Nesta quinta-feira tem bate-papo com os novos estudantes da pós

Os representantes discentes, Wilson Rodrigues Valbon e José Augusto Roxinol, convidam os novos estudantes da pós para um bate-papo sobre a Entomologia UFV.

 Será nesta quinta-feira, dia 09/03, às 17h (no horário do seminário), no auditório do Bioagro. Participe! Será uma excelente oportunidade para esclarecer dúvidas e também já fazer novas amizades.

Entomologista brasileira conquista vaga de professora na Universidade da Flórida

Após construir uma sólida e respeitável carreira no Brasil, a pesquisadora Silvana Vieira Paula-Moraes, egressa da Entomologia UFV, começa a construir uma nova carreira em território americano, como Assistant Professor na Universidade da Flórida. No Brasil, ela atuou em algumas das instituições mais desejadas pelos profissionais das Ciências Agrárias, como por exemplo, Embrapa e Ministério da Agricultura. Mas o desejo de colaborar com a formação de pessoas fez com que a experiente pesquisadora começasse uma nova carreira nos Estados Unidos. E engana-se quem pensa que o Brasil “perdeu mais um talento”. Como Silvana destaca, “o Brasil está ganhando porque são pontes que a gente constrói”. O país ganhou mais uma parceira em solo americano, já que intensificar as cooperações com pesquisadores brasileiros é um dos seus objetivos como professora do Entomology and Nematology Department, na Universidade da Flórida.

Tudo começou quando a então caloura do curso de Agronomia da UFV chegou a Viçosa (MG), em 1988, buscando formação de qualidade em uma das universidades mais respeitadas na área. A escolha de ir para Viçosa também contou com a influência do seu pai, cuja família é natural da cidade de Teixeiras (MG). O pai de Silvana tinha o sonho de ver um filho estudando na UFV, já que ele não pôde estudar.

Na Universidade, Silvana foi moradora do Alojamento Feminino, no “213”, quarto que ela dividia com mais cinco alunas de graduação. Ela lembra com carinho a boa convivência que tinha com as colegas do “213”. Silvana, que faz parte da primeira geração de sua família a ingressar no ensino superior, destaca o aspecto inclusivo que a UFV tinha, e ainda tem, de permitir que estudantes de baixa renda tenham moradia e alimentação gratuitas durante o curso.
Marcelo Picanço e Silvana

 Encontro com a Entomologia

Na graduação, a rotina era dividida entre as aulas do curso de Agronomia, o trabalho no Restaurante Universitário, onde ela era bolsista alimentação, e a monitoria em Entomologia. O encontro de Silvana com a Entomologia mudou os seus planos. Quando ela ingressou na UFV, o desejo era seguir para a Economia Rural. Entretanto, quando foi aprovada para monitora I e passou a trabalhar com Entomologia Agrícola, percebeu que ali estava o seu futuro.

Nessa época, Silvana trabalhou diretamente com os professores Angelo Pallini e Marcelo Picanço, que estavam iniciando a carreira docente na UFV. Ela integrou a equipe do professor Marcelo no Laboratório de Manejo Integrado de Pragas (MIP). Sabendo da importância de ter um bom currículo, deixou a monitoria em Entomologia para também se dedicar à iniciação científica, entretanto, no Departamento de Solos, onde havia conseguido uma bolsa do CNPq.

Concluída a graduação, Silvana retornou à Entomologia em 1994, para fazer o mestrado. Ela foi a primeira estudante de pós-graduação a ser orientada pelo professor Marcelo Picanço. Na pós, ela também foi monitora e em seguida foi aprovada no concurso para professora substituta na UFV.

 Oportunidades

A vontade de seguir trabalhando fez com que em 1997, ela se mudasse para Belo Horizonte (MG), para atuar no Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), já que tinha sido aprovada no concurso para analista técnico. Ela ficou na capital mineira até 1999, quando se mudou para Brasília (DF), sua cidade natal e onde ela residiu até encerrar a sua carreira no Brasil.

Silvana foi para a capital federal para trabalhar como bolsista da Embrapa, mas logo depois foi aprovada no concurso do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Ela conta que a princípio o concurso do MAPA não era o que ela mais queria, mas a oportunidade de emprego falou mais alto, já que na época ela era bolsista da Embrapa. “Eu reconheço que trabalhar no MAPA foi fundamental para conhecer um lado da defesa agropecuária no âmbito nacional e internacional que até hoje é algo que me soma”.

Ela ocupou o cargo de fiscal agropecuário no MAPA até o ano de 2005, quando foi convocada em outro concurso que também havia sido aprovada, desta vez, para pesquisadora da Embrapa. Emocionada, Silvana recorda o dia exato em que foi convocada pela Empresa, enquanto ela estava numa reunião entre Brasil e China, para fechamento de um acordo entre os países. Ali, parecia ter chegado a oportunidade que ela tanto esperava, já que trabalhar com pesquisa sempre foi um objetivo.

 Inserção internacional

Dia de campo sobre H armigeraNa Embrapa Cerrados, Silvana cumpriu todos os requisitos iniciais do cargo e, em seguida, no ano de 2008, embarcou com a família para os Estados Unidos, para fazer doutorado na University of Nebraska Lincoln, sob a orientação dos professores Tom Hunt e Bob Wright. Os quatro anos de doutorado foram fundamentais para que a pesquisadora repensasse a sua carreira: “A vontade de voltar para a universidade se fortaleceu depois do doutorado”.

As parcerias internacionais também foram se fortalecendo ao retornar ao Brasil em 2012: “Quando cheguei ao Brasil, os produtores da Bahia, principalmente produtores de algodão, estavam enfrentando problemas com uma nova praga, a Helicoverpa armigera. Com isso, as oportunidades de trabalho com os Estados Unidos e também com a Austrália aumentaram”.

Já com grande inserção na pesquisa internacional, quando surgiu a oportunidade de participar do processo seletivo para a Universidade da Flórida, Silvana que já queria voltar para o ambiente acadêmico, ser professora novamente e fazer pesquisa, não pensou duas vezes e se aplicou para a seleção, um processo que ela considera “muito concorrido, mas também muito justo e transparente”.

 Caminho a ser desbravado

Aprovada, desde o fim de novembro de 2016, Silvana mudou-se para o oeste da Flórida, na região da cidade de Pensacola. Ela trabalha numa estação de pesquisa onde está sendo estruturada a área de Entomologia. “Este início é como se eu estivesse entrando num novo caminho a ser desbravado. Eu fui muito bem acolhida, principalmente, pelo fato de ser uma entomologista na região. A pesquisa agropecuária nos Estados Unidos tem um peso muito grande, existe uma ponte muito fortalecida entre a universidade e os produtores. Aqui, tem muita tradição, tem um entendimento claro que a sua pesquisa vai ajudar e fortalecer a produção da região”.

Sivana painelMonitora, professora substituta na UFV, analista técnico do IMA, bolsista da Embrapa, fiscal agropecuário do MAPA, pesquisadora da Embrapa e, agora, Assistant Professor na Universidade da Flórida. À primeira vista, parece que a trajetória profissional de Silvana foi fácil, onde ela foi conquistando etapa por etapa. Mas ela garante: “Não é sorte. Foram degraus de muita luta. Meu pai sempre falava: ‘Pensa grande, sonha grande, que os sonhos vão acontecer’. A vida dá oportunidades para a gente, mas é claro que tem que se esforçar. Não tem facilidade. É muito trabalho, 99% transpiração” – resume.

 “Ser entomologista é parte do que eu sou”

A pesquisadora afirma que, além de muito trabalho, as conquistas profissionais só foram possíveis porque ela tem uma base familiar muito boa. Ela também assegura que não existe separação entre o lado profissional e o pessoal: “É tudo junto e misturado. Ser entomologista é parte do que eu sou. Eu sou mãe, esposa, entomologista”.

Mãe coruja, ela é só elogios à filha Mariana, 17 anos, que desde pequena está imersa neste universo da Entomologia. “A Mariana veio para provar que você tem que cuidar do lado pessoal também. Quando ela nasceu, eu era bolsista da Embrapa, não tinha licença maternidade. Voltei a trabalhar com 26 dias. Mas a alegria de ter uma filha compensa tudo”. Silvana e Família

Silvana se considera abençoada, e o motivo não é só as conquistas profissionais, mas, sobretudo, a família que ela tem. Além da filha, ela não esconde a admiração que tem pelo marido, Antonio Roosevelt, a quem ela define como o seu companheiro de vida, um amor conquistado nos tempos de UFV. “Casei com o meu melhor amigo, antes de começar o mestrado. Conheci o meu marido na graduação em Agronomia. E a nossa jornada tem sido juntos. Eu não faria tudo isso se não tivesse uma pessoa do meu lado como eu tenho ele”.

Dessa época também vem a melhor amiga, Cristina Schetino. As duas se conheceram no Laboratório de MIP da UFV.

 “Viçosa é a minha casa”

Para Silvana, onde quer esteja, a UFV sempre será a sua casa: o lugar onde ela se formou e do qual ela muito se orgulha. Por isso inclusive, o desejo dela de agora fortalecer as cooperações com o Brasil, principalmente, com a UFV. Silvana destaca que, nos Estados Unidos, ela trabalha com pesquisa aplicada, com MIP, que são ferramentas universais, aplicadas mundialmente. “Então, eu ter vindo para a Flórida fortalece trabalhos que podemos fazer juntos. Aumenta o nosso leque de cooperação”.

Olhando para a sua carreira, Silvana acredita que o êxito que ela vem obtendo até aqui tem muito a ver com aproveitar oportunidades e inspirar-se em pessoas que sejam referências. Se ela pudesse dar alguma dica para quem está buscando construir uma carreira de sucesso seria: “Tem que saber português muito bem, tem que saber inglês, investir em publicações e ter muito foco, saber o que você quer. ‘O que faz vencer na vida não é a pressa, não são os talentos, é a direção’” – finaliza.

Pesquisadores do USDA participam de defesa de tese na UFV por videoconferência

Dois pesquisadores do USDA (United States Department of Agriculture), Dra. Elaine A. Backus e Dr. Felix A. Cervantes, participaram da banca de defesa de tese de Edmar Tuelher, no dia 8 de fevereiro. A defesa foi realizada na CEAD (Coordenadoria de Educação Aberta e a Distância), por meio de videoconferência. Além dos dois pesquisadores do USDA, outro membro da banca, o professor Raul Narciso Guedes, também está nos Estados Unidos. A banca de defesa da tese “Susceptibility to chlorantraniliprole, competition abilities and stylet probing behavior of heteropteran pests” também contou com a participação dos professores Eugênio Eduardo de Oliveira (presidente/orientador) e Marcelo Coutinho Picanço.

Foi a primeira vez que os pesquisadores americanos participaram de uma banca de defesa de tese brasileira. Ambos demonstraram satisfação com a experiência e se colocaram à disposição para repetir a experiência em outras ocasiões. Dra. Backus conta que já recebeu outro estudante brasileiro em seu laboratório para doutorado sanduíche, mas não chegou a participar da sua banca de defesa de tese. Edmar foi o primeiro aluno brasileiro, que além de ser orientado por ela no San Joaquin Valley Agricultural Sciences Center, também contou com a participação da pesquisadora em sua banca. Para a Dra. Backus, foi uma experiência maravilhosa. Ela ainda destacou o entusiasmo de Edmar durante a sua experiência de imersão vivendo na Califórnia.

De acordo com Dr. Cervantes, Edmar fez um excelente seminário de defesa e respondeu com precisão as perguntas feitas durante o exame oral em inglês sobre o seu trabalho de investigação relacionado ao comportamento alimentar de insetos e danos às plantas.

Edmar TuelherEdmar explica que sua tese é constituída de três capítulos, “buscando auxiliar no entendimento da mudança de status ou da importância de algumas espécies de percevejos fitófagos da cultura da soja. Dentre as hipóteses, foram testadas: a resposta do percevejo marrom da soja (Euschistus heros) após exposição subletal ao inseticida clorantraniliprole e os possíveis efeitos sobre o fitness reprodutivo; e a influência da competição inter e intraespecífica sobre a população de dois percevejos fitófagos da cultura da soja – o percevejo marrom, Euschistus heros e o percevejo verde pequeno, Piezodorus guildinii. Adicionalmente, foi utilizada a técnica de Eletropenetrografia (EPG) para caracterização do comportamento alimentar de um percevejo fitófago (Lygus lineolaris) e a evolução das injúrias causadas pela alimentação deste inseto em folhas de algodoeiro”.

Os estudos sobre EPG foram realizados durante período de doutorado sanduíche no USDA. Edmar passou onze meses nos Estados Unidos, de onde retornou no dia 22 de novembro de 2016. No USDA, ele foi orientado pela Dra. Backus, que trabalha com EPG há mais de 20 anos. Edmar destaca que “pelo fato do EPG permitir o estudo do comportamento alimentar de percevejos fitófagos, que são importantes em culturas agrícolas brasileiras, esta técnica será uma ferramenta adicional a ser utilizada em nossos trabalhos no Brasil”.

UFV vai sediar XIII Congresso de Ecologia do Brasil

O XIII Congresso de Ecologia do Brasil (XIII CEB) será realizado no período de 08 a 12 de outubro, na UFV, em Viçosa (MG). Com o tema Múltiplas ecologias: evolução e diversidade, o XIII CEB será realizado em conjunto com o III International Symposium of Ecology and Evolution (III EcoEvol).

O professor José Henrique Schoereder, orientador do PPG em Entomologia, é o presidente da comissão organizadora do XIII CEB.  Em mensagem divulgada na página do evento, ele destaca que o objetivo principal é realizar um congresso que seja atrativo ao mesmo tempo para alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores na grande área de Ecologia e Evolução. “Para isso, o evento será dividido entre apresentações de minicursos, plenárias, mesas-redondas, apresentações orais e de painéis que abordem temas de interesse dos ecólogos do Brasil nas grandes áreas de ecologia teórica e aplicada”.

Para saber todas as informações sobre o XIII Congresso de Ecologia do Brasil, acesse  www.ecologia2017.com.br.

Estudo revela evidências sobre mecanismo de manipulação comportamental de aranhas orbitelas

Teias de Cyclosa morretes (a-d) e Cyclosa fililineata (e-h). Teias de fêmeas não parasitadas (a,e); teias normais de fêmeas parasitadas por larvas de segundo estágio (b-f); teias modificadas construídas por fêmeas parasitadas por larva de terceiro estágio (c,g); e teias de fêmeas realizando ecdise (d,h).

A PLOS ONE publicou nesta sexta-feira, dia 3, o artigo “Proximate Mechanism of Behavioral Manipulation of an Orb-weaver Spider Host by a Parasitoid Wasp”, de autoria do doutor em Entomologia Thiago Gechel Kloss. O estudo sugere pela primeira vez o mecanismo de manipulação comportamental de aranhas realizado por vespas parasitoides. “Nós verificamos pela primeira vez que as espécies de aranha Cyclosa fililineata e Cyclosa morretes, parasitadas respectivamente por Polysphincta sp. nr. purcelli e Polysphincta janzeni, apresentam altos níveis de 20-OH-ecdisona comparado com aranhas que apresentam comportamento normal. Nós sugerimos que as vespas parasitoides induzem o aumento dos níveis de ecdisona nas aranhas de alguma forma, ativando o mecanismo de ecdise desses animais. A ativação da ecdise resulta na construção de teias modificadas, que são mais reforçadas do que as teias normais. Esse aumento na resistência da teia favorece o parasitoide, pois ele empupa (forma o casulo) no centro dessas teias modificadas após matar a aranha” – afirma o primeiro autor.

Artigo PlosOne 2Thiago explica como se deu a construção do trabalho: “As aranhas são parasitadas por uma tribo de vespas parasitoides (Ephialtini). As vespas adultas atacam as aranhas nas teias e depositam um ovo no abdômen das aranhas. Esse ovo gera uma larva que faz pequenos furos no abdômen da aranha para sugar a hemolinfa. O período de desenvolvimento larval varia entre as espécies de vespa, no caso das espécies desse artigo, ele varia entre 21 e 24 dias. Quando a vespa atinge o último dia do estágio larval, a aranha constrói uma teia com a estrutura modificada (isso já foi observado em diversos locais do mundo para mais de 50 espécies de aranhas). Na sequência, a larva mata a aranha e constrói o casulo nessas teias modificadas. Já foi observado que essas teias modificadas são mais resistentes , o que sugere que a larva de alguma forma induz a alteração comportamental da aranha, obtendo esse benefício”.

Ele destaca que ao longo dos últimos anos foi observado, por diversos pesquisadores ao redor do mundo, que as teias modificadas são semelhantes às teias construídas por aranhas para realizar ecdise (troca do exoesqueleto). “No caso das espécies desse artigo, eu observei que as teias modificadas e de ecdise são idênticas. Sendo assim, a hipótese que surgiu foi a de que as larvas das vespas estavam ativando o mecanismo de ecdise das aranhas, o que consequentemente gerava a construção das teias modificadas. A ecdise é controlada por alguns hormônios, entre eles a ecdisona. Assim, nós investigamos se as aranhas com comportamento alterado possuíam altos níveis de ecdisona, comparado com aranhas não parasitadas e aranhas parasitadas com comportamento normal de construção da teia”.

Para o estudo, as aranhas foram coletadas na Estação Biológica de Santa Lúcia e na Reserva Biológica Augusto Ruschi. As duas reservas estão localizadas no município de Santa Teresa (ES). As análises de ecdisona foram realizadas no Núcleo de Biomoléculas da UFV. De acordo com o pesquisador, a metodologia utilizada compreendeu: análise dos níveis de 20-OH-ecdisona em aranhas não parasitadas; aranhas parasitadas apresentando comportamento normal de construção da teia; e aranhas parasitadas com comportamento alterado. “Além disso, os níveis do hormônio também foram avaliados nas larvas de segundo e terceiro estágio que estavam parasitando as aranhas. Os níveis do hormônio ecdisona foram obtidos por meio de cromatografia líquida e espectrometria de massa” – completa.