VI Corrida Entomológica terá edição noturna e estreia de prova infantil
Já estão abertas as inscrições para a VI Corrida Entomológica da UFV, que será realizada no dia 28 de novembro, a partir das 18h, no campus da Universidade. O evento chega à 2026 com duas novidades: a realização da prova no período noturno e a estreia da Corrida Entomológica Kids, voltada para crianças de quatro a dez anos.
Idealizada pelo professor Eugênio Oliveira, orientador do Programa de Pós-Graduação em Entomologia (PPG Entomologia), a iniciativa combina atividade física, integração entre a comunidade acadêmica e a população de Viçosa e divulgação científica. A organização é liderada pela EJEnt, Empresa Júnior da Entomologia.
A edição deste ano marca uma nova etapa na trajetória do evento, que começou em 2017 e, após uma pausa, voltou a ser realizado em 2023. Pela primeira vez, a programação contará com provas destinadas especificamente ao público infantil. As distâncias serão adaptadas às faixas etárias: 200 metros para crianças de quatro a seis anos, 400 metros para aquelas de sete a oito anos e 800 metros para participantes de nove a dez anos.
Outra novidade é a realização do evento à noite. Segundo Eugênio Oliveira, a mudança atende a uma demanda dos próprios corredores, que não dispõem de muitas opções de provas noturnas. A corrida manterá o percurso no campus da UFV, passando por áreas com iluminação adequada.
Percurso na Entomologia
Além da prática esportiva, a corrida oferece aos participantes a oportunidade de conhecer espaços relacionados às atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação do Departamento de Entomologia. O trajeto passa por prédios que abrigam laboratórios de pesquisa e outras estruturas vinculadas ao Departamento, incluindo espaços dedicados ao empreendedorismo e à inovação.
Para o idealizador, essa é uma das principais características da iniciativa: utilizar uma atividade acessível e aberta ao público para divulgar o trabalho realizado na Universidade e aproximar as pessoas da ciência.
Divulgação científica
Enquanto os corredores participam das provas, o público poderá interagir com o universo dos insetos por meio das atividades do Insetos em Cena, iniciativa que acompanha a programação do evento com ações educativas e recreativas.
Entre as atividades previstas estão a corrida de baratas, demonstrações de salto em distância de grilos, o contato com insetos como o bicho-pau e pinturas faciais inspiradas nesses animais. Também são apresentadas curiosidades sobre as habilidades dos insetos, como velocidade e capacidade de carregar peso.
A proposta é despertar a curiosidade, estimular o contato com esses organismos e contribuir para desmistificar o mundo dos insetos, destacando sua diversidade e sua importância.
Inspiração
Ao longo dos anos, a Corrida Entomológica da UFV também passou a inspirar iniciativas semelhantes em outras instituições e áreas do conhecimento. Para Eugênio, a realização de eventos esportivos associados à divulgação científica favorece a integração entre a Universidade e a população, além de estimular hábitos saudáveis.
A expectativa da organização é superar o número de inscritos da edição anterior, de cerca de 170 corredores, acompanhando o crescimento da participação observado nos últimos anos.
As inscrições podem ser feitas até 27 de novembro, neste link.
Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves
II Retiro Acadêmico promove integração científica e intercâmbio internacional para pesquisadores da Entomologia
A integração entre equipes de pesquisa, o intercâmbio de experiências internacionais e a aproximação entre ciência e prática agrícola marcaram o II Retiro Acadêmico realizado pela equipe do professor Eugênio Oliveira, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia (PPG Entomologia). Realizado no Centro de Pesquisa Canguçu, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), o encontro reuniu estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores e profissionais de diferentes instituições, em uma programação que combinou atividades acadêmicas, visitas técnicas e experiências de imersão na natureza.
A iniciativa teve como um de seus principais diferenciais o caráter internacional e interdisciplinar. Além da equipe vinculada à UFV, participaram pesquisadores da UFT e convidados da Alemanha, Polônia, China, Argentina e Colômbia, ampliando as oportunidades de diálogo científico e de construção de futuras colaborações.
Além dos laboratórios
O primeiro contato do professor Eugênio com essa proposta aconteceu durante seu doutoramento na Alemanha, quando participava de encontros anuais em uma estação experimental vinculada à Universidade de Colônia. A ideia é reunir os integrantes de uma equipe em um ambiente diferente do cotidiano acadêmico, favorecendo a troca de conhecimentos e uma compreensão mais ampla dos projetos desenvolvidos por cada participante.
Durante o retiro, estudantes e pesquisadores tiveram a oportunidade de apresentar suas pesquisas, compartilhar resultados e conhecer as diferentes linhas de investigação dos colegas. A dinâmica contribuiu para aproximar integrantes em distintas etapas da formação científica, desde a graduação até o pós-doutorado, e também grupos de pesquisa de diferentes instituições. Parte da equipe do professor Eugênio atua na UFV, enquanto outros integrantes estão vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da UFT, onde ele também desenvolve atividades de orientação. A convivência com a equipe do professor Raimundo W. S. Aguiar, colaborador da iniciativa, também ampliou as possibilidades de interação entre estudantes, professores e pesquisadores.
A participação de pesquisadores com trajetórias acadêmicas e atuações em diferentes países proporcionou aos estudantes contato direto com outras experiências de pesquisa e perspectivas científicas. Entre os convidados estiveram o professor Rudolf Hausmann e o pesquisador de pós-doutorado Elvio Perino, da Universidade de Hohenheim, em Stuttgart (Alemanha); o professor Guy Smagghe, da Guizhou University, na China; o professor Marcin Lukaszewicz, da Universidade de Wrocław, e a professora Joanna Martusewicz, da Wrocław University of Economics and Business, ambas na Polônia; o professor Juan Palazzini, da Universidad Nacional de Río Cuarto, na Argentina; e a professora Lucimar Dias Gomes, da Universidad de Caldas, na Colômbia.
A participação de Lucimar tem um significado especial para a Entomologia: egressa do Programa, ela atua como professora na instituição colombiana, um exemplo de como a formação acadêmica pode estabelecer conexões duradouras entre instituições e países.
A realidade da produção agrícola
Outro aspecto marcante da programação foi a oportunidade de conhecer de perto a produção agrícola extensiva no Tocantins. Além das atividades acadêmicas, os participantes visitaram áreas de produção na região de Gurupi e puderam observar a dimensão das operações agrícolas, incluindo o uso de grandes máquinas e sistemas de cultivo voltados à produção em larga escala.
Realizado em uma área de natureza singular, na região da Ilha do Bananal, o retiro também proporcionou momentos de convivência fora do ambiente formal de pesquisa. Para o doutorando Joshua Fernandes, integrante da equipe de Eugênio, essa vivência teve especial importância. “Eu trabalho com ecotoxicologia de insetos aquáticos. Poder ver um campo de interação tão grande entre o ambiente aquático e fazendas de produção extensiva me ajudou a compreender a relevância do trabalho que desenvolvi em meu Mestrado e me deu novo ânimo para o doutorado”, relatou.
Mestranda do PPG Entomologia participa de Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos
A mestranda Tandara Xavier, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia (PPG Entomologia), participou, entre os dias 1º e 11 de setembro, da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos, realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a iniciativa reuniu pesquisadores de diferentes áreas e países para uma imersão científica sobre a presença de micro e nanoplásticos no ambiente e seus impactos sobre os organismos.
A participação de Tandara tem relação direta com sua trajetória acadêmica: envolvida com o assunto desde sua graduação, a mestranda pesquisa os efeitos de microplásticos em abelhas sem ferrão (especificamente com a espécie Partamona helleri), sob orientação do professor Gustavo Martins. Em seus experimentos, as partículas são incorporadas à dieta dos insetos, permitindo avaliar diferentes respostas biológicas, incluindo aspectos comportamentais e histológicos.
Organizado pela Unicamp e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o evento combinou palestras, aulas teóricas e práticas, visitas a centros de pesquisa, apresentações de pôsteres e sessões de tutoria. Os participantes também foram divididos em grupos menores, acompanhados por tutores, para desenvolver um projeto ao longo da escola e apresentá-lo ao final da programação. Para Tandara, a característica multidisciplinar da iniciativa foi um dos principais diferenciais. Biólogos, químicos, físicos, engenheiros e pesquisadores de outras áreas participaram das atividades, permitindo ampliar a compreensão sobre os diferentes aspectos relacionados aos microplásticos. “Pra mim, enquanto bióloga, é sempre muito bom ter gente da química, da física, engenharias, porque acrescentam conhecimentos diferentes”, avalia.
Durante o encontro, a mestranda apresentou um pôster com resultados relacionados à sua pesquisa. Parte dos dados apresentados foi produzida em colaboração com a pós-doutoranda Thaís Viana, permitindo que Tandara apresentasse também um panorama mais amplo dos trabalhos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa do PPG Entomologia. As discussões realizadas durante a apresentação do pôster possibilitaram receber sugestões de pesquisadores que atuam em diferentes áreas relacionadas ao tema para aprimorar as análises e conhecer novas possibilidades metodológicas.
A experiência também possibilitou à mestranda conhecer cientistas de diferentes países e realidades de pesquisa. Para ela, essa diversidade foi especialmente importante para ampliar as perspectivas sobre as abelhas sem ferrão e sobre os impactos dos microplásticos em diferentes ecossistemas. “É uma troca muito grande, é um lugar de networking profundo, o tempo inteiro”, resume Tandara.
Para participar do evento, a estudante passou por um processo seletivo internacional, com 1.103 inscritos. Ao final, foram selecionados 125 participantes: 75 brasileiros e 50 estrangeiros, provenientes de 35 países. Entre as atividades, Tandara destaca ainda a visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que mantém uma das principais infraestruturas de pesquisa científica do país. Para ela, conhecer equipamentos e possibilidades de análise que não fazem parte do cotidiano de seu laboratório ajudou a ampliar sua percepção sobre novos caminhos para a pesquisa.
Doutorando apresenta PPG Entomologia e trajetória científica a estudantes do Peru
O doutorando Pedro Rodrigues Júnior, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia (PPG Entomologia) ministrou a palestra “Abra suas asas: comunicando a ciência, criando oportunidades” para estudantes da Universidade Nacional da Amazônia Peruana (UNAP). A atividade integrou a programação comemorativa do Dia Nacional do Entomólogo Peruano, celebrado em 11 de agosto, e foi organizada pelo Círculo de Estudos Entomológicos da Faculdade de Ciências Biológicas da UNAP.
Realizado de forma virtual e com acesso livre, o evento reuniu, ao longo de uma semana, diversas conferências voltadas à entomologia. A participação de Pedro teve como objetivo apresentar aos estudantes peruanos as oportunidades de pesquisa, formação e internacionalização disponíveis no Brasil, além de compartilhar sua própria trajetória acadêmica e científica.
O convite surgiu após a participação do doutorando em dois vídeos publicados nas redes sociais, um produzido pela Sociedade Entomológica do Brasil (SEB) e outro relacionado ao SIA 2026. No vídeo da SEB, Pedro apresentou o PPG Entomologia sob a perspectiva de um estudante, em uma série dedicada a divulgar programas de pós-graduação brasileiros da área.
Na palestra, além de apresentar o PPG Entomologia, o doutorando abordou aspectos de sua trajetória, as pesquisas que desenvolve e sua visão sobre a formação do entomólogo. Para Pedro, a construção do conhecimento científico não deve permanecer restrita ao ambiente acadêmico. “Oportunidades surgem de perguntas simples, que não precisam ser sanadas por nós somente no âmbito acadêmico. Todos devem ter acesso ao que é produzido na Universidade. Conhecimento é democrático”, destacou.
A atividade também possibilitou o diálogo com estudantes de graduação e pós-graduação da UNAP, que demonstraram interesse pelas pesquisas desenvolvidas na UFV e pelas possibilidades de ingresso de estudantes estrangeiros em programas de pós-graduação brasileiros. Segundo Pedro, alguns participantes já conheciam trabalhos relacionados a estudos de comportamento desenvolvidos na Universidade, incluindo metodologias e ferramentas como o software EthoFlow.
“Apresentar o programa para colegas de profissão de outro país, em um evento comemorativo ainda no doutorado, é algo que definitivamente se destaca em minha trajetória acadêmica. Foi uma grande honra”, afirmou.
Para a preparação da apresentação, Pedro contou com o apoio da Coordenação e da Secretaria do PPG Entomologia, que forneceram materiais atualizados sobre o Programa, incluindo informações sobre sua história, características e formas de ingresso. A participação também reforçou o que Pedro considera central em sua formação: a capacidade de estabelecer conexões entre pesquisadores, laboratórios, departamentos e instituições. Desde o início da pós-graduação, ele relata ter buscado atuar como uma ponte de interação entre diferentes grupos, especialmente em razão do caráter multidisciplinar de suas pesquisas. “Ciência não se constrói sozinho, mas em conjunto. Ao conhecer parte do que é possível ser realizado aqui na UFV, os estudantes peruanos puderam pensar em formas de internacionalizar sua pesquisa em um programa de excelência brasileiro. Plantar essa semente nos renderá bons frutos, estreitando relações entre Brasil e Peru”, conclui.
Estudantes antecipam defesa da dissertação e ingresso no doutorado, ampliando oportunidade para novos mestrandos
Concluir o mestrado antes do prazo regular e ingressar imediatamente no doutorado pode parecer um desafio difícil de vencer. No Programa de Pós-Graduação em Entomologia (PPG Entomologia), entretanto, dois exemplos recentes mostram que esse caminho é possível quando há planejamento, dedicação, apoio institucional e uma pesquisa bem estruturada.
Os pesquisadores Marcelo Picanço Filho e Mateus Lordelo Vidigal defenderam suas dissertações nos prazos de 12 e 18 meses, respectivamente, e já iniciam, em agosto, o doutorado pelo Programa. Além de acelerarem a própria formação, eles contribuíram para que bolsas de mestrado fossem disponibilizadas a novos estudantes.
No caso de Marcelo (foto acima), a decisão pela carreira na Entomologia foi consolidada durante a graduação em Agronomia, graças à convivência com professores e pesquisadores do Programa. “Quando comecei a graduação, logo entrei no laboratório do professor Eraldo Lima, meu orientador hoje. Os professores sempre foram muito solícitos em ensinar e incentivar a gente. Se estou aqui, devo muito ao apoio que recebi durante toda essa trajetória”, conta.
Ao longo da graduação, Marcelo desenvolveu trabalhos nos laboratórios dos professores Eraldo Lima e Raul Guedes, chegando ao mestrado já familiarizado com a pesquisa. Sua dissertação investigou os riscos globais de perdas agrícolas causadas pela lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), importante praga das culturas de milho, soja e algodão. O trabalho inovou ao incorporar variáveis de perdas econômicas aos modelos de distribuição potencial da espécie, permitindo estimar os riscos de prejuízos em diferentes regiões do mundo.
Inicialmente, Marcelo planejava concluir o mestrado em um ano e meio. Entretanto, o bom andamento da pesquisa mostrou que era possível antecipar ainda mais. “Foi algo que aconteceu naturalmente. Eu já vinha trabalhando no tema há alguns anos, as disciplinas correram muito bem e, conversando com meu orientador, percebemos que valia a pena tentar fazer em um ano. Fiz a seleção para o doutorado sem pressão e isso também ajudou. Mas só foi possível porque tive um orientador, uma coorientadora (a professora Daiane das Graças do Carmo) e uma equipe que acreditaram na ideia. É um trabalho coletivo.”

A trajetória de Mateus também começou ainda na graduação, em Ciências Biológicas, na UFV. Durante uma disciplina ministrada pelo professor Gustavo Martins, ele conheceu a linha de pesquisa sobre microbiota intestinal de abelhas e passou a atuar em seu laboratório. O interesse pelo tema cresceu rapidamente. “Antes mesmo de ingressar no mestrado, já estava preparando experimentos e estruturando o projeto.”
Sua dissertação estabeleceu as bases para uma nova linha de investigação sobre a microbiota de abelhas sem ferrão. O estudo caracterizou as comunidades microbianas presentes em diferentes castas de duas espécies do gênero Melipona, consolidando conhecimentos fundamentais para pesquisas futuras que buscam aumentar a resiliência desses polinizadores aos pesticidas. O artigo resultante da dissertação foi publicado na revista Scientific Reports.
Segundo Mateus, a antecipação foi resultado principalmente de organização e trabalho em equipe. “Não acho que seja uma questão de trabalhar mais rápido, mas de planejar bem e não tentar fazer tudo sozinho. O apoio dos colegas de laboratório fez toda a diferença.”
Benefício em cadeia
Ao ingressarem mais cedo no doutorado, Marcelo e Mateus liberaram bolsas de mestrado que já foram destinadas a estudantes recém aprovados. Segundo o coordenador do PPG Entomologia, professor Gustavo Martins, essa dinâmica acompanha uma tendência internacional de redução do tempo de formação, sem abrir mão da qualidade. “Terminar o mestrado antes do previsto está alinhado com o que vem acontecendo em outros países e com o que a CAPES tem demandado”, afirma.
O professor destaca que os dois estudantes se sobressaíram não apenas pela rapidez, mas pela qualidade. “O caso do Marcelo foi inédito para mim em todos esses anos na Entomologia da UFV, ao concluir o mestrado em um ano. Já o Mateus, além de defender em três semestres, apresentou uma dissertação em inglês, com artigo aceito e com participação de um professor da China Agricultural University em sua banca, evidenciando o elevado nível de internacionalização do trabalho.”
Para Gustavo, experiências como essas dependem de uma combinação de fatores: planejamento, dedicação, domínio técnico, disponibilidade de recursos financeiros, apoio do orientador e infraestrutura adequada. O próprio Programa também contribui com medidas que favorecem esse percurso, como a atualização curricular. “O mais importante continua sendo concluir o mestrado com um trabalho de qualidade.”
Programa de Pós-Graduação em Entomologia