Professor Frederico Salles é novo editor-chefe da Revista Brasileira de Entomologia

O professor Frederico Salles, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, assumiu, neste início de 2021, o cargo de editor-chefe da Revista Brasileira de Entomologia (RBE). Frederico, que está à frente do Museu de Entomologia da UFV, era editor associado da publicação há três anos. A revista é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Entomologia, dedicada à divulgação de trabalhos originais, de autores brasileiros e estrangeiros, com foco em sistemática, diversidade e evolução dos insetos. 

“É sem dúvida alguma uma enorme honra, e que vem acompanhada de uma responsabilidade ainda maior. No nosso dia-a-dia, que já envolve aulas, orientações, pesquisas e atividades de extensão e administrativas, é uma atividade que sem dúvida tomará um tempo precioso. Contudo, acho gratificante poder contribuir mais diretamente com a Sociedade Brasileira de Entomologia e interagir com os diversos pesquisadores, brasileiros e internacionais, envolvidos com todo o processo de publicação. Está sendo, sem dúvida alguma, um grande aprendizado para mim”, diz Frederico, destacando a atuação da revista ao longo dos últimos anos. “A RBE vem passando por um crescimento importante nos últimos anos, em termos de qualidade perante as métricas de avaliação, de visibilidade e internacionalização. Minha colaboração vem no sentido de manter esse desempenho e tornar a RBE ainda mais atraente, não só para pesquisadores brasileiros mas também para estrangeiros”, planeja. 

Além de contribuir como editor associado da RBE por três anos, Frederico acumulou ao longo de sua carreira experiência também na editoria de outras duas publicações: Annales de Limnologie, entre 2010 e 2014, trabalhando com manuscritos voltados para sistemática de insetos aquáticos; e Zootaxa, nos dez últimos anos. “Na Zootaxa trabalhei especificamente com os artigos voltados ao meu grupo de trabalho, os insetos da ordem Ephemeroptera. Essa, portanto, é a primeira vez que assumo o cargo de editor-chefe.” 

Criada na década de 1950, a RBE é uma das mais tradicionais revistas de Entomologia do Brasil, tendo publicado mais de 60 volumes e centenas de fascículos. “Historicamente a revista teve uma forte tradição na publicação de artigos voltados para a sistemática de insetos, contribuindo assim de forma significativa para o conhecimento da nossa biodiversidade. Atualmente, no entanto, há um equilíbrio maior entre as áreas da entomologia e muitos são os manuscritos submetidos e publicados que abordam estudos voltados para ecologia, controle biológico, entomologia médica e veterinária, entre outras”, conta Frederico. Para o pesquisador, esse histórico torna a revista um dos principais veículos de publicação para os profissionais de entomologia que atuam no país e também indica seu grande potencial para atrair ainda mais a participação de pesquisadores estrangeiros. 

Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves

Egresso da Entomologia entra na fase final do doutorado promovendo parceria entre UFV e Max Planck Institute

Foram os cupins, há seis anos, que atraíram a atenção de Helder Hugo, no período em que ele cursava seu mestrado, pelo Programa de Pós-Graduação em Entomologia, e são eles também, hoje, que mantém o vínculo entre o pesquisador, agora doutorando no Max Planck Institute of Animal Behaviour (MPIAB), na Universidade de Konstanz, Alemanha, e os laboratórios de pesquisa da UFV. Helder, que concluiu o mestrado em 2016 sob orientação do professor Og de Souza, está na Alemanha desde então e deve finalizar em 2021 seu doutorado pleno. Na Universidade de Konstanz, ele é orientado pelo professor Iain D. Couzin, uma das referências mundiais no estudo de comportamento animal coletivo.

“O tema do meu doutorado se conecta diretamente ao meu trabalho de mestrado, que foi focado na caracterização de comportamentos individuais em cupins coabitantes. Atualmente alguns dos meus projetos utilizam o cupim Constrictotermes cyphergaster, que foi uma das espécies investigadas no meu trabalho de mestrado”, explica Helder. “Uma das principais diferenças, entretanto, é que ao longo do doutorado tive a oportunidade de desenvolver técnicas modernas de computação visual que permitem mensurar e analisar padrões coletivos de comportamento inacessíveis por meio de técnicas tradicionais.”

A linha de pesquisa de Helder está hoje focada no estudo da ecologia e da evolução de mecanismos subjacentes de comportamento coletivo em sociedades complexas. “Especificamente, estou pesquisando padrões emergentes de movimento coordenado coletivo em cupins, um grupo que, apesar de ser relativamente pouco estudado dentre os insetos sociais, é um excelente objeto de pesquisa para estudos de comportamento.”

Helder, no canto direito, no alto da foto, posa com a equipe do departamento de comportamento coletivo de Konstanz

Os caminhos do pesquisador na Alemanha foram sendo desenhados ao longo do mestrado, com o apoio e o incentivo do orientador Og. e de outros docentes do programa, como as professoras Madelaine Venzon e Terezinha Della Lucia, e os professores Eraldo Lima e Simon Elliot. “Além do fato do MPIAB ser uma instituição reconhecida e prestigiada no mundo todo, algo que me motivou foi a experiência do meu atual orientador de doutorado, professor Couzin. Na maioria dos artigos que li sobre comportamento coletivo na etapa final do meu mestrado, ele era um dos autores, e isso me motivou a contatá-lo.” Ao final de seu período como mestrando, Helder se viu dividido entre a escrita da dissertação, a elaboração da proposta oficial do doutorado e os exames TOEFL e GRE. “Algo que ajudou bastante foi que o professor Og e eu já havíamos decidido que toda produção do meu mestrado, inclusive a dissertação, seria feita em inglês, a título de treino. Até mesmo os e-mails cotidianos – que ainda trocamos – são sempre escritos na língua estrangeira. É algo que no início pode ser cansativo ou desmotivador, mas como o Og sempre enfatiza, ‘inglês é básico’, e algo que nós acadêmicos brasileiros devemos sempre aprimorar.”

Financiamento
Ao final do processo, Helder não só foi aprovado para o doutorado, como também selecionado, em seguida, pelo International Max Planck Research School for Organismal Biology (IMPRS), um dos programas de pós-graduação ofertados pela Max Planck Society. O programa é composto por mais de 40 pesquisadores, líderes em suas áreas de pesquisa, e atualmente conta com doutorandos egressos de 37 países diferentes. “É um programa bastante conhecido na Europa, competitivo e que proporciona aos seus membros integrantes treinamento de primeira classe nos campos de comportamento, ecologia, evolução, fisiologia e neurobiologia”, conta o brasileiro. Sua pesquisa, hoje, é financiada pelo Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD) – oficialmente traduzido como Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico -, organização voltada a fomentar o intercâmbio de estudantes, professores e pesquisadores.

Parceria contínua
Antes de viajar para o exterior, Helder havia também sido selecionado em primeiro lugar no processo seletivo do PPGEnt, o que lhe daria a oportunidade de continuar seu trabalho no Brasil por quatro anos sob a orientação do professor Og. Apesar da opção pela Alemanha, Helder faz questão de destacar a parceria contínua com o programa brasileiro, por meio do professor Og e do Laboratório de Termitologia. “Na minha proposta de doutorado submetida ao DAAD, deixei claro que a parceria inédita entre o Programa de Entomologia da UFV e o Departamento de Comportamento Coletivo do MPIAB seria frutífera para ambas as instituições.” Desde que começou os estudos em Konstanz, o pesquisador já esteve no Brasil cinco vezes. Quatro dessas viagens tiveram duração de 35 a 40 dias e foram dedicadas a coletas no Cerrado com apoio do Laboratório de Termitologia e experimentos em torno do comportamento dos cupins. “Todo o trabalho que desenvolvo na Alemanha é baseado em filmagens feitas no Brasil com diversos grupos experimentais e tratamentos, de modo que o transporte de material biológico pra Alemanha não é necessário. Além de facilitar alguns trâmites, o fato de todos os experimentos serem feitos no Brasil garante que colônias não sejam submetidas ao estresse de uma viagem longa de transporte até a Alemanha”.

Ao longo do doutorado, Helder esteve quatro vezes no Cerrado mineiro, para trabalho de campo

O professor Og é hoje coorientador de Helder, e coautor de parte do material que ele vem produzindo ao longo destes anos na Alemanha. “O Og é um dos grandes ‘culpados’ pela minha vinda pra Alemanha, no bom sentido é claro. Praticamente tudo o que sei sobre biologia de cupins aprendi no Laboratório de Termitologia da UFV. No meu terceiro ano, consegui aprovar o financiamento de uma viagem à Alemanha para o Og, oportunidade na qual nos reunimos pessoalmente com o comitê de orientação da tese em Konstanz”, conta ele, destacando também o tratamento acolhedor que recebeu de seu atual orientador. “A primeira impressão que tive do professor Couzin foi a de alguém genuinamente fascinado por biologia e ciência, disposto sempre a aprender o máximo de qualquer pessoa, até mesmo de estudantes ainda em formação. Até hoje ele mantém essa postura, e apesar da inevitável hierarquia, sempre sou tratado como igual e com respeito em nossas discussões científicas.” 

Publicações
Ao longo de 2020, apesar dos ajustes de agenda e de ritmo de trabalho impostos pela pandemia do coronavírus, Helder teve dois trabalhos publicados pela revista Ecology and Evolution. O primeiro, em colaboração com os professores Og de Souza e Paulo Cristaldo, trata da descrição de um comportamento não agressivo por parte do cupim inquilino Inquilinitermes microcerus em relação ao seu hospedeiro Constrictotermes cyphergaster. Já o segundo artigo, em colaboração com os professores Marcel G. Hermes, Bolivar R. Garcette-Barrett e Iain D. Couzin, descreve a primeira evidência de desenvolvimento larval de vespas Eumeninae em ninhos ativos de cupim. “Nesse segundo trabalho nós reportamos a presença de câmaras de desenvolvimento de vespas em ninhos do cupim C. cyphergaster e descrevemos uma nova espécie de vespa que determinamos como Montezumia termitophila. Até então, na literatura havia o registro de vespas somente em ninhos ‘mortos’, em outras palavras, sem uma colônia de cupins ativa. Algo intrigante é que M. termitophila não somente é capaz de garantir o desenvolvimento de sua prole dentro de ninhos ativos de cupim, mas também aparenta exibir uma falta de agressividade em relação aos cupins hospedeiros. Esse resultado de baixa agressividade de certa forma alinha-se com os que encontramos na primeira publicação na Ecology and Evolution”. Ambos os trabalhos foram desenvolvidos no Cerrado em Minas Gerais, em uma área próxima do município de Divinópolis, terra natal de Helder.

A expectativa do pesquisador é finalizar o doutorado em meados deste ano. “2020 foi bastante intenso para todos, acredito. Apesar de todas as dificuldades impostas pela pandemia, tendo inclusive testado positivo em março daquele ano e precisando trabalhar completamente em home-office e ainda em lockdown até a presente data, consegui desenvolver meus projetos, publicar artigos e ainda achar tempo para me casar na Eslovênia no meio do ano. Mesmo diante de toda incerteza que a pandemia traz, meus planos futuros são de continuar na academia e iniciar um pós-doutorado também focado em um estudo de comportamento, seja na Alemanha, Eslovênia, Brasil ou quem sabe algum novo destino.” Nos quatro anos e meio que já soma na Alemanha, Helder se encantou não só pelo país, como também pela língua alemã, apesar de o inglês ser o idioma oficial dos trabalhos realizados na universidade. “Nos meus primeiros seis meses na Alemanha tive a oportunidade de estudar em um curso intensivo de alemão em Köln patrocinado pelo DAAD. Consegui terminar o programa e obter a certificação B2.2, que permite uma comunicação coloquial diária. Infelizmente, tive de interromper os estudos, mas no futuro pretendo iniciar o C1, que seria o nível avançado ou acadêmico no alemão.”

Fotos: Arquivo pessoal

SEB traça diagnóstico da Entomologia no Brasil

A Sociedade Entomológica do Brasil (SEB) está traçando um diagnóstico da atuação dos profissionais de Entomologia no Brasil.  A pesquisa faz parte do Projeto Mulheres na Entomologia, e vai gerar dados sobre todos os profissionais que trabalham com insetos no país.

A primeira etapa do processo é a aplicação de questionários, que podem ser respondidos por todos os alunos e professores da área neste link.  Também serão realizadas entrevistas (em grupo e/ou individuais) e desenvolvidas pesquisas-ação. Os profissionais que colaborarem respondendo ao questionário podem ser convidados a participar das demais etapas. 

Com os dados colhidos será possível mapear a formação e a atuação dos profissionais no Brasil, fazendo inclusive uma comparação entre gêneros. As informações serão úteis para orientar futuras ações da SEB, visando o desenvolvimento de novas políticas internas e o posicionamento diante a políticas públicas para o setor. 

Esta é a primeira vez que a pesquisa é aplicada no Brasil. O prazo para preenchimento e envio do questionário é 30 de março.

Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves 

Professor Carlos Maciel traz aplicação de modelos matemáticos à Entomologia

O professor Carlos Maciel, do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação da USP – Campus São Carlos – visita a UFV esta semana, marcando a retomada do projeto que desenvolve com o professor Eugenio Eduardo Oliveira, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia. Parceiros de pesquisa desde 2012, os dois trabalham atualmente na análise de dados que envolvem a ação de poluentes (agrícolas, minerais e campos eletromagnéticos) em insetos alvos (pragas) e não-alvos, como as abelhas polinizadoras. 

Com formação em Engenharia Elétrica e dedicado aos modelos matemáticos, o professor Carlos se aproximou da entomologia em 2011, durante seu Pós-doutorado na Universidade de Southampton, no Reino Unido. “Lá iniciei uma parceria com o professor Philip Newland, quem eu trouxe ao Brasil algum tempo depois. Neste contexto, conheci o professor Eugenio, e temos trabalhado juntos desde então”, conta. As parcerias realizadas pela dupla aplicam dados colhidos em pesquisas biológicas aos modelos matemáticos, utilizando a inteligência artificial para otimizar análises. 

O trabalho desenvolvido em Viçosa atualmente conta também com o professor Weyder Santana, do Departamento de Entomologia, especialista em abelhas, e de estudantes do Programa de Pós-Graduação. “Nós estamos envolvidos num projeto maior, que visa o impacto de ações antropomórficas (intensidade luminosa, campos eletromagnéticos, ruídos sonoros, resíduos de combustão de motores a diesel e novos combustíveis) nos agentes polinizadores, insetos e pragas. Nossa hipótese principal é que a redução da quantidade de abelhas no mundo decorre da junção destes inúmeros fatores, e não somente de um ou outro especificamente”, explica Eugenio.

Eugenio e Carlos analisam o impacto de agentes poluentes em insetos

“A troca com pesquisadores da Entomologia me agrada muito, me sinto muito em casa. É uma satisfação ver o quanto os processos de pesquisa podem ganhar quando associados aos softwares adequados”, diz Carlos, que também acumula colaborações com a Universidade de Stuttgart, a Universidade de Southampton e o Idiap Research Institute, na Suíça.  

Palestra online
Nesta quinta, o professor Carlos fala aos alunos do mestrado e doutorado, como palestrante convidado, dentro da programação semanal de seminários. O encontro será online, como tem sido feito em razão da pandemia, e o tema abordado será a rede bayesiana e as possibilidades que ela pode abrir para as ciências biológicas (“Bayesian Network: General Aspects and Applications in Biological Sciences”).  

O professor Eugenio, que intermediou o encontro entre o engenheiro e os alunos da Entomologia, chama a atenção para a oportunidade de conhecer alternativas para a automatização de processos de pesquisa. “Todas as pesquisas que envolvam um grande número de dados e que são de grande dificuldade para análises corriqueiras podem ser alvo das abordagens bayesianas, facilitando muito a vida dos que trabalham nos campos das Ciências Agrárias e Biológicas”, diz. “Desde o desenvolvimento de redes neurais até mesmo as predições de como se comportaram insetos, plantas e microrganismos (e suas múltiplas interações) no futuro, mediante a mudanças climáticas ou frente a perturbações de sistemas, como os que observamos recentemente com os episódios decorridos em Mariana e Brumadinho, tudo isso pode ser aplicado às ferramentas matemáticas.” 

Fotos: Rodrigo Carvalho Gonçalves

Publicado resultado final do doutorado 2021/1

O Programa de Pós Graduação em Entomologia publicou nesta segunda-feira, 08 de fevereiro, o resultado final do processo seletivo para o doutorado, com ingresso no primeiro semestre letivo de 2021.

Veja aqui o resultado final do doutorado.

Os aprovados serão aceitos no Programa de acordo com o número de bolsas disponíveis e chamados de acordo com a ordem de classificação. A quantidade de bolsas disponibilizadas dependerá da liberação pelas agências de fomento (CAPES, CNPq e FAPEMIG), em seus respectivos sistemas.

Na semana passada, já havia sido publicado o resultado final do mestrado. 

O semestre letivo tem início previsto para dia 15 de março.