Simpósio reúne pesquisadores de diversas áreas relacionadas à Ecotoxicologia e Ecofisiologia

Participantes (1)

Especialistas, professores, estudantes de graduação e pós, que estiveram em Viçosa na última semana para o I Simpósio de Ecotoxicologia e Ecofisiologia Animal, são unânimes ao afirmar que o evento superou as expectativas. A qualidade dos palestrantes, a relevância dos temas abordados nas palestras e minicursos, a revisão dos trabalhos, a forma de avaliação dos pôsteres, a organização do Simpósio e a hospitalidade com a qual a UFV costuma receber seus visitantes, chamou a atenção dos participantes.

O pesquisador farmacêutico Andrey Martinez Rebelo veio de Santa Catarina e não se arrependeu: “O evento superou todas as expectativas, que já eram altas. As palestras foram de interesse, os cursos muito bem conduzidos e de alto nível, e a forma de avaliação dos pôsteres muito bem conduzida e executada. Adquiri muitas informações com as sugestões dos avaliadores e dos pesquisadores visitantes. O curso de Bioensaios Ecotoxicológicos foi de alto nível técnico e científico, fazendo valer minha participação, pois relembrei conceitos e aprendi novas técnicas”.

Andrey

Já pensando em 2019, ele acrescenta que “este evento, apesar de denominado Simpósio, poderia na próxima edição, tornar-se Congresso, tamanha foi sua grandeza, haja vista a importância do tema e a participação de pesquisadores de vários estados brasileiros e de países sul-americanos e dos Estados Unidos”.

Doutor em Química Analítica, Andrey trabalha na Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) há 14 anos, “sempre envolvido com plantas bioativas na busca de alternativas para o controle e manejo fitossanitários, além de análise química, em especial cromatográfica”. Durante o Simpósio, ele apresentou de forma oral um trabalho que testou “a capacidade larvicida de óleo essencial de Melaleuca alternifolia contra Culex quinquefasciatus”, executado em parceria com o entomologista Marcelo Mendes de Haro.

De acordo com o pesquisador, “os resultados demonstraram que o óleo possui alta efetividade larvicida. Além disso, pudemos apresentar nossa estrutura de trabalho na Estação Experimental de Itajaí, da Epagri/SC, que possui tanto um banco ativo de germoplasma de plantas bioativas com mais de 600 espécies, como estrutura laboratorial para execução destes testes e de outros que visem à determinação fitoquímica dos materiais testados contra estes e outros insetos, em especial de interesse agrícola, que foram também apresentados, mas na forma de pôsteres”.

Nanotoxicologia e Nanoecotoxicologia

Quem também apresentou trabalho durante o evento foi a estudante de mestrado na UnB (Universidade de Brasília), Jessika Ribeiro. Ela é estudante do Programa de Pós Graduação em Nanociência e Nanobiotecnologia, sob a orientação do pesquisador da Embrapa, Luciano Paulino da Silva, que atua na unidade Recursos Genéticos e Biotecnologia.

Atuando em “áreas de pesquisa que objetivam a análise de potencial toxicidade de nanomateriais aos organismos e aos ecossistemas/meio ambiente”, Jessika apresentou durante o Simpósio, na forma de comunicação oral, o trabalho “Síntese verde vs síntese química nanopartículas de prata: uma análise comparativa para estudos nanoecotoxicológicos”.

Jessika

Ela explica: “trata-se de uma análise que venho desenvolvendo sobre a potencial nanoecotoxicidade de nanopartículas de prata (AgNPs) ao ecossistema aquático. O objetivo é fazer uma análise comparativa em relação à potencial toxicidade de AgNPs obtidas por rotas de síntese verde vs AgNPs obtidas por rota de síntese química. A característica de maior interesse científico e econômico das AgNPs é a atividade antimicrobiana apresentada por esses nanomateriais. A rota de síntese verde analisada é potencialmente menos tóxica ao meio ambiente quando comparada à rota de síntese química, sendo que essa utiliza solventes e estabilizantes químicos nocivos ao meio ambiente e à saúde humana, e a via de síntese verde, em contrapartida, utiliza um agente biológico, o biopolímero celulose, como reagente da síntese”.

Temas relevantes

Para a mestranda da UnB, dentre as discussões que acompanhou nos três dias do Simpósio, a que mais lhe chamou a atenção foi sobreos resultados que apontam elevados índices de potencial ecotoxicidade de alguns agroquímicos utilizados e o questionamento de por que tais produtos ainda serem empregados e como os estudos de ecotoxicidade podem contribuir para que tal cenário mude. Na ocasião destaquei que os ensaios de ecotoxicidade são importantes, pois, além das demais finalidades, também são ferramentas que possibilitam avaliar a eficácia de novas estratégias de controle de pragas agrícolas. Tendo em vista que há um considerável aumento do número de pesquisas que preconizam não só o controle da praga como também o desenvolvimento de soluções não tóxicas ao meio ambiente. A mudança do cenário apontado ocorre de forma gradual e é almejado por muitos agricultores e pesquisadores” – pondera.

As discussões foram tão relevantes que Jessika sugere para uma próxima edição, que os horários dos minicursos não coincidam com os horários das palestras, para que os participantes consigam participar de mais atividades e tenham um aproveitamento ainda melhor – destaca a estudante de mestrado da UnB, que esteve em Viçosa pela primeira vez para participar do Simpósio.

Visita à UFV

Outro participante que também esteve na UFV para o evento , foi o professor da ULBRA (Universidade Luterana do Brasil), Jardel Lopes Pereira. Mas diferente de Jessika e Andrey, que até então não conheciam a Universidade, Jardel já é bem habituado com a UFV. Afinal, foram 10 anos na instituição, entre graduação, mestrado e doutorado, sob a orientação do professor Marcelo Coutinho Picanço. Para os ex-alunos costuma ser sempre um prazer retornar à UFV. E, desta vez, com Jardel não foi diferente. Ele saiu de Goiás com um grupo de alunos do curso de de Agronomia para participar do I Simpósio de Ecotoxicologia e Ecofisiologia Animal.

Jardel iniciou a carreira docente em 2016, após atuar seis anos na multinacional Dupont, trabalhando com pesquisa na produção de semente a campo. “Hoje, ministro aulas de entomologia agrícola, agricultura de precisão, agroecologia, pós-colheita, grandes culturas e nutrição animal. E desde o início, tenho buscado integrar a docência com a pesquisa”.

Jardel _alunos

Pensando nisso, o professor da ULBRA não perdeu a oportunidade de levar seus alunos para participar do evento que reuniu pesquisadores de renome na UFV. Jardel destaca que “a oportunidade de estarem presenciando tantas palestras de alto impacto, de profissionais de diferentes continentes e com tamanha experiência nas respectivas áreas chamou a atenção dos alunos. A importância dos estudos de impacto ambiental e a correlação dos mesmos com a entomologia chamou a atenção no aspecto de inovação e oportunidades de condução de ensaios nesta linha. Outro ponto é a vontade de quem sabe um dia fazerem uma pós-graduação na Universidade Federal de Viçosa”.

Além de participarem do Simpósio, os alunos ainda tiveram a oportunidade de conhecer alguns laboratórios da UFV: “Visitamos o laboratório de Manejo Integrado de Pragas, onde fomos recebidos pelo professor Marcelo Picanço que, muito cordialmente, conversou por horas com os alunos, mostrou a estrutura do laboratório e apresentou os estudantes de pós-graduação. A convite do professor Eugenio Oliveira e acompanhados pós-doutor Edmar Tuelher também visitamos as instalações do laboratório de Entomologia, no subsolo do Alojamento Feminino”.

 No site do evento tem uma galeria com vários fotos. Veja

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