Saiba como é o processo seletivo para ingressar no programa de Pós-Graduação em Entomologia

O processo seletivo para a Pós-Graduação em Entomologia da UFV acontece duas vezes por ano. O número de estudantes que ingressam varia de acordo com a disponibilidade de bolsas de estudos concedidas por agências financiadoras, como Capes, CNPq e Fapemig. Para ingressar no mestrado, a seleção compreende: análise de currículo e prova discursiva. Para o doutorado, além dessas etapas, os estudantes passam por uma arguição oral.

A estudante Aline Rafaela Moura Garcia acabou de ser aprovada para o doutorado e revela a sua visão sobre o processo seletivo. Aline afirma que a prova discursiva é interdisciplinar. A partir da leitura de um artigo científico em inglês, o candidato deve demonstrar capacidade de formular um projeto, respondendo às questões. Nas respostas o candidato deve fazer a relação entre o tema do artigo com outros campos da Entomologia.

No que se refere à arguição oral, Aline a considera “bem informal”. Uma banca, normalmente, constituída por quatro integrantes – três professores e um estudante da pós-graduação, faz perguntas relacionadas à área de Entomologia, ciência geral e sobre o plano de pesquisa do candidato. É interessante que o estudante esteja preparado para responder as perguntas noutro idioma, pois a banca pode fazê-las em inglês e pedir que o candidato responda no mesmo idioma ou em outro que domine. Mas isso pode variar de uma seleção para outra.

Para Aline, três elementos são fundamentais para que um candidato se saia bem tanto na prova, quanto durante o curso de pós-graduação: hábito de leitura de artigos científicos, domínio da língua inglesa e noções básicas de Estatística. Aline aponta essas características baseada na sua própria experiência. Antes do doutorado, Aline fazia mestrado em Entomologia, também na UFV. Ela conta que na primeira vez que prestou a prova para o mestrado não obteve sucesso, sobretudo, devido ao seu inglês.

Mas a reprovação no processo seletivo não a desanimou, e Aline decidiu sair do estado do Pará, onde morava, e veio para Viçosa cursar duas disciplinas como estudante não vinculada. Isso sem nenhum tipo de bolsa ou qualquer outro benefício. Aline afirma que só tomou essa decisão pela receptividade que obteve quando fez seu primeiro contato com o programa de pós-graduação.

Quando decidiu fazer mestrado Aline pesquisou sobre programas que atendiam ao seu interesse, e se identificou com a linha de pesquisa Interações Inseto-Microorganismo, do professor Simon Elliot. Aline fez contato com o professor Simon que a incentivou a participar do processo seletivo e se dispôs a ser seu orientador caso passasse na seleção.

Apesar de não ter sido aprovada naquela ocasião, Aline pôde contar com o auxílio do professor Simon, que não apenas a apoiou a vir para Viçosa como estudante não vinculada, como a acolheu em seu laboratório juntamente com os seus orientandos.

Aline afirma que a vivência no Laboratório de Interações Inseto-Microorganismo foi determinante para que ela viesse a ser aprovada no mestrado um semestre depois. A leitura e discussão de artigos científicos passaram a fazer parte da rotina de Aline. Além de facilitar a compreensão e análise de dados, o constante contato com textos em inglês, aperfeiçoou o seu idioma.

Para possíveis candidatos, Aline alerta que é preciso saber o que realmente deseja e estabelecer contato com o professor da área de interesse. E conclui: “o processo seletivo exige preparação e um olhar mais abrangente sobre diferentes temas. Quem não se prepara não passa”.

Vale lembrar que além do processo seletivo, existem outras formas de ingressar no programa de pós-graduação em Entomologia. Contudo, todos os estudantes devem ter apoio financeiro, que em geral é uma bolsa de estudos. Estudantes com apoio financeiro externo ao programa não precisam passar pelo processo de seleção. No entanto, seu pedido deve ser aprovado por um dos docentes do programa, que deverá ser seu futuro orientador.

Iniciação científica propicia desenvolvimento aos estudantes

Participar de iniciação científica é uma experiência que pode fazer toda diferença na vida de um estudante. Embora quando se chegue à Universidade isso possa parecer distante para muitos calouros, a experiência de estudantes que passaram por esta situação mostra que basta ter disposição para buscar oportunidades.

O mestrando Paulo Antônio Santana Júnior, por exemplo, buscou um estágio no final do quarto período do curso de Agronomia, no ano de 2008, quando integrou a equipe do professor Marcelo Coutinho Picanço, no Laboratório de Manejo Integrado de Pragas (MIP) do Departamento de Entomologia da UFV.

Paulo começou com estágio voluntário e depois passou a bolsista de iniciação científica pelo CNPq.  Ele acredita que essa experiência foi fundamental para a sua formação. Além de melhorar o currículo, a iniciação científica ajuda a desenvolver habilidades como: capacidade de comunicação, melhorando o desempenho ao falar em público e na elaboração de pôsteres e relatórios técnicos; planejamento e montagem de experimentos de campo; coleta e análise de dados; trabalho em equipe e liderança – afirma o mestrando.

Paulo considera que a iniciação também melhora a autoestima, pois o estudante desenvolve senso crítico e fica mais exigente e rigoroso com os seus trabalhos. Acrescentando-se o contato direto com outros estudantes, tanto da graduação como da pós-graduação, enriquecendo ainda mais a vivência. Ele acredita que passar pela graduação sem ter uma experiência na iniciação científica faz muita falta, pois “as disciplinas da graduação são muito gerais e na iniciação o estudante tem a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos”.

Paulo chegou recentemente de um intercâmbio nos Estados Unidos e acaba de ser aprovado para o Mestrado em Entomologia. E ele só tem elogios a fazer com relação à sua experiência no Laboratório de Manejo Integrado de Pragas. Para ele, tudo que vem conquistando é decorrente disso.

O único arrependimento de Paulo é não ter procurado um estágio logo no primeiro semestre da graduação. Ele conta que quando calouro procurou se dedicar às disciplinas mais difíceis para só depois de vencê-las buscar um estágio. Hoje, ele mudou sua visão e acredita ser fundamental um estudante procurar estágio o quanto antes, para se orientar.

Paulo afirma que conciliar disciplinas com atividades de estágio não atrapalha o desempenho dos estudantes. Pelo contrário. De acordo com a sua experiência, o desempenho até melhora, já que o estudante passa a ser mais cobrado e, consequentemente, passa a ser mais disciplinado. “O estágio dá foco, melhora a capacidade de organização”.

Mesmo que o estudante não se identifique com a área que começou a trabalhar na iniciação científica, ele acredita que a experiência é válida para orientar escolhas futuras. Por isso Paulo aconselha aos recém-chegados na Universidade que procurem um professor para se informar sobre as oportunidades existentes. Certamente, eles não vão se arrepender.

Apresentação de trabalhos científicos exige preparo dos estudantes

A UFV se prepara para realizar o IV Simpósio de Entomologia, que acontecerá de 12 a 16 de agosto. O evento é uma oportunidade para conhecer os trabalhos que estão sendo desenvolvidos na área de Entomologia, tanto da própria instituição como de outros centros de pesquisa.

A estudante do 5º período do curso de Agronomia da UFV, Izailda Barbosa dos Santos, ou apenas Iza, como é conhecida, vai apresentar o trabalho intitulado Uso de Inseticidas Botânicos no Controle de Ascia Monuste Orseisque, que desenvolve no Laboratório de Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Para ela, a participação em eventos como o Simpósio de Entomologia é uma experiência muito rica antes, durante e mesmo depois. Iza fala sobre a preparação existente e sobre a preocupação para que tudo transcorra da melhor forma possível, pois o resumo que será apresentado é fruto de muito trabalho.

Consciente da responsabilidade, Iza, que começou na iniciação científica desde o primeiro período da graduação, acredita que tem uma boa base para apresentar trabalhos em eventos científicos. Ela conta que no Laboratório de Manejo Integrado de Pragas, sob a orientação do professor Marcelo Coutinho Picanço, os estudantes passam continuamente por treinamentos que ajudam na sua preparação. São oferecidos gratuitamente cursos de redação científica, estatística e comunicação.

Os estudantes também participam de reuniões semanais para discussão de artigos e de trabalhos desenvolvidos no laboratório. Resumos de trabalhos que serão apresentados em eventos são submetidos a uma banca examinadora constituída pelos estudantes da graduação e da pós-graduação.

Iza afirma que a submissão dos trabalhos a essa banca interna contribui muito para o seu aperfeiçoamento. Essa banca avalia tanto o desempenho durante a fala, como faz perguntas, críticas e elogios sobre o trabalho, e um membro fica responsável por fazer uma avaliação geral, indicando seus pontos fortes e fracos. Iza acredita que essa avaliação prévia ajuda a melhorar tanto a apresentação oral como o painel, dando mais segurança para a apresentação oficial.

Iza ainda não sabe se durante o IV Simpósio de Entomologia fará apresentação oral. A lista dos trabalhos selecionados ainda não foi divulgada. Apenas o painel está confirmado. Mas pelo sim ou pelo não, Iza está devidamente preparada não apenas para apresentar o seu trabalho ao público, mas também para submetê-lo à avaliação e ouvir críticas e elogios, colaborando ainda mais para o seu crescimento acadêmico e científico.

Dieta distinta entre cupins construtores e inquilinos assegura coabitação harmônica

Uma pesquisa conduzida pelo professor Og DeSouza, do Departamento de Entomologia da UFV, e seus colaboradores de diversas instituições, demonstrou como é possível a coabitação de espécies de cupins construtoras e inquilinas num mesmo cupinzeiro sem a ocorrência de conflitos.

Em artigo publicado no mês de junho na PlosOne, os pesquisadores mostram quantitativamente uma possível estratégia utilizada pelos inquilinos para assegurar a coexistência harmônica com seus hospedeiros: o uso de dietas distintas entre as espécies envolvidas.

Como os cupins são insetos detritívoros, se alimentam de organismos mortos ou em decomposição, para inferir a fonte de alimentação de inquilinos e construtores, os pesquisadores avaliaram as proporções de isótopos de carbono (13C) e nitrogênio (15N) nos indivíduos coletados.

A concentração de isótopos no corpo de um animal reflete a comida que ele consumiu durante o seu tempo de vida. Por exemplo, valores mais elevados de 15N indicam uma dieta voltada para a matéria orgânica mais humificada, enquanto valores mais baixos apontam para uma dieta menos decomposta.

O estudo foi realizado em cupinzeiros localizados próximo da cidade de Sete Lagoas, estado de Minas Gerais, no sudeste do Brasil. Uma região de cerrado, caracterizada pelo clima equatorial, com inverno seco.

A pesquisa constatou que pelo menos para o ecossistema em questão, não existia potencial para conflito entre as espécies devido à segregação de dietas. Cupins hospedeiros e inquilinos se alimentam de fontes diferentes, conseguindo, assim, viver em harmonia dentro de um mesmo cupinzeiro.

De acordo com o pesquisador Og DeSouza, o estudo teve o objetivo de inferir a dieta e não determinar a fonte de alimentação das espécies. Mas ele acredita que, provavelmente, por explorarem uma dieta mais decomposta que aquela dos cupins construtores, os inquilinos se alimentam de algum subproduto dos seus hospedeiros.

Os resultados da pesquisa revelam que a distinção entre as dietas das espécies resultam de características previamente fixadas no passado evolutivo dos coabitantes. Portanto, uma vez que os inquilinos não exploram dietas utilizadas pelos hospedeiros, eles evitam conflitos relacionados ao uso de recursos alimentares, assegurando a estabilidade da convivência ao longo do tempo.

Para ler o artigo na íntegra acesse aqui.