Entomologia recebe inscrições para mestrado e doutorado a partir do dia 20

O Programa de Pós-Graduação em Entomologia publica nesta sexta-feira, 13 de maio, edital com oferta de vagas para os cursos de Mestrado Acadêmico e Doutorado, com ingresso no segundo semestre letivo de 2022

O prazo para inscrições tem início na próxima sexta-feira, dia 20 de maio, e vai até 21 de junho (às 23h30). 

São oferecidas oito vagas para o Mestrado e três vagas para o Doutorado. A quantidade de bolsas disponibilizadas dependerá da liberação pelas agências de fomento (CAPES, CNPq e FAPEMIG). 

O processo seletivo é composto de prova escrita e análise de currículo. No caso dos candidatos a uma vaga no doutorado, também será realizada uma arguição oral. 

O cronograma completo, bem como todas as informações sobre o perfil dos candidatos e as etapas de avaliação, estão disponíveis no edital.

Todas as informações disponibilizadas ao longo do processo seletivo e documentos de referência podem ser acessados neste link. 

A matrícula dos aprovados será feita no dia 01 de setembro, e as aulas terão início em 05 de setembro de 2022

Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves

Museu de Entomologia tem programação especial na Semana Nacional dos Museus

O Museu de Entomologia da UFV participa entre os dias 16 e 22 de maio da 20ª Semana Nacional dos Museus. Esta é a primeira vez que o museu participa do evento, que reúne iniciativas de todo o país. 

A programação oferecida pelo Museu de Entomologia é toda gratuita e foi pensada especialmente para esta semana – exceto a visita mediada (que pode ser agendada para quaisquer dias úteis da semana) e a exposição virtual, que é permanente. Há atividades para adultos e crianças. Veja os detalhes na galeria abaixo.

A Semana Nacional dos Museus é promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e este ano tem como tema “O Poder dos Museus”, com foco nas ações de pesquisa, preservação, conservação, educação, comunicação, ação cultural, gestão, inovação tecnológica, funções sociais e criação de repertórios para o futuro exercidas por essas instituições.

VI edição do Bar com Ciência acontece na próxima quarta

Após 2 anos de intervalo forçado em função da pandemia do coronavírus, acontece, na próxima semana, a VI edição do Bar com Ciência. O evento é realizado pelos estudantes da disciplina Fisiologia de Insetos (ENT 662), oferecida pelo Programa de Pós-Graduação em Entomologia. 

O objetivo do encontro é apresentar temas científicos à comunidade de forma descontraída e acessível. Este ano, a programação contará com 5 apresentações de dez minutos cada – veja os detalhes abaixo:  

GRUPO 1
Título: Por que você deveria começar a comer insetos?
Andreza Ribas Barbosa, mestrando em Entomologia
Irma Vanessa Herrera Mosquera, mestrando em Entomologia
Hugo Javier Loaiza Ríos, mestrando em Entomologia

GRUPO 2
Título do trabalho: Por que o apocalipse zumbi já começou? (Pelo menos para os insetos)
Guilherme Abadia da Silva, mestrando em Entomologia
Lorrana Francisca Oliveira Almeida, mestranda em Entomologia
Paulo Protasio de Jesus, mestrando em Entomologia
Vinícius Fonsêca dos Santos, mestrando em Entomologia

GRUPO 3
Título do trabalho : Por que os mosquitos me encontram à noite se está tudo escuro?
Jeny Tatiana Bernal Zuluaga, mestranda em Entomologia
Vinícius Cordeiro Rocha, mestrando em Biologia Celular
Weslane Silva Noronha, mestranda em Entomologia

GRUPO 4
Título: Por que os insetos dormem? Você já viu?
Douglas da Silva Ferreira, doutorando em Entomologia
Kárenn Christiny Pereira Santos, doutoranda em Entomologia
Walysson Mendes Gomes, doutorando em Entomologia

GRUPO 5
Título: Por que os insetos podem desvendar crimes?
Diego dos Santos Souza doutorando em Entomologia
Gabriel Henrique Pio, mestrando em Entomologia
Mateus Soares de Oliveira, mestrando em Entomologia

O Bar com Ciência acontece na quarta-feira, 18/05, às 19h30, na Távola Lúdica (Rua dos Estudantes, 204 – Loja 01, no Centro de Viçosa).


UFV é destaque no estudo de pesticidas em abelhas

Um artigo publicado recentemente por pesquisadores do Paraná mostra a UFV no ranking das 15 instituições que mais publicaram artigos sobre os efeitos de agroquímicos em abelhas. Em oitavo lugar mundial, a UFV é a única instituição brasileira na lista (veja a figura abaixo, extraída do artigo ‘Bees and pesticides: the research impact and scientometrics relations’ de Abati et al. 2021). A maior parte dos artigos a que se refere o levantamento foi escrita por um grupo de professores e estudantes do Programa de Pós-Graduação em Entomologia, em mais de 15 anos de trabalho. O grupo soma dezenas de textos publicados em revistas de todo o mundo. 


Instituições com mais publicações e mais citações relativas a pesticidas e abelhas

“Plantamos a semente desses trabalhos em 2004, quando eu cursava o doutorado. De lá para cá, surgiram muitas perguntas, aprovamos projetos, desenvolvemos muitos métodos e conseguimos publicar muita coisa importante”, diz a professora do PPG Maria Augusta Lima. “Enxergamos a oportunidade de desenvolver um tema que tinha, e ainda tem, grande originalidade e grande relevância, especialmente em função do cenário mundial de desaparecimento das abelhas, principais animais polinizadores”, avalia o professor e coordenador do PPG, Gustavo Martins. Segundo os professores, a publicação do trabalho do Dr. Hudson Tomé, egresso da Entomologia – ‘Imidacloprid-induced impairment of mushroom bodies and behavior of the native stingless bee Melipona quadrifasciata anthidioides – foi determinante para a consolidação e o reconhecimento do grupo. “Esse artigo teve muito impacto, por sua originalidade, e impulsionou de forma muito significativa nossas pesquisas. É o artigo mais citado sobre efeitos de agroquímicos em abelhas sem ferrão, com mais de 140 citações”, conta Gustavo. 

Além de Maria Augusta e Gustavo, estão especialmente envolvidos nestes trabalhos outros pesquisadores, incluindo os professores Raul Narciso e Eugênio Oliveira e muitos de seus orientandos, que passaram pelo mestrado e doutorado. Eles fazem parte, junto com outros integrantes, do grupo de pesquisa do CNPq ‘Ecotoxicologia aplicada à preservação de abelhas’. “Nós formamos um grupo coeso e muito comprometido com o trabalho, por isso conquistamos tanto destaque. É muito interessante ver o resultado de um esforço coletivo, construído por muitos pesquisadores ao longo de tantos anos”, avalia Maria Augusta, que destaca ainda as parcerias internacionais como fruto do trabalho realizado pelo grupo. 

Trabalhos de destaque
Além do artigo de 2012, os professores apontam a revisão sobre pesticidas e abelhas sem ferrão, publicada em 2016, e o pioneirismo acerca dos métodos de exposição (veja aqui e aqui) como trabalhos determinantes para o reconhecimento por parte da comunidade científica. Maria Augusta chama a atenção ainda para um trabalho de alto impacto, publicado este ano, apresentando o uso de inteligência artificial para o monitoramento das abelhas.

Segundo Gustavo, o grupo segue com fôlego para muitas outras publicações, com foco no desenvolvimento de pesquisas acerca de nanopoluidores, da influência de campos eletromagnéticos e da poluição por plásticos, além do uso de inteligência artificial e metagenômica. “Temos espaço para crescer muito ainda, e é para estes temas que estamos nos direcionando.”

Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves

Artigo alerta para efeitos não-intencionais de inseticidas e é um dos mais citados do biênio 2020-2021

Um dos artigos mais citados do biênio 2020-2021 na revista Pest Management Science é de autoria de três orientadores e quatro pesquisadores egressos do Programa de Pós-Graduação em Entomologia. O trabalho “Rethinking biorational insecticides for pest management: unintended effects and consequences” foi publicado em 2020 pelos professores Eugênio Oliveira, Raul Guedes e Eliseu Pereira, em conjunto com Khalid Haddi, Leonardo Turchen, Luis Viteri e Raimundo Aguiar, todos egressos da Entomologia.

No trabalho, o grupo de pesquisadores alerta para a necessidade de se avaliar os efeitos não-intencionais e as consequências que inseticidas bio-racionais podem trazer para o sistema antes de atestar sua segurança e eficácia para o controle de pragas. “O nosso chamado é um alerta à sociedade como um todo no sentido de que não é o fato de ser uma molécula bio-racional que garante que o inseticida não vai causar danos ao meio ambiente, ao próprio manejo integrado de pragas, ou à saúde humana. Queremos desmistificar a ideia de que um produto, por ser natural ou bio-racional, é automaticamente melhor do que os sintéticos”, explica o professor Eugênio.

Entre os possíveis “efeitos não-intencionais”, Eugênio cita os impactos que alguns compostos bio-racionais podem ter em organismos não-alvos – insetos benéficos, como abelhas polinizadoras (especialmente as abelhas sem-ferrão e nativas da região Neotropical), predadores e parasitóides, por exemplo. “Outro efeito não-intencional possível é você usar um composto para controlar a praga A, e acabar favorecendo a praga B, que não é alvo da sua aplicação. A praga A sai do sistema, eliminada pelo inseticida, e esse mesmo inseticida pode levar a uma resposta positiva da praga B”, acrescenta. 

No processo de produção do artigo, os pesquisadores fizeram também uma revisão sistemática nas principais plataformas acadêmicas, indicando o pequeno percentual de trabalhos científicos que exploram o tema das moléculas bio-racionais além de sua eficácia contra determinada praga. “Muita gente estuda esse assunto, mas poucos estudos abrangem os efeitos não-intencionais. Precisamos cada vez mais de mais moléculas, sejam elas bio-racionais ou sintéticas, mas para isso precisamos estudar, fazer pesquisas, verificar.”

Nova perspectiva
A proposta de mudança na perspectiva é controversa, como reconhece o professor Eugênio, na medida em que questiona o “senso comum”, de que os produtos orgânicos são sempre mais indicados do que os sintéticos. “Nós não estamos afirmando que não sejam. Os inseticidas convencionais, sintéticos, tem muitos problemas e isso não é negado. O que a gente quer dizer é que não é somente pelo fato de serem moléculas originárias de plantas ou de microorganismos que são necessariamente mais seguras, seja para o homem ou para o meio-ambiente.”

Foto: Rodrigo Carvalho Gonçalves