fungos entomopatogênicos para o controle de carrapatos: seleção e aplicação biotecnológica.” “Viemos a convite do Simon, com quem já trabalho há bastante tempo, trazer esse trabalho de orientação que realizamos com base nas nossas pesquisas com carrapatos. Foi ótimo, fortaleceu o networking do INCT, nos trouxe uma perspectiva diferente, e com uma participação muito grande. Tivemos um público diverso, com estudantes, mas também bastante produtores, e eles são muito participativos.”
Na terça-feira, os próprios mestrandos e doutorandos do laboratório ministraram o curso “Fungos entomopatogênicos no controle de insetos-praga”. “Nós ministramos uma parte teórica, explicando o que são fungos, quais são utilizados no controle biológico, quais os métodos de controle, os desafios e as perspectivas dessas técnicas. Em seguida, preparamos uma parte prática, usando material do nosso laboratório para demonstrar como é a produção em pequena escala desses fungos”, relata a pós-doc Keminy Bautz. “Com essa parte prática, o público teve a oportunidade de manipular esses fungos, conhecer como eles são produzidos em laboratórios e entender um pouquinho das pesquisas que desenvolvemos.”
Para o estudante Carlos Henrique de Paula Pereira, do Centro Universitário de Sete Lagoas (UNIFEMM), o curso foi uma oportunidade de ampliar sua percepção sobre a cadeia de controle das doenças em plantas. “Sai repleto de aprendizados. Ampliou minha percepção acerca dos fungos capazes de controlar determinados insetos e também trouxe pontos da atualidade, como pesquisas que fizeram testes envolvendo fungos entomopatogênicos em Cigarrinhas do Milho, o vetor do Complexo de Enfezamento, observado por mim em campo. Percebi que todos da turma conseguiram absorver bem, pois ao longo de todo o minicurso houve participações, perguntas e múltiplas interações.”
A equipe do Laboratório já participou da Semana do Fazendeiro em anos anteriores, sempre com foco em controle biológico de insetos-praga utilizando fungos entomopatogênicos. “Já realizamos esse trabalho há algum tempo, mas, a cada ano, percebemos melhor nosso público e nos adaptamos a ele, melhorando a forma de abordar o tema e usando uma linguagem mais acessível”, diz Keminy. Este ano, chamou a atenção dos pós-graduandos a quantidade de produtores rurais participantes nos cursos, representando a maioria dos inscritos. Nos anos anteriores, 100% dos participantes eram estudantes. Esse ano, nos dois cursos, a maioria eram produtores rurais de pequeno porte, alguns funcionários de empresas privadas e poucos estudantes.” Entre os participantes, estavam produtores da Bahia, Rio de Janeiro, Brasília e Espírito Santo, além das cidades mineiras de Sete Lagoas, Viçosa e São Miguel do Anta, Belo Horizonte, Conselheiro Lafaiete, Inhapim e Felisburgo.
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Fotos: Rodrigo Carvalho Gonçalves
Programa de Pós-Graduação em Entomologia












