Egresso completa formação nos EUA e atende a mercado internacional de pesquisa

Quando o entomologista Marcelo Rabelo iniciou o doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Entomologia, em 2018, ele sabia exatamente o que queria: aproveitar as portas abertas pelo PPG na comunidade científica internacional e completar sua formação em outro país. Há dois meses, como resultado dessa trajetória certeira, ele abriu a IVA SCIENCES , uma empresa de pesquisa projetada especialmente para atender ao pujante mercado do agronegócio. “No Brasil e nos EUA, há uma explosão, eu chamaria de uma revolução agrícola para um lado mais sustentável, com uma imensa quantidade de produtos biológicos sendo desenvolvidos para controle de pragas, para adubação… Isso está explodindo e tem alta demanda para pesquisa.”

Marcelo se graduou em Agronomia, na Universidade Estadual de Montes Claros, e veio para o PPG para cursar o mestrado, em 2016, sob orientação do professor Eliseu Pereira. O doutorado veio em seguida, na mesma linha de pesquisa (interação inseto-planta). “Foi no PPG que meu trabalho começou a ganhar mais visibilidade. Eu decidi antecipar as minhas responsabilidades acadêmicas, minha qualificação, porque queria deixar os últimos dois anos livres para uma experiência internacional. Comecei a me preparar pra isso, a estudar inglês e depois que me qualifiquei, apliquei para uma bolsa do CNPq, mas não fui aprovado.” Nessa época, a professora Silvana Paula-Moraes, também egressa do PPG, tinha aprovado um projeto na Universidade da Flórida, onde leciona, e convidou Marcelo para se juntar ao time dela. “Eu fiquei na Universidade da Flórida nos dois anos finais do doutorado e por quase 3 anos a mais, como pós-doc, até muito recentemente.”

Foi morando na Flórida, mais exatamente na cidade de Navarre, que Marcelo identificou a demanda das empresas americanas por consultoria em pesquisa e decidiu abrir seu negócio. Dali ele presta serviços para companhias sediadas em pontos diferentes dos EUA. “O que eu ofereço são os mais de dez anos de experiência na academia, com pesquisa. Meus clientes são empresas que estão produzindo tecnologias sustentáveis para agricultura. Me demandam, por exemplo, soluções para o fornecimento de espécies usadas no controle de pragas, ou teste de produtos novos seja em laboratório ou em casa de vegetação, por exemplo”, explica. 

Para ele, o fator fundamental para conseguir aplicar no mercado o conhecimento adquirido nos anos de mestrado e doutorado foi estar atento às demandas. “Apesar de já haver empresas no mercado oferecendo este mesmo tipo de pesquisa, identifiquei o nicho em que poderia atuar e criei minha oportunidade. Não tenho a menor dúvida de que há espaço semelhante em diversas outras partes do mundo, inclusive no Brasil.” 

Além do PPG Entomologia, que criou as bases para a investida de Marcelo nos EUA, ele carrega consigo a inspiração vinda da própria infância. “Eu sempre fui apaixonado por insetos, e desde criança fui incentivado a prosseguir. Minha mãe foi a primeira educadora que me inspirou neste caminho. Ela se tornou professora quando, no Brasil, ser uma professora negra era algo quase impossível de se ver acontecer, e ela venceu”. E foi com o nome da mãe, Maria Iva, que Marcelo batizou sua empresa. “IVA vem do nome dela, e da ideia de inovação, valor e ambição, princípios que guiam o nosso trabalho.”

Foto: IVA SCIENCES

Simpósio Internacional de Entomologia une fundamentos e novas tecnologias em seis dias de evento

Será em setembro, entre os dias 17 e 22, o VII Simpósio Internacional de Entomologia da Universidade Federal de Viçosa. Esta edição, a primeira desde 2019, traz o tema “De fundamentos à prospecção de novas tecnologias“, com a proposta de enriquecer o avanço tecnológico com um olhar atento aos fundamentos da entomologia, e vice-versa, promovendo um diálogo constante entre as bases do conhecimento científico e os avanços típicos dos tempos atuais. 

Tradicionalmente, o simpósio é organizado por discentes do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, a cada dois anos. A edição de 2021 não aconteceu em função da pandemia do Coronavírus. Em 2023, o evento é presidido pelo professor Angelo Pallini, orientador do PPG e também presidente da Sociedade Entomológica do Brasil (SEB). 

A programação conta com palestras, mesas redondas, apresentações orais e sessão de posters. Os nomes dos palestrantes serão anunciados em breve e devem incluir renomados pesquisadores de diferentes países. “Estamos muito animados, cheios de ideias e cientes de que temos muito trabalho pela frente. Vamos honrar a tradição do simpósio, que sempre foi muito respeitado, e incluir todas as áreas da entomologia”, diz a doutoranda Laís Viana, organizadora membro da equipe de divulgação do evento. A comissão organizadora reúne quase 50 estudantes, incluindo alunos da graduação e pesquisadores vinculados a áreas afins. 

Inscrições abertas
Profissionais e estudantes já podem se inscrever no evento, que vai acontecer apenas de forma presencial, no Campus da UFV, em Viçosa. Até o próximo dia 12, quando será encerrado o primeiro lote de inscrições, o custo é de R$ 150 para estudantes de graduação, R$ 230 para estudantes de pós-graduação, e R$ 320 para profissionais. Após essa data, os valores serão ajustados. 

O prazo para submissão de trabalhos será aberto em breve.

Para acompanhar as atualizações sobre o simpósio e fazer sua inscrição, acesse o site do evento, aqui. 

Missão da UFV encerra passagem de orientadora da Entomologia pela Universidade de Catania

Depois de atuar por um ano como pesquisadora visitante na Università Degli Studi di Catania (UNICT), na Itália, a professora e orientadora do Programa de Pós-Graduação em Entomologia Maria Augusta Lima Siqueira retoma agora suas atividades em Viçosa. Em Catania, Maria Augusta foi supervisionada pela Professora Gaetana Mazzeo e realizou pesquisas em conjunto com professores locais. As parcerias estabelecidas permitirão, ao longo dos próximos anos, o intercâmbio de estudantes e o desenvolvimento de projetos de pesquisa por meio de colaborações internacionais. Entre as últimas atividades de 2022, Maria Augusta participou na Itália de reuniões com colegas da UFV, em missão realizada como parte das ações do Programa Institucional de Internacionalização (Print).

“Minha experiência foi excelente, tivemos a oportunidade de desenvolver novos métodos de estudo e fortalecer as parcerias com os entomologistas da UNICT”, diz Maria Augusta. Ela é a primeira pesquisadora do programa a passar uma temporada na UNICT, e a expectativa é que as portas permaneçam abertas para  outras mobilidades. A partir de junho, o programa receberá um aluno de doutorado da universidade italiana – Roberto Catania, que é orientado pela Professora Gaetana e coorientado por Maria Augusta. No mesmo mês, está prevista a mobilidade da doutoranda Lívia Negrini para a UNICT, para realização de doutorado sanduíche com coorientação de Gaetana. 

O ano dedicado à universidade italiana resultou, na visão de Maria Augusta, no fortalecimento de parcerias que já vinham sendo estabelecidas à distância. Além da Gaetana, ela trabalhou ao lado dos professores Antonio Biondi e Lucia Zappalà em diferentes projetos envolvendo a interação entre abelhas e produção agrícola. “Os pesquisadores de lá estão especialmente interessados em adaptar nossos métodos de estudo e acompanhamento para usar com as abelhas da fauna mediterrânea. É uma troca de conhecimentos que, tenho certeza, beneficia todos os envolvidos.”

Além de trazer o conhecimento acadêmico para engrandecer as pesquisas realizadas em Viçosa, a experiência da professora também agrega informação no que diz respeito às incursões internacionais. “Ter vivido essa experiência na pele, inclusive as dificuldades que apareceram, me dá muito mais condições de orientar meus alunos e prepará-los para uma mobilidade internacional também, que é tão importante.” 

Missão
A visita da comitiva da UFV à Universidade de Catania fez parte de uma série de encontros promovidos pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PPG) e pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da UFV na França, Espanha e Itália. Na Itália, as missões ocorreram nas universidades de Catânia e Torino, campus Biomédico de Roma, de Florença, de Bolonha, Modena e Reggio Emilia e Milão. Além da professora Maria Augusta, a Entomologia também esteve representada pelo professor Raul Guedes, atual pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da UFV. 

Samuel Santos e Lorene Reis são os representantes discentes em 2023

Os estudantes Samuel Júlio Lima dos Santos (efetivo) e Lorene Carla dos Reis (suplente) são os novos representantes discentes junto à Comissão Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Entomologia. A dupla vai desempenhar suas funções a partir de janeiro, durante todo o ano de 2023. É a primeira vez que os alunos do programa elegem para a representação uma chapa formada exclusivamente por estudantes negros. 

“A nossa chapa, composta não só por negros, mas também por um homem gay e por uma mulher, reflete o momento atual que estamos vivendo, em termos de inclusão, e, agora, o nosso trabalho é fazer o máximo para que o todo o Programa sinta essa mesma energia. A gente sabe que vai ser um trabalho difícil, árduo, mas entendemos o papel que a gente exerce como representantes discentes, e sem dúvida, esse é o nosso momento, vamos realizar muitas coisas”, diz o doutorando Samuel, orientando do professor Simon Elliot

O bem-estar dos mestrandos e doutorandos – especialmente daqueles pertencentes a grupos minoritários -, e uma melhor integração entre eles e entre seus laboratórios são os principais pontos de atenção da dupla neste ano que se inicia. “A primeira coisa que a gente tem em mente é aumentar o bem-estar dos estudantes que se encaixam em grupos minoritários (mulheres, pessoas pretas e pardas, comunidade LGBTQIA+, indígenas e estrangeiros). Para isso, a gente pensa em trazer palestras, histórias de pesquisadores com esse perfil, e aprimorar a plataforma de egressos do programa”, explica Samuel. 

“Nós queremos promover a integração entre os laboratórios, entre os pesquisadores, que é algo que sentimos que falta no Programa. A ideia é fazer com que a gente conheça o que está sendo realizado pelos colegas, para que possamos inclusive contribuir mais uns com os outros e, consequentemente, aumentar a sensação de pertencimento ao grupo. Assim, fortalecemos a identidade da Entomologia e, consequentemente, nosso potencial”, aposta Lorene, que também é orientada pelo professor Simon.

Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves

Pesquisa multidisciplinar investiga relação entre aves e controle de pragas

O professor Lessando Gontijo, orientador do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, acaba de iniciar uma parceria com a Wageningen University, da Holanda. O grupo de pesquisadores vai mensurar, no Brasil e na Holanda, de forma inédita, os sons emitidos por pássaros e correlacionar os dados com informações sobre a população de insetos no local – especialmente lagartas e besouros -, com o objetivo de entender o quanto a diversidade de pássaros em determinada área pode ser útil para o controle biológico de pragas. A primeira visita do grupo de cientistas holandeses ao Campus Florestal deve acontecer até fevereiro, e estão previstas coletas de dados também na Holanda. 

“A ecoacústica é uma aventura totalmente nova pra mim. A ideia é criar uma metodologia, usando um dispositivo que nos permite, no campo, captar e gravar sons, barulhos, diferentes cantos de pássaros, e através disso, estimar a diversidade de aves. A gente consegue dizer, por exemplo, que em determinada área tem dez diferentes espécies de pássaros, e quais são essas espécies. E a entomologia entra no momento em que vamos correlacionar isso com o nível de pragas, na cultura agronômica”, explica o professor. “Minha meta principal é avaliar se a diversidade de aves pode ser útil para controlar as pragas. Será que há uma correlação direta (entre a diversidade de aves e as pragas)? Onde temos uma diversidade mais alta, será que temos menos pragas, menos lagartas?”

O projeto multidisciplinar foi aprovado em um edital europeu conhecido como ‘Wild Card’ e envolve pesquisadores nas áreas de física, ecologia e entomologia das duas universidades. À princípio, estão envolvidos alunos de iniciação científica orientados pelo professor Lessando e pós-graduandos da Wageningen University, que virão ao Brasil. Ainda está em aberto a possibilidade de pós-graduandos brasileiros colaborarem diretamente para o projeto. 

“Essa interação é muito boa para a Entomologia, para a UFV, porque engrandece nosso trabalho, e contribui diretamente para a internacionalização da universidade”, diz Lessando, destacando ainda a chegada de recursos internacionais para custear bolsas e materiais dos experimentos.” Além de tudo, tem o enorme benefício do aprendizado: vou colaborar com ecólogos, é uma aventura nova, um aprendizado enorme. Sempre trabalhei com controle biológico de pragas, mas envolvendo outros insetos. Meus orientados certamente estarão acompanhando e se beneficiando deste conhecimento.”

O projeto tem duração inicial de dois anos. A expectativa é de que, até o final de 2023, aconteça toda a coleta de material e análise dos dados. 

Foto: John Norton / Creative CommonsAttribution 2.0 Generic