PPG Entomologia tem 15 egressos classificados no concurso da Embrapa
Quinze egressos do Programa de Pós-Graduação em Entomologia estão entre os classificados para o cargo de pesquisador no concurso público da Embrapa, cujo resultado foi homologado essa semana. Na área de Entomologia Agrícola, a empresa pública anunciou a abertura de 11 vagas, para as quais somou 447 candidatos inscritos. Entre os 11 primeiros colocados, sete estão vinculados ao programa, seja como discentes atuais ou egressos dos cursos de mestrado e doutorado.
O Dr. Eduardo Constantin foi aprovado em primeiro lugar, e deve assumir o cargo nos próximos meses. Eduardo cursou o mestrado e doutorado pelo programa, entre os anos de 2018 e 2024, sob orientação do professor Simon Elliot e, mais recentemente, atuou como pós-doc, também com Simon. “O concurso foi bastante desafiador, passamos por quatro fases distintas (prova objetiva, discursiva, apresentação de memorial e projeto de pesquisa e análise de títulos) durante longos meses. O conhecimento adquirido durante os anos na pós-graduação ajudou em todas as etapas, já que estamos constantemente apresentado seminários, escrevendo e reescrevendo projetos, conectando teorias, publicando artigos… Tudo isso constrói um leque de conhecimento que foi bastante útil no processo.”
Eduardo celebra não só a própria aprovação, mas também a dos demais colegas, como um resultado excelente para o programa. “Acho que foi assim porque aprendemos com os melhores! A Entomologia de Viçosa conta com excelentes professores e pesquisadores, que tradicionalmente formam excelentes profissionais. O crédito é deles também!”
Para a Dra. Karina Amaral, aprovada em terceiro lugar no concurso, o novo cargo é uma oportunidade de retribuir à sociedade o investimento feito na sua formação, toda realizada em instituições públicas. “Esse é um momento de grande honra. O resultado é uma conquista muito grande na minha carreira profissional. Ingressar no serviço público federal em uma empresa como a Embrapa é a realização de um grande sonho.” Karina foi orientada pela professora Terezinha Della Lucia, do PPG Entomologia, desde a graduação, como aluna de iniciação científica. Entre 2014 e 2020 cursou mestrado e doutorado, trabalhando com formigas-cortadeiras.
“Com certeza o conhecimento adquirido na pós-graduação foi de extrema importância”, avalia Karina. “Além do conteúdo científico de qualidade a que temos acesso, o programa me trouxe grande maturidade profissional. A pós-graduação nos desafia em diversos aspectos, como a habilidade de transmitir conhecimentos, a liderança, a gestão de pessoas e projetos, bem como a inteligência emocional. Todas essas habilidades foram muito importantes no preparo e na realização das etapas do concurso.”
O novo cargo não vai encerrar o vínculo que Karina mantém com a Entomologia há mais de uma década. “Tenho alguns projetos em andamento, incluindo a coorientação de alunos de doutorado do Programa, em parceria com o laboratório de Ecotoxicologia e Ecofisiologia de Insetos, coordenado pelo professor Raul Guedes, que vou manter mesmo estando na Embrapa. Além disso, estarei sempre aberta a parcerias com outros pesquisadores do programa e da UFV.”
Para o coordenador do PPG, Gustavo Martins, o resultado do concurso representa a alta qualificação e o preparo dos egressos do programa frente ao mercado de trabalho. “Consolida o Programa como formador de pesquisadores para cargos de alta qualificação, que atuarão na melhoria da pesquisa nas áreas agrárias nesta que é uma das principais empresas de desenvolvimento de tecnologia do Brasil.” Ele destaca que os pesquisadores atuarão na linha de frente da agricultura, uma das maiores produtoras de riqueza para a economia do país. “Admitir nossos egressos é coroar os esforços do Programa na formação do corpo discente, especialmente para ocupar uma posição para a qual eles foram formados. Em nome do Programa, parabenizo os entomólogos aprovados e desejo sucesso na nova empreitada.”
Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves
Mestrando é selecionado para curso de imersão no Pantanal
O mestrando Eduardo Brandão, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, participou em setembro do curso de campo Ecologia do Pantanal (EcoPan), promovido pelo Programa de Pós–Graduação em Ecologia e Bioversidade da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Com três semanas de duração, o curso promove um mergulho na biodiversidade do Pantanal, com atividades ininterruptas na Base de Estudos do Pantanal da UFMS, em Nhecolândia, sub-região do município de Corumbá. Eduardo, que é orientado pelo professor Thiago Kloss, foi o único representante de Minas Gerais selecionado entre os 20 estudantes.
Ao se inscrever, os pós-graduandos precisam apresentar projetos de pesquisa pensados para serem desenvolvidos durante a temporada no Pantanal. Ao longo dos 21 dias de curso, os alunos têm uma rotina de coletas diárias, todas as manhãs, seguida pela tabulação dos dados e análise estatística, pela apresentação deste material aos demais colegas e por palestras de professores da UFMS e convidados. “O curso busca trabalhar conceitos como método científico, análise estatística e delineamento experimental. Vemos coisas como a construção do que é uma hipótese, e o que é uma predição, e informações sobre a escrita científica também”, resume Eduardo. “Os professores também nos apresentam a experiência deles, os projetos com os quais estão envolvidos e, além dos nossos próprios projetos, desenvolvemos também projetos orientados por eles e por monitores.”
A dinâmica de trabalho, segundo ele, proporciona e privilegia o trabalho em equipe, outro ponto fundamental para o amadurecimento do fazer científico. “É uma experiência muito rica, com oportunidade de treinar outras línguas, fazer muitas trocas. A gente amadurece, seja ajudando nos projetos dos colegas ou conversando com eles sobre o nosso próprio projeto. É importante estar ali pra se aprimorar e também para poder contribuir com a formação dos demais.”
Na última semana de atividades, Eduardo desenvolveu o projeto “As condições do ambiente influenciam o padrão de atividade de polinizadores e pilhadores em inflorescências de Vochysia divergens Pohl.?”, ao lado da doutoranda Raissa Tais dos Santos, da UFMS. Depois de diversas visitas a campo, coleta e análise dos dados, o grupo avaliou como as condições do ambiente influenciam a visita de polinizadores como abelhas, vespas, besouros e borboletas e dos chamados pilhadores de recursos, que também podem ser abelhas, vespas e moscas, na saúde da planta, típica da região.
A oportunidade de conviver com a biodiversidade do Pantanal foi um dos pontos altos, na avaliação do estudante, que nunca tinha visitado o Mato Grosso do Sul. “Desde que eu entrei na pós-graduação estou de olho em cursos de campo, sempre me atraiu esse formato. Fiquei impressionado com a beleza do Pantanal, com a diversidade da fauna e das paisagens. Pude conhecer os famosos capões de mato do Pantanal e muitos animais que nunca tinha visto. É um lugar maravilhoso, nunca vi tanta diversidade em minha vida.”
Pesquisadores descrevem duas novas espécies de insetos aquáticos
A pesquisadora Mellis Rippel e o professor Frederico Salles, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, descreveram duas novas espécies de inseto, encontradas no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, na Zona da Mata de Minas Gerais e no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, na região serrana do Rio de Janeiro. Guaranyperla puri (na foto acima) e Guaranyperla froehlich pertencem à família Gripopterygidae, de insetos aquáticos. A primeira foi nomeada em homenagem ao povo indígena Puri, habitante da região onde foi encontrada, e a segunda celebra o professor Claudio Froehlich, falecido em 2023.
Leia aqui o artigo “Taxonomic revision of Guaranyperla Froehlich (Plecoptera: Gripopterygidae): unveiling the diversity and complexity of a unique genus”, com a descrição das novas espécies.
A descoberta faz parte das pesquisas realizadas por Mellis para seu doutorado, concluído no primeiro semestre de 2025. A pesquisadora desenvolveu sua tese sobre a taxonomia e a morfologia reprodutiva de Gripopterygidae, família de Plecoptera restrita ao Hemisfério Sul. “Dentro desse contexto, eu fiz uma revisão taxonômica do gênero Guaranyperla, e as novas espécies surgiram desse trabalho. Por 24 anos, havia apenas 3 espécies conhecida desse gênero, e meu trabalho dobrou esse número, além de indicar outras espécies em potencial que ainda precisam ser descritas”, avalia Mellis. Além das duas novas espécies, a revisão feita por ela resultou na troca de nome – e de gênero – de Guaranyperla barbosai, que antes acreditava-se pertencer ao gênero Tupiperla.

Os resultados representam um feito entomológico importante porque ajudam a identificar os limites entre as espécies do gênero, considerado “enigmático” pelos especialistas. “Guaranyperla não é fácil de coletar e, por isso, encontrar uma nova espécie desse gênero na Serra do Brigadeiro foi muito incrível pra gente. Além disso, G. puri reforça a diversidade ainda pouco conhecida de insetos aquáticos da Mata Atlântica. Ao mesmo tempo, descobrimos que G. froehlich e G. barbosai coexistem no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o que também é fascinante.” Esses insetos são conhecidos pelo importante papel que têm como indicadores de qualidade da água e como parte das cadeias alimentares e do fluxo de energia dos riachos.
O trabalho tem a colaboração do Laboratório de Entomologia da UFRJ, por meio dos pesquisadores Jádila Prando, Daniela Takyia e Fernanda Avelino-Capistrano, e do Laboratório de Biologia Aquática (LABIA) da UNESP de Assis, por meio do pesquisador Lucas Henrique de Almeida. “É sempre muito especial quando se descreve uma nova espécie. É como descobrir um pedaço do mundo que antes não era conhecido e depois passa a ter nome e história reconhecidos pela ciência. Foi muito legal eu e meu orientador Frederico Salles descrevermos essas duas novas espécies de um gênero que sempre foi tão querido e admirado não só por nós, mas por muitos especialistas em insetos aquáticos do Brasil. Pra mim é um presente incrível e o considero como um momento sublime e muito especial na minha carreira.”
Fotos: Frederico Salles e Thomas van de Kamp
Entomologia abre processo seletivo para mestrado e doutorado em 2026
O Programa de Pós-Graduação em Entomologia publica hoje o edital com abertura de vagas para ingresso nos cursos de mestrado e doutorado no primeiro semestre letivo de 2026.
As inscrições podem ser feitas a partir da próxima segunda-feira, 15 de setembro, até as 23h30 do dia 23 de outubro. A seleção acontecerá entre os meses de outubro e novembro de 2025, com a divulgação do resultado final prevista para 10 de dezembro.
Estão sendo oferecidas 12 vagas – nove para o mestrado e três para o doutorado. A quantidade de bolsas disponibilizadas dependerá da liberação pelas agências de fomento (CAPES, CNPq ou FAPEMIG).
Todas as informações e orientações sobre o Processo Seletivo 2026/01 podem ser lidas aqui, no edital.
A primeira etapa do processo seletivo é a prova escrita, que será aplicada no dia 31 de outubro.
Os aprovados nesta etapa passarão para a Arguição Oral, prevista para a segunda quinzena de novembro. Detalhes sobre as avaliações e outras informações importantes para os candidatos estão descritas no edital.
Os aprovados vão ingressar nos cursos de mestrado e doutorado em março de 2026.
Atualizações importantes sobre o processo seletivo e documentos de referência para os candidatos serão postados neste link.
Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves
The Graduate Program in Entomology has a open call for master and doctoral candidates. The selected candidates will start in the first semester of 2026.
Applications can be submitted from Monday, September 15, until 11:30 p.m. on October 23. The selection process will happen between October and November 2025, with the final results scheduled to be announced on December 10.
12 candidates can be selected—nine for the master’s program and three for the doctoral program. The number of scholarships available will depend on approval by the funding agencies (CAPES, CNPq, or FAPEMIG).
All information and guidelines on the 2026/01 Selection Process can be found here.
The first stage of the selection process is a written exam, which will be held on October 31.
Those who pass this stage will move on to the Oral Examination, scheduled for the second half of November. Details about the evaluations and other important information for candidates are described in the call.
Important updates about the selection process and reference documents for candidates will be posted at this link.
Oitava edição do Simpósio Internacional de Entomologia reúne 700 entomólogos em Viçosa
Cerca de 700 entomólogos estiveram reunidos na última semana, em Viçosa, na VIII edição do Simpósio Internacional de Entomologia. Foram seis dias de evento, com mais de 500 resumos submetidos, 45 palestrantes e mediadores em 7 mesas-redondas, 13 palestras e 12 minicursos.
Veja a cobertura fotográfica completa aqui!
Para a doutoranda Gabriela Santos de Paula, um das organizadoras do evento, o grande marco desta edição foi a diversidade das discussões, que uniram excelência científica e reflexões sociais, com destaque para a mesa de diálogo “Ciência e Diversidade”. “Esse momento sensibilizou o público ao tratar de inclusão e representatividade na ciência, e foi uma das atividades mais memoráveis do evento.”
Segundo ela, algumas apresentações se sobressaíram pela repercussão dos temas: a mesa “IPM and Biocontrol in the Mediterranean” foi amplamente aclamada por trazer inovações; a palestra “Changes in the Entomofauna of Glacial Environments”, especialmente aguardada, atraiu participantes de diferentes regiões do Brasil interessados nas implicações das mudanças climáticas em ambientes glaciais. Já a palestra sobre o impacto das mudanças climáticas na fauna cadavérica em um contexto forense destacou-se por evidenciar a importância da entomologia aplicada a questões sociais.
“Um momento que me marcou profundamente foi a mesa solene do evento”, conta Gabriela. “Estar ali com poder de fala em uma mesa composta por sete homens e duas mulheres foi o grande marco para mim, pessoalmente. Foi nesse instante que senti plenamente a responsabilidade de coordenar o evento e o impacto que isso pode ter na vida de outras pessoas. Depois disso, sei que nunca mais serei a mesma.”
O simpósio, que é organizado exclusivamente por alunos do PPG Entomologia, tem forte impacto na formação acadêmica e pessoal de toda a comissão organizadora, que se dedica ao projeto por aproximadamente um ano. “Deixo aqui meu imenso agradecimento a todos que estiveram conosco, tanto no apoio prévio quanto durante o evento presencialmente, tornando possível essa experiência única. Tudo precisa estar em perfeita sincronia, e cada pessoa teve um papel essencial para que tudo acontecesse.”
Além da programação científica, o simpósio também ofereceu atividades especiais, como a parceria com o Cinecom, a segunda edição do Game of Bugs e a já tradicional Entomoparty, que marcaram o encerramento.
O evento teve apoio do Conselho Federal de Biologia (CFBio), do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e das empresas Bejo, Opticam, Krick.co, Caffè di Borella, Livraria UFV e Casa do Queijo, além da Sociedade Entomológica do Brasil (SEB) e do grupo de estudos Insectum.
Foto: João Martins
Programa de Pós-Graduação em Entomologia