Pesquisador da Universidade de Western Ontario visita a Entomologia

O especialista em comportamento e ecologia química de insetos, Jeremy McNeil, da University of Western Ontario, visitou a Entomologia no mês de agosto, quando ministrou um curso de Semioquímicos e iniciou as atividades do projeto “Are refuge areas effective as a Bt resistance management strategy when using transgenic plants? Pheromone ecology of Spodoptera frugiperda in Brazil”, coordenado pelo professor Eraldo Lima e com participação do professor Eliseu José Guedes Pereira.

Durante três anos, o pesquisador da universidade canadense desenvolverá pesquisas em parceria com os professores da Entomologia, com o objetivo de verificar a compatibilidade reprodutiva da lagarta-do-cartucho do milho (Spodoptera frugiperda) oriunda de cultivo convencional e transgênico (cultivo Bt – Bacillus thuringiensis).

O professor Eraldo explica que “no Brasil, grande área de milho cultivada é de milho Bt, que provoca resistência nos insetos sobreviventes, no caso específico, na lagarta-do-cartucho. E adotam-se áreas contíguas de milho transgênico e milho não transgênico, para que seja fonte de insetos susceptíveis. Assim, queremos saber se os insetos das duas áreas mantêm o mesmo nível de comunicação química para reprodução. Além disso, sabemos da existência de duas raças de S. frugiperda no Brasil e queremos investigar a comunicação entre elas com o fator resistência e susceptibilidade envolvidos no sistema”.

As estudantes Fernanda Freitas e Nataly de la Pava também participam do projeto. Sob a orientação do professor Eliseu, Fernanda está pesquisando o comportamento de emissão do feromônio sexual em populações de S. frugiperda resistentes e susceptíveis. Já Nataly, orientada do professor Eraldo, está estudando a resposta dos machos ao feromônio sexual das populações resistentes e susceptíveis de S. frugiperda em túnel de vento. De acordo com o professor Eraldo, em 2015, um pós-doc irá para o Canadá desenvolver parte dos trabalhos do projeto no laboratório coordenado pelo professor McNeil, na Universidade de Western Ontario.

Antes do projeto atual,  Jeremy já havia desenvolvido vários trabalhos com o professor Eraldo. O professor da Entomologia conta que “a pareceria nasceu pelo interesse mútuo em estudar ecologia comportamental associada à comunicação por feromônios em insetos”. Atualmente, o professor Jeremy McNeil é Pesquisador Visitante Especial, do programa Ciência sem Fronteiras.

Jeremy McNeil e Eraldo Lima

Além do pesquisador da University of Western Ontario, a Entomologia contará com a colaboração de mais quatro pesquisadores visitantes especiais, em projetos com outros professores do Programa de Pós-Graduação. Os visitantes virão da University of British Columbia, da Dalhousie University, da Kansas State University e da University of Southampton. Saiba mais

Perfil: José Eduardo Serrão

Com mais de 300 trabalhos publicados ao longo dos 17 anos de carreira, o professor do Departamento de Biologia Geral, José Eduardo Serrão, recebeu da UFV a Medalha de Ouro Peter H. Rolfs do Mérito em Pesquisa. O pesquisador garante que o reconhecimento é fruto de um trabalho coletivo: “Sozinho eu não conseguiria fazer tudo isso. O esforço existe, mas há uma rede de colaboradores por trás. Pesquisadores da UFV e de outras instituições nacionais e internacionais, estudantes de iniciação científica e pós-graduação contribuem muito”.

Entre os programas de pós-graduação em  Entomologia e Biologia Celular e Estrutural da UFV, o professor Serrão já contribuiu para a formação de 16 doutores, 21 mestres, oito pós-docs. e 32 estudantes de iniciação científica. Para ele, sem dúvida alguma, os seus orientandos são a principal razão para todo o esforço empreendido. “Quando orienta, você costuma ter muita cobrança, você tem que ser a fonte de inspiração e de relacionamento. Os alunos são o fim. Na verdade, o mais gratificante é formar recursos humanos” – afirma.

Formado em Ciências Biológicas, com mestrado e doutorado em Zoologia, o professor Serrão ingressou na UFV como docente em 1997. Um ano depois ele já era orientador no Programa de Pós-Graduação em Entomologia. Ele conta que por ser bastante ampla, a formação em Zoologia lhe permitiu trabalhar com a morfologia de insetos em geral, associada à taxonomia, sistemática, evolução, comportamento e fisiologia. “Desde o início, comecei a colaborar com muitos orientadores, por isso que a produção científica cresceu bastante” – conta sorrindo.

Com uma média de 20 artigos publicados por ano, o professor Serrão revela que nunca teve uma meta de publicações e que a sua produção científica foi crescendo naturalmente. “Na verdade, um artigo científico publicado é um indicador do que foi produzido com tudo aquilo que foi investido na sua pesquisa. É uma forma de divulgação. Se você não publicar ninguém vai saber. Então, qual seria  a sua contribuição para a ciência?” – indaga.

Entre os trabalhos, nem venha lhe perguntar qual é o mais importante, porque ele já adianta: “Não tem trabalho mais importante, todos são. E começa a ser importante quando começa a ser lido e citado”. O professor Serrão encara a necessidade de publicar como algo bem simples e conta que antes mesmo de ter a exigência por parte das agências financiadoras, publicar já era um exercício por ele praticado: “Tive muita influência da minha orientadora durante o doutorado, na USP. Naquela época, em 1995, os pesquisadores brasileiros não tinham essa necessidade de publicação que se tem hoje. Eles não tinham o hábito de publicar. Você tinha pesquisadores muito bons e a produção era relativamente baixa. Mas a minha orientadora já era muito produtiva. Então, isso acabou passando para a gente, ela sempre incentivou os orientados a publicarem”.

O pesquisador defende que pesquisa e ensino estão diretamente associados: “Para mim, publicar faz parte do ensino. Quando eu converso com os meus orientados, de certa forma estou ensinando, tentando estimulá-los a buscar  conhecimento. É uma forma de me manter atualizado também para atuar em sala de aula. E hoje, com a internet e a velocidade da informação, isso é uma coisa brutal, fica até difícil às vezes, acompanhar o avanço do conhecimento”.

Com vários anos ainda pela frente para continuar se dedicando à pesquisa e ao ensino, o professor Serrão conta que achou “estranho” ser homenageado pela UFV em pleno auge da sua carreira. Ele não imaginava receber uma homenagem por agora, talvez quando fosse se aposentar. Mas o recebimento da medalha do mérito em pesquisa foi encarado como um incentivo: “É gostoso, um estímulo para continuar no caminho certo” – resume.

Equipe Laboratório de Morfologia Interna de Insetos

Segunda-feira pela manhã tem defesa de tese

Na segunda-feira, dia 08/09, às 8h30min, na sala de reunião da Entomologia, o doutorando Oscar Fernando Santos Amaya defenderá a tese “Caracterização de Resistência a Cry1F em Populações Brasileiras de Spodoptera frugiperda”. Participe!

 

Pesquisa sobre fungo que manipula comportamento de formigas repercute na mídia internacional

Um fungo que transforma formigas em zumbis as induz a morrerem perto do ninho, garantindo assim, novos hospedeiros. Essa foi uma das principais descobertas de uma pesquisa iniciada na UFV, pela então estudante do mestrado em Entomologia, Raquel Gontijo Loreto. O estudo publicado na PLoS One, no dia 18 de agosto, atraiu a atenção de veículos de comunicação como The New York Times e The Washington Post. O assunto também teve grande repercussão nas redes sociais. Apenas via IFLSCience, site de popularização da ciência,  a publicação atingiu mais de 29 mil compartilhamentos.

Os dados da pesquisa foram coletados na Mata do Paraíso, na cidade de Viçosa (Minas Gerais). Durante vinte meses, a atual doutoranda em Entomologia na Penn State University, Raquel Loreto, juntamente com as estudantes de Ciências Biológicas da UFV, Mayara Freitas e Thairine Pereira, monitoraram quatro ninhos de formiga da espécie Camponotus rufipes, hospedeira do fungo parasita Ophiocordyceps camponoti-rufipedis. Essa foi a primeira vez que a imunidade social em colônias de formiga foi investigada em campo. Estudos anteriores haviam investigado a relação parasita-hospedeiro apenas em laboratório.

A imunidade social é um mecanismo de defesa utilizado por insetos como abelhas, cupins e formigas. Eles desenvolvem ações coletivas para prevenir e controlar a propagação de doenças. Diante disso, o parasita precisa encontrar estratégias para driblar essa imunidade. O fungo O. camponoti-rufipedis manipula as formigas que ele infecta para morrer perto de suas colônias, onde outras formigas têm que passar para sair à procura de comida. Isso garante ao parasita sucesso reprodutivo e um fluxo constante de novos hospedeiros. Com a transmissão ocorrendo fora do ninho, o parasita evita diferentes níveis de respostas imune-sociais. A pesquisa demonstrou que o sistema de defesa é muito eficiente quando as formigas estão dentro do ninho, o mesmo não acontece fora dele.

Raquel explica que após ser infectada, a formiga vai morrendo aos poucos, leva de duas a três semanas até morrer. Nesse período, o fungo se disfarça de formiga e fica nas imediações da colônia. A doutoranda destaca que “na região neotropical, as formigas têm um peso muito grande no ecossistema, são 2% das espécies de insetos e correspondem a 50% de toda a biomassa.  O interessante é que mesmo as formigas tendo uma organização social muito complexa, o fungo que é um micróbio, uma forma de vida bem simples, infecta a formiga e é capaz de controlar o que ela faz. A formiga doente não segue a trilha normalmente. O fungo faz com que ela suba numa planta, morda e fique por ali, perto da colônia”. Após a morte do hospedeiro, emerge uma haste a partir do seu corpo para dispersão dos esporos que vão infectar outras formigas, dando continuidade ao ciclo reprodutivo do fungo. O parasita representa uma infecção crônica nas sociedades de formigas.

Formigas zumbis

O termo formigas zumbis desperta o interesse das pessoas, inclusive fora do meio científico. Muitos tendem a questionar se a manipulação que o fungo provoca na formiga, também não poderia ser provocada em humanos – comenta Raquel. Mas o fungo O. camponoti-rufipedis ataca apenas formigas da espécie Camponotus rufipes. A pesquisadora explica que “as formigas são chamadas de zumbis porque ainda não morreram, mas já não desempenham o papel que deveriam. Elas já não ajudam na reprodução da colônia, estão evolutivamente mortas”.

As pesquisas sobre formigas zumbis foram iniciadas por Raquel na UFV, durante o mestrado em Entomologia, sob a orientação do professor Simon Luke Elliot. Em 2011, Raquel foi para os Estados Unidos, onde está fazendo doutorado pleno na Universidade da Pensilvânia, sob a orientação do pesquisador David P. Hughes.

O artigo “Long-Term Disease Dynamics for a Specialized Parasite of Ant Societies: A Field Study” é o segundo trabalho de Raquel publicado sobre o tema. O primeiro artigo da autora foi publicado no ano passado, com o título “Foraging ants trade off further for faster: use of natural bridges and trunk trail permanency in carpenter ants”.

Veja a UFV sob novo ângulo

A UFV completou 88 anos no dia 28 de agosto e preparou um vídeo comemorativo: “UFV sob novo ângulo”! E claro, a Entomologia que há 30 anos contribui para esta história de sucesso, não poderia ficar de fora! Veja