UFV promove Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação na próxima terça-feira
Na próxima terça-feira, dia 15, a UFV vai promover o Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação. O evento, aberto à comunidade universitária, discutirá os rumos, desafios e possíveis soluções para a área.
O Seminário será realizado no auditório da Biblioteca Central, das 8 às 12h e das 14 às 18h. Pela manhã, serão debatidas questões relacionadas à pesquisa. À tarde, o debate será sobre pós-graduação. Veja a programação do evento.
Semana do Fazendeiro estimula a troca de experiências
A UFV realizou, de 14 a 20 de setembro, a Semana do Fazendeiro. O evento de extensão universitária é pioneiro no Brasil, sendo realizado há 84 anos. Além de oferecer oportunidades de melhoria na produção e no bem-estar do produtor e de seus familiares, a Semana do Fazendeiro também oferece oportunidade para o desenvolvimento de docentes e estudantes, estimulando a troca de experiências, técnicas e metodologias.
Conscientes da importância da integração entre a universidade e a sociedade, diversos professores propõem cursos que enriquecem a programação da Semana do Fazendeiro. O professor Marcelo Coutinho Picanço é um deles. Há vários anos, Picanço vem repetindo esta experiência de sucesso. Na última edição, ele coordenou seis cursos na área de Controle de Pragas, alcançando ao todo cerca de 300 participantes.
Todos os cursos compreenderam aulas teóricas e práticas. A coordenação ficou a cargo do professor Picanço e a realização dos cursos ficou sob a responsabilidade dos estudantes que são orientados por ele. A parte teórica foi ministrada por estudantes de pós-graduação e a parte prática foi desenvolvida pelos estudantes de graduação.
A mestranda Mayara Cristina Lopes ministrou a parte teórica do curso Controle Alternativo de Pragas, coordenado por Picanço. O objetivo do curso foi ensinar os participantes a identificar pragas agrícolas e urbanas, e ensinar como controlar essas pragas utilizando produtos alternativos naturais. Além de Mayara, da pós-graduação, a realização do curso de Controle Alternativo de Pragas envolveu cinco estudantes de graduação, responsáveis pela parte prática.
Noutros anos, Mayara já havia ministrado cursos durante a Semana do Fazendeiro, mas este ano foi uma experiência diferente. Foi a primeira vez que ministrou a parte teórica, exigindo muita dedicação e preparo da parte dela. Mas o empenho valeu a pena. Mayara afirma ser uma experiência extensionista muito rica, que envolve um público diferente do qual os alunos estão acostumados. A maioria dos participantes são produtores rurais.
Durante dois dias, Mayara teve contato direto com mais de 50 participantes, vindos de diversos estados do Brasil. Mayara destaca que teve a oportunidade de conhecer a realidade dos produtores, que trouxeram a sua experiência para o curso. Sem contar a oportunidade que ela, enquanto estudante, teve para treinar a sua didática.
Além disso, Mayara afirma ser gratificante porque durante os cursos são passados conhecimentos que têm aplicação prática para o produtor. São técnicas simples, que eles podem empregar no seu dia a dia, como a utilização de caldas alternativas, inseticidas botânicos e a conservação de inimigos naturais para controlar as pragas.
Perfil: Mayra Vélez Ruiz
A equatoriana Mayra Vélez Ruiz, 26 anos, é estudante do mestrado em Entomologia, sob a orientação do professor Paulo Sérgio Fiuza Ferreira. Ela ingressou na pós-graduação através do convênio entre a Capes, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Grupo Coimbra.
No Brasil desde fevereiro de 2012, Mayra afirma que sempre desejou fazer pós-graduação, mas que o seu país não oferecia oportunidades. Quando buscou o intercâmbio, tinha três opções de universidades e a vaga poderia sair para qualquer uma delas. Mas Mayra revela que a sua torcida deu certo e ela veio para a UFV. Mayra afirma que a sua preferência pela instituição se deve ao grande reconhecimento que a UFV tem no Equador.
A adaptação de Mayra ao Brasil não foi nada fácil, sobretudo, com relação ao idioma e à culinária. Embora brasileiros tendam a compreender bem pessoas de língua espanhola, o inverso não procede. Pessoas que falam o espanhol não entendem falantes de língua portuguesa com a mesma clareza. E Mayra vivenciou isso intensamente no seu primeiro ano no Brasil.
No início, o excesso de gírias e as palavras iguais, mas com significados diferentes, dificultavam a comunicação com os anfitriões brasileiros. Assim, Mayra buscou apoio junto a outros estrangeiros de língua espanhola. Ela conta que as dificuldades iniciais a uniram a outros latinos que também chegaram ao Brasil na mesma época, principalmente, estudantes da Costa Rica, México e Colômbia, que acabaram se tornando amigos.
Para superar o idioma, Mayra frequentou um curso de português para estrangeiros, oferecido pelo Departamento de Letras da UFV. Além de ensinar a língua, o curso aborda aspectos culturais brasileiros. Mayra acredita que teve muita sorte, pois se deparou com pessoas muito boas no caminho. Nas disciplinas da pós-graduação sempre pôde contar com a compreensão e auxílio de estudantes e professores brasileiros.
Ela conta que o período mais difícil foi quando permaneceu no estado do Espírito Santo por um mês para realizar uma pesquisa, por meio de uma cooperação técnico-científica entre a UFV e o Instituto Capixaba de Pesquisa (Incaper). Essa foi a primeira vez que Mayra conviveu apenas com brasileiros. Ela afirma que o difícil não foi ficar esse período sem falar espanhol, mas foi acompanhar a fala rápida das pessoas e a compreensão de termos técnicos. Mayra desconhecia termos como “beira do rio” e “estiagem”, por exemplo. Apesar das dificuldades, ela considera que “essa experiência foi muito boa”.
Outro desafio que Mayra lida com ele dia a dia, diz respeito à culinária brasileira. No início da sua estadia no país, chegou a perder peso. “O jeito de cozinhar é muito diferente. No Equador, somos acostumados a ter muitos caldos nas refeições. Muitas frutas, legumes e vegetais fresquinhos.” – descreve. Se por um lado o idioma foi superado, Mayra acredita que a culinária nunca será. A não ser que no cardápio diário tenha feijão tropeiro ou feijoada, os dois pratos brasileiros mais apreciados por ela.
Sem contar a visão que ela tinha sobre o Brasil: “praia, calor e carnaval”. Quando Mayra chegou a Viçosa e se deparou com temperaturas de até 10ºC admirou: “Impossível, estou no Brasil!” – conta sorrindo, hoje já acostumada com a diversidade do país em diversos aspectos.
Mayra é graduada em Engenharia Agropecuária pela Escuela Politécnica del Ejército (Espe), no Equador. Ela conta que no país não tem muitas oportunidades para pós-graduação e que recentemente o governo equatoriano têm investido em programas que estimulem a qualificação de mão de obra. Mesmo assim, a maioria dos estudantes que buscam esses programas são homens – afirma Mayra. Por isso, para ela estar hoje no Brasil prestes a concluir o mestrado em Entomologia não é só uma realização pessoal e profissional, é também uma quebra de barreiras culturais.
Como a pesquisa científica no Equador não tem muita tradição, Mayra afirma que não era acostumada com as publicações. “Agora que comecei a entrar no mundo das publicações, dos artigos, vou continuar.” – ela assegura, revelando seus planos de permanecer no Brasil por mais algum tempo para fazer o doutorado. Mayra acredita que se retornar ao Equador com o mestrado concluído encontrará portas abertas numa das universidades do país. Mas o desejo dela vai além: “espero trabalhar na melhor”, por isso a opção por dar continuidade aos estudos. Ainda mais, agora, já adaptada ao Brasil.
Mayra avalia que mais pessoas deveriam ter uma oportunidade como esta que ela está tendo, porque o resultado dessa experiência enriquecedora é o aprendizado: “Aprende a se conhecer, perder a timidez, lidar com dinheiro, quebrar tabus, assumir dificuldades. O intercâmbio cultural vai acontecer de qualquer forma”. E quanto aos desafios ela adverte: “com um pouco de consciência e boa vontade eles são superados”.
Perfil: Eugênio Eduardo de Oliveira
O professor Eugênio Eduardo de Oliveira é um dos mais novos orientadores do programa de Pós-Graduação em Entomologia. Ele passou a integrar o corpo docente da UFV em março de 2012, quando voltou ao Brasil após viver sete anos no exterior, fazendo doutorado e pós-doutorado, respectivamente na Alemanha e nos Estados Unidos. Mas até retornar à Viçosa, onde fez graduação e mestrado, o professor Eugênio percorreu um longo e gratificante caminho.
Natural do interior do Rio Grande do Norte, do município de Jardim do Seridó, o professor Eugênio saiu de casa aos 15 anos para estudar no Colégio Agrícola de Jundiaí, localizado em Macaíba, na Região Metropolitana de Natal. Ele conta que esse fato por si só foi um marco, pois descobriu que “existia vida além da Serra da Rajada”. E nessa época ele sequer imaginava o mundo que viria a descobrir.
Da Grande Natal ele veio para Viçosa, em 1998, quando ingressou na UFV como estudante de graduação no curso de Agronomia. Na sequência, ainda na mesma instituição, passou para o mestrado em Entomologia. Mas ele desejava descobrir novos lugares. Fazer um intercâmbio internacional passou a ser uma meta. Embora não muito distante, naquela época não existia as várias possibilidades que existem atualmente para se estudar no exterior. Mas isso não o impediu de seguir firme no seu propósito.
Em 2005, ele foi para a Alemanha cursar o doutorado pleno em Neurofisiologia, na Universität zu Köln (Universidade de Colônia), através de uma bolsa de estudos oferecida pelos governos alemão e brasileiro. O professor Eugênio conta que nessa época, “apanhou igual gente grande”. Ele não sabia falar absolutamente nada em alemão e o seu inglês era “macarrônico”, como define. Para superar esse desafio, ele passou os seis primeiros meses exclusivamente aprendendo alemão.
Passadas as dificuldades da fase inicial, além da grandiosa experiência profissional, pessoalmente o professor Eugênio também viveu momentos gratificantes. Ele conta que se encantou pela cidade onde viveu. “Köln é uma cidade dos sonhos. De médio porte, mas com tudo de bom que uma cidade grande do Brasil oferece. Isso, sem oferecer problemas”. Ele fez muitos amigos. Viajou por vários destinos, tanto dentro da própria Alemanha, como por outros países da Europa.
Emocionado, o professor Eugênio conta que teve a oportunidade de “conhecer coisas que só existiam no livro de história” e revela uma experiência incrível que viveu: andar sobre o gelo. Para ele que saiu do sertão nordestino, esta experiência foi um contraste nunca antes vivido e que jamais será esquecido.
Concluído o doutorado, em 2010, o professor Eugênio foi para os Estados Unidos realizar o pós-doutorado na Michigan State University. Nesse país, ele viveu por quase dois anos e teve a oportunidade de auxiliar no gerenciamento de um laboratório de Neurobiologia.
Mas o seu desejo de retornar ao seu país de origem falou mais alto e no início de 2012 desembarcou no Brasil para tomar posse no cargo de Professor Adjunto do Departamento de Entomologia da UFV.
O professor Eugênio é consciente de que só conseguiu passar por todas as experiências que viveu, porque pôde contar desde o início com pessoas boas, que o colocaram para frente. Pessoas como a senhora Raquel Medeiros, a “Dona Quequé”, que lá atrás incentivou sua mãe a matriculá-lo no Colégio Agrícola de Jundiaí. Como destaca: “se eu não tivesse comprado a ideia dela, possivelmente, eu não teria vivenciado nem 5% do que já vivenciei”.
Assim, o professor Eugênio busca replicar a sua experiência para os alunos, estimulando-os a aproveitar as oportunidades do momento atual que favorecem os intercâmbios. Professor dedicado, ele afirma que cobra dos seus alunos para que sejam melhores do que ele. E exige comprometimento dos mesmos.
Atualmente empenhado na montagem do Laboratório de Fisiologia e Neurobiologia de Invertebrados, o professor Eugênio espera contribuir para o programa de Pós-Graduação em Entomologia da UFV em áreas ainda inexploradas, como: fisiologia de receptores e canais iônicos de tecidos excitáveis em insetos e desenvolvimento de biomoléculas; e ativação e/ou regulação neural de comportamentos.
Para aqueles que também almejam uma boa formação acadêmica, fica o incentivo do professor Eugênio: “os desafios são muitos, mas a motivação deve ser maior. Não queira ser só mais um na multidão”.
Programa de Pós-Graduação em Entomologia