Perfil: Clébson dos Santos Tavares

Clébson exibe o certificado recebido pelo seu excelente desempenho no curso de Agronomia.

Ser o primeiro de oito irmãos, filhos de pais analfabetos, a concluir um curso superior é motivo de orgulho para qualquer um. Se formar em uma das melhores universidades do país na área de Ciências Agrárias, também. Ainda mais, ser reconhecido como o melhor estudante entre os formandos do curso de Agronomia e ser homenageado pelo seu excelente desempenho acadêmico. E para completar, concluir a graduação já aprovado em primeiro lugar para dois mestrados, ambos em programas de pós-graduação com elevado conceito na Capes. Essa é só uma parte da história protagonizada pelo alagoano Clébson dos Santos Tavares, um dos mais novos mestrandos em Entomologia da UFV. Ele ainda nem começou o mestrado, mas já tem todos os dados da sua dissertação coletados.

Agrônomo recém-formado pela UFV, Clébson decidiu por cursar Agronomia basicamente pelo seu estreito contato com a agricultura desde a infância. “Os meus pais são agricultores e, quando criança, eu os ajudava na condução das atividades no pequeno terreno da família. Diferentemente de outros que gostariam de se livrar da agricultura, eu a vi como uma atividade rentável e de importância basilar para a humanidade. Por isso, ingressei no curso de Técnico Agrícola integrado ao ensino médio, no Instituto Federal de Alagoas (IFAL), onde conheci professores que são ex-alunos da UFV. Não tenho dúvidas que ingressar no IFAL foi até então umas das principais escolhas que fiz. Falo isso porque a partir dessa escolha cheguei à Universidade Federal de Viçosa”.

Natural da cidade de Traipu, no estado de Alagoas, Clébson mudou-se para Viçosa em 2011, para estudar na UFV, abrindo mão de uma vaga na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), onde também havia passado. Quando soube da sua aprovação na UFV, para Clébson, Viçosa lhe pareceu ainda mais distante do que de fato já é da sua cidade. E não foi apenas pela distância geográfica entre os estados, mas pelas dificuldades financeiras que o impediam de mudar-se para o interior de Minas. “Ao receber a notícia de que havia passado na UFV procurei por lugares para ficar, e, na maioria deles (hotéis), as diárias eram superiores à renda da minha família durante um mês. No primeiro momento, parecia que eu não conseguiria, tanto é que me matriculei no curso de Agronomia na UFAL” – conta.

Mas “quem tem amigos nunca está sozinho”, e foram os amigos do IFAL que o ajudaram a realizar o sonho de estudar na UFV. No IFAL, campus Satuba, Clébson não fez apenas o  Técnico Agrícola integrado ao ensino médio. Lá, ele também fez bons amigos, dentre eles, especialmente, os professores Luciano de Holanda e Ângela Froehlich. “O professor Luciano me encorajou e juntos corremos atrás de um sonho, financeiramente impossível. Conseguimos uma pessoa para fazer a matrícula em Viçosa com a ajuda do professor Claudivan Costa de Lima, que foi o meu orientador de iniciação científica no IFAL. Confirmada a matrícula, restava-nos encontrar um lugar onde morar. Bom, conseguimos! A professora Ângela Froehlich fizera contato com uma amiga do mestrado e pediu para que ela me recebesse em Viçosa até que eu conseguisse alojamento. Prontamente, a Rosineia de Paula, seus pais e irmãos me receberam. E lá fiquei por aproximadamente 60 dias. A ‘Família de Paula’ foi essencial para a minha estadia e permanência na cidade. Eu os considero como a minha família de Viçosa. Passava os domingos, feriados e datas comemorativas na casa deles, e com muita brincadeira e respeito, construímos uma amizade verdadeira e, certamente, duradoura”.

Além da “Família de Paula”, Viçosa também lhe deu outras famílias. “Eu não poderia deixar de mencionar a ‘Família UFV’. A Universidade com seus programas de assistência estudantil evita que muitos alunos que vivem uma realidade financeira como a minha desistam de concluir um curso de graduação por falta de condições”. Clébson ganhou ainda a “Família Interação Inseto-Planta”, a qual ele passou a integrar logo no primeiro período, quando começou a estagiar no laboratório coordenado pelo professor Eliseu José Guedes Pereira. “Aqui, obtive recursos, conhecimento e fiz grandes amizades. A confiança do professor Eliseu no meu trabalho resultou em quatro bolsas de iniciação e participação em diversos trabalhos científicos. Aqui, aprendi os primeiros passos da experimentação, que para mim é simplesmente fascinante”. Além da importância do professor Eliseu e dos demais integrantes do Laboratório de Interação Inseto-Planta, Clébson destaca a participação do doutor Oscar Fernando Santos Amaya: “Também aprendi muito com o Oscar. A parceria consolidada com ele durante a minha graduação resultou em importantes publicações e muito aprendizado”. E também rendeu a Clébson, em 2014, o Prêmio Arthur Bernardes – Mérito em Pesquisa, por um trabalho de iniciação científica apresentado no Simpósio de Integração Acadêmica (SIA).

 Formatura na “Família Tavares”

Na última formatura da UFV, na cerimônia realizada no dia 29 de janeiro, 400 formandos dos centros de ciências Agrárias (CCA) e Exatas e Tecnológicas (CCE) colaram grau. Clébson era um deles. “De fato, a formatura é um momento único na vida de cada formando. Para mim, foi mais significativo ainda porque estive com a minha família e eles tiveram a oportunidade de ver o primeiro filho e irmão a se formar em uma universidade federal. Agradeço pela oportunidade que faltou à maioria dos meus irmãos. A grande mensagem que espero ter transmitido, e por isso o motivo da minha alegria e entusiasmo, é que tudo é possível, todos podem! E farei o possível para que esta seja apenas a primeira das muitas formaturas na Família Tavares”- assegura.

Dentre os 400 formandos, 23 se destacaram porque obtiveram conceito igual ou maior a 85, e foram homenageados. Clébson também foi um deles, o melhor aluno do curso de Agronomia. Ele acredita que premiar os melhores é sem dúvida um grande incentivo à busca pela excelência: “durante estes cinco anos de graduação, eu sempre busquei dar o meu melhor. Eu me senti na obrigação de retribuir todo o esforço e a confiança que a minha família e amigos haviam depositado em mim. A homenagem foi o resultado de muito esforço e responsabilidade. Apesar de importante e necessária, poder-se-ia inserir outros parâmetros que não somente o coeficiente de rendimento acumulado. Não tenho dúvidas que, dentre os meus colegas não homenageados, há muitos merecedores de tal feito, se considerado outras variáveis. ‘A sensação ao receber o prêmio foi simplesmente digna do meu silêncio por não ter palavras para descrevê-la. Foi um prêmio recebido por um, mas em nome de muitos! Pois muitos foram aqueles que contribuíram para esta conquista’”.

Concluída a graduação, agora, Clébson dá os primeiros passos rumo ao mestrado. Aprovado em primeiro lugar nos processo seletivos dos programas de pós-graduação em Entomologia e em Genética e Melhoramento Vegetal, ambos na UFV, Clébson optou por permanecer na Entomologia. “Cheguei ao departamento ainda no primeiro período de Agronomia. Aprendi a gostar de entomologia. Aqui, as pessoas são boas no que fazem. Temos importantes profissionais internacionalmente reconhecidos. Não tenho dúvidas de que estou em boas mãos” – afirma.

Integrando o grupo do professor Eliseu há mais de quatro anos, Clébson vai dar continuidade durante o mestrado, ao estudo do manejo da resistência de S. frugiperda em plantas transgênicas. “Especificamente no meu trabalho de mestrado, queremos conhecer o comportamento larval de S. frugiperda nos diferentes tipos de refúgio existentes para o manejo da resistência (por exemplo: estruturado e mistura de sementes). Esta pesquisa tentará preencher algumas lacunas existentes neste assunto, o que seguramente contribuirá no desenho de estratégias apropriadas para retardar o surgimento de populações resistentes desta espécie” – explica. Sobre o que virá depois do mestrado, Clébson é certeiro: “pretendo seguir no doutorado e, por fim, ser professor de uma universidade ou instituto federal”.

Histórias como a de Clébson, marcadas pelo empenho e superação, nos levam a pensar se existiria ou não uma fórmula para o sucesso. Sempre aplicado, ele é objetivo ao se definir como “um cara centrado, tentando ser o máximo possível profissional”. E completa: “A minha profissão até então é estudante e, portanto, devo desempenhá-la com maestria. Apesar das conquistas, tenho limitações, muito ainda preciso melhorar. De maneira geral, tento conhecer a mim mesmo, não me exalto nem me julgo o pior, apenas busco a melhoria. Stephen Hawking, importante cientista da atualidade, diz que ‘o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento’. Esta frase resume bem o que eu acho de quase tudo da ciência e da vida, e justifica a necessidade de se manter humilde diante de qualquer vitória. Não sairemos do lugar se pensarmos que atingimos a excelência”.

Foto: Daniel Sotto Maior

Confira a relação de disciplinas confirmadas para este semestre

 Disciplinas confirmadas para o primeiro semestre de 2016:

Disciplinas 2016 1

Obs.: A disciplina ENT 774 – Simbiose será ministrada em inglês.

 

Acompanhe as próximas defesas de teses e dissertações

Autora: Karina Dias Amaral

Orientadora: Terezinha Della Lucia

Título da dissertação: Azadiractina: implicações na imunidade, na mortalidade e na oviposição das formigas-cortadeiras

Data: 16/02/2016 (terça-feira)

Horário: 14h

Local: Auditório do Bioagro

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Autora: Fernanda Freitas Sousa

Orientador: Eugenio Eduardo de Oliveira

Título da tese: Comportamento de chamamento e desenvolvimento ovariano em populações de Spodoptera frugiperda resistentes à tecnologia Bt de primeira e segunda geração

Data: 17/02/2016 (quarta-feira)

Horário: 8h30min

Local: Sala de reuniões da Entomologia

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Autora: Raissa Santana Serra

Orientador: José Eduardo Serrão

Título da dissertação: Aspectos morfométricos e comportamentais da oviposição de rainhas e operárias em duas espécies de Scaptotrigona (Hymenoptera, Aapidae, Meliponini)

Data: 22/02/2016 (segunda-feira)

Horário: 8h

Local: Sala 206 – Edifício Chotaro Shimoya

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Autora: Gladys Julieth Castiblanco Quiroga

Orientador: Og Francisco Fonseca de Souza

Título da dissertação: On the synergetic interactions between termite soldiers and workers

Data: 22/02/2016 (segunda-feira)

Horário: 8h

Local: Sala de reuniões da Entomologia

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Autora: Geisyane Franco da Luz Teixeira

Orientador: José Eduardo Serrão

Título da dissertação: Aspectos comportamentais da produção de células de cria em colônias de Plebeia (Plebeia) lucii (Moure, 2004) (Hymenoptera: Apidae: Meliponini) com especial referência ao processo de adição de célula auxiliar

Data: 22/02/2016 (segunda-feira)

Horário: 14h

Local: Sala 206 – Edifício Chotaro Shimoya

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Autora: Mauricélia Ferreira Almeida

Orientador: Eliseu Jose Guedes Pereira

Título da tese: Comportamento alimentar e desempenho demográfico de fitossuccívoros em plantas Bt ou submetidas a herbivoria por lagarta

Data: 23/02/2016 (terça-feira)

Horário: 8h30min

Local: Sala de reuniões da Entomologia

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Autor: Mauricio José Fornazier

Orientador: Jose Cola Zanuncio

Título da tese: Bioecologia, dano e controle de Planococcus citri (Risso) (Hemiptera: Pseudococcidae) em Coffea canephora Pierre ex Froehner (Froehner)

Data: 24/02/2016 (quarta-feira)

Horário: 14h

Local: Sala de reuniões da Entomologia

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Autora: Vanessa Soares Ribeiro

Orientador: Jose Henrique Schoereder

Título da dissertação: Fatores determinantes da riqueza e composição de espécies de formigas em ambientes costeiros

Data: 26/02/2016 (sexta-feira)

Horário: 14h

Local: Sala 206 – Edifício Chotaro Shimoya

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Autora: Camila Costa Moreira

Orientador: Simon Luke Elliot

Título da tese: The double life of an insect pathogen: Metarhizium as a plant symbiont and its genetic diversity in coffee agroecosystems

Data: 26/02/2016 (sexta-feira)

Horário: 14h

Local: Sala de reuniões da Entomologia

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Autor: Helder Hugo dos Santos

Orientador: Og Fonseca de Souza

Título da dissertação: Cohabitation and conflict in cohabiting termite species

Data: 29/02/2016 (segunda-feira)

Horário: 9h

Local: Sala de aula – Prédio da Entomologia

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Autora: Camila Folly Baptista

Orientador: Lucio de Oliveira Campos

Título da dissertação: Polinização de Cucurbita pepo (Cucurbitaceae) por Melipona quadrifasciata (Hymenoptera: Apidae: Meliponini) em cultivo protegido

Data: 07/03/2016 (segunda-feira)

Horário: 9h

Local: Sala 201 – Prédio da Entomologia

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Entomologia divulga resultado da seleção de bolsista para pós-doutorado

Saiu o resultado da seleção para pós-doutorado, com bolsa financiada pela CAPES, através do Programa Nacional de Pós-Doutoramento (PNPD). Dez candidatos participaram do processo seletivo, sendo aprovado Luiz Martínez.

 Confira o resultado na íntegra.

Estudo determina resposta evolutiva de inseto-alvo à seleção exercida por planta transgênica de segunda geração

Figura 1 – Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho) se alimentando em planta de milho não-Bt. Foto: Ernesto Servín

Pesquisadores do Laboratório de Interação Inseto-Planta da UFV publicaram um artigo no Scientific Reports, periódico pertencente ao Nature Publishing Group. O artigo “Resistance to dual-gene Bt maize in Spodoptera frugiperda: selection, inheritance, and cross-resistance to other transgenic events” , de autoria do doutor em Entomologia Oscar Fernando Santos-Amaya, foi publicado no mês de dezembro/2015 e teve o objetivo de “caracterizar a resposta à seleção por plantas transgênicas de segunda geração (‘piramidadas’) em um inseto-alvo e testar se a resistência selecionada pode causar resistência cruzada a outras cultivares transgênicas, produzindo proteínas de Bacillus thuringiensis (Bt)”.

Para o estudo, que contou com a supervisão do professor Eliseu José Guedes Pereira, os pesquisadores utilizaram o lepidóptero Spodoptera frugiperda como modelo e fizeram um experimento de seleção expondo os insetos a um cultivar de milho transgênico Bt piramidado, contendo os transgenes cry1A.105 e cry2Ab. Os insetos selecionados em laboratório foram provenientes do campo no oeste da Bahia, onde alguns cultivares Bt já apresentavam perda de eficácia contra o inseto fitófago em estudo.

O pós-doc Oscar e o professor Eliseu descrevem a metodologia empregada: “após a seleção, realizamos cruzamentos genéticos recíprocos entre insetos resistentes e suscetíveis para determinar o modo de herança da resistência. Posteriormente, comparamos taxas de crescimento populacional (fitness) dos insetos resistentes no milho Bt e não-Bt para testar se a resistência era completa ou incompleta. Por fim, no que foi talvez a pesquisa de maior implicação prática e o ponto mais forte do artigo, testamos se a seleção de resistência ao milho Bt piramidado aumenta a resistência da lagarta a outras proteínas Bt da classe Cry1 e Vip, as quais são usadas concomitantemente em cultivares Bt no Brasil e nos Estados Unidos”.

O estudo mostrou que “apenas 11 gerações de seleção são suficientes para que os insetos expostos continuamente ao milho Bt tornassem resistentes a ponto de conseguirem completar o ciclo de vida nas plantas, que inicialmente matavam 80-90% deles. Esta rápida seleção de resistência seria equivalente a dois anos de plantio do cultivar Bt piramidado sem qualquer fator que amenize a pressão seletiva exercida pelas plantas na população do inseto”.

Figura 2. Plantação de milho com alta infestação por S. frugiperdaFigura 2 – Plantação de milho com alta infestação por lagartas de S. frugiperda, que pode provocar até 35% de perda na produtividade de milho.   Foto: Matheus Waquil

Os pesquisadores destacam que “as plantas transgênicas Bt piramidadas (isto é, aquelas que produzem duas ou mais toxinas Bt com diferentes modos de ação contra um inseto-alvo) representam a mais moderna tendência no uso racional de plantas transgênicas resistentes a insetos na agricultura mundial. Contudo, inexistiam estudos sobre a resposta evolutiva de uma espécie-alvo à pressão seletiva exercida por estas plantas. Estes estudos fornecem importante conhecimento científico para recomendar práticas que visam maximizar a durabilidade de eficácia destas plantas Bt para manejo de populações de insetos-praga na agricultura. Parte desta lacuna foi preenchida pelo nosso estudo com uma linhagem de S. frugiperda resistente a um cultivar de milho Bt piramidado, permitindo, pela primeira vez, determinar o modo de herança da resistência simultânea a duas toxinas Bt e decifrar parte das consequências associadas à aquisição da resistência”.

Os autores ainda acrescentam que “a disponibilidade da linhagem resistente obtida no estudo possibilita investigar a base genética, bioquímica e molecular da resistência, o que pode auxiliar a refinar recomendações para manejo da resistência no campo e fornecer novas evidências para melhor entender a rota intoxificativa de Bt em insetos. Por fim, esta linhagem permitirá também investigar os efeitos pleitrópicos dos genes de resistência no fitness dos insetos, o que será tema de futuras publicações científicas relevantes”.

Figura 3. Paisagem do cerrado brasileiro mostrando cultivos

Figura 3 – Paisagem do cerrado brasileiro mostrando cultivos adjacentes e sucessivos de algodão, soja e milho, que fornecem alimento a lagartas de S. frugiperda durante todo o ano. Foto: Horita – Cortesia: Paula-Moraes