Professor Zanuncio conquista Medalha de Ouro do Mérito em Pesquisa na UFV

Jose Cola Zanuncio

Os Jogos Olímpicos Rio 2016 terminaram e com eles também acabou o sonho de muitos atletas de conquistar uma medalha em casa. Na UFV, o clima não é mesmo de Olimpíadas, mas por aqui tem medalhistas. O clima é de comemorações pelos 90 anos da UFV, hora de reconhecer e premiar aqueles que se destacam, e o professor do Departamento de Entomologia, José Cola Zanuncio, é um deles.  No último dia 26, ele foi agraciado com a Medalha de Ouro Peter Henry Rolfs do Mérito em Pesquisa. A homenagem vem coroar uma trajetória de sucesso construída ao longo de 44 anos na instituição. No seu currículo somam mais de 800 artigos e o pioneirismo em contribuir para o desenvolvimento do manejo integrado de pragas florestais.

Atualmente Professor Titular da UFV, Zanuncio ingressou em 1972 como docente da instituição na qual havia concluído a graduação em Engenharia Florestal no ano anterior. “Fui o primeiro engenheiro florestal a lecionar a disciplina entomologia florestal no Brasil e criei esta disciplina em Viçosa” – destaca.  E o seu pioneirismo não para por aí. Ele foi o primeiro pesquisador a utilizar percevejos predadores para lagartas pragas em eucalipto. “As pesquisas com percevejos predadores foram iniciadas pelo nosso grupo e, hoje, existem empresas que produzem e comercializam esses inimigos naturais. Além disso, um grande número de universidades federais e estaduais e a Embrapa têm pesquisas com percevejos predadores” – completa.

Outro ponto que chama a atenção na sua carreira é o sucesso com que o pesquisador capixaba, de Castelo (ES), converte os seus trabalhos em publicações. Mas para ele, a alta produtividade não tem segredo: “A chave do sucesso em qualquer área é a dedicação. A escrita científica é muito simples e depende muito de esforço. Costumo comparar a escrita científica com a saúde: todos nós vamos ao médico tentando ter saúde, mas se assumíssemos os sacrifícios necessários, teríamos saúde com poucas visitas ao médico”.

A sua primeira publicação data de 1975. Zanuncio conta que naquela época, para um docente iniciante publicar seus trabalhos, “o grande problema era a falta de literatura para enxergarmos como fazer uma publicação e as possibilidades de que as mesmas tivessem sucesso”. Contrapondo o seu início de carreira com a atualidade, ele destaca que hoje existem “facilidades de captação e desenvolvimento das ideias com uma rede imensa de cooperação”.

Mestre em Entomologia pela Esalq/USP e PhD em Entomologia pela University of British Columbia (Canadá), atualmente, Zanuncio é orientador dos programas de pós-graduação em Entomologia e Fitotecnia da UFV. Ele já orientou mais de 100 estudantes de doutorado e mestrado e mantém trabalhos conjuntos e publicações com a maioria deles. Em breve, Zanuncio poderá expandir ainda mais a sua rede de colaboração: “Estou em fase de análise visando orientar nos programas de pós-graduação em Ciência Florestal da UFV e da Unesp-Botucatu” – informa.

A UFV completou 90 anos no dia 28 de agosto de 2016. Para o docente que vem acompanhando a trajetória da instituição há mais de quatro décadas, “antes, o sentimento de iniciar e terminar a carreira na UFV era muito mais forte que hoje. Acredito que a maioria e, mesmo, todos os professores da UFV jamais pensassem em mudar para outra instituição naquela época. Isto criava um vínculo muito forte e um trabalho incessante para que a nossa universidade fosse cada vez melhor”.

Mesmo com toda a satisfação de ser agraciado agora com a medalha do mérito em pesquisa na UFV, Zanuncio é categórico ao afirmar: “Acredito que não devamos receber homenagens e/ou prêmios, por ser nossa obrigação fazermos o melhor pela UFV sem esperarmos qualquer coisa, além de condições de trabalho e de nosso salário”. Mas ele também ressalta: “Considerando o número imenso de professores merecedores desta medalha, isto nós dá a sensação de termos acertado como pesquisador na UFV”.

Quando o assunto é a pesquisa e a inovação no nosso país, ele pondera: “Precisamos de incentivo e cobrança. A Olimpíada mostrou nossos atletas satisfeitos com resultados ruins, pois muitos respondiam que fizeram o melhor. Fazer o melhor não é suficiente, temos que ser melhores que os melhores em nossas áreas. Infelizmente, como professores, se fizermos o mínimo, somos promovidos. Logo, qual o incentivo em sermos melhores?”

Olhando para o futuro da ciência, o pesquisador defende: “Uma das possibilidades que mais gosto é a criação de planos quinquenais de pesquisa, onde todos os esforços seriam direcionados para um objetivo comum. Por exemplo, a meta seria aumentar a produtividade de uma cultura agrícola em 5%. Neste caso, os pesquisadores identificariam os problemas que impedem que isto ocorra e todos trabalhariam para que o objetivo fosse alcançado”.

E se depender da sua disposição para trabalhar, ele ainda irá contribuir muito com a ciência no Brasil: “Pretendo continuar trabalhando e produzindo tanto quanto meus pares. Só pretendo parar quando não for competitivo e a minha produção científica for menor que a daquela de 50% dos pesquisadores de minha área”.

 Veja a seguir alguns momentos da Solenidade Oficial dos 90 anos da UFV, realizada no dia 26 de agosto, que além do professor José Cola Zanuncio, com a Medalha Peter H. Rolfs do Mérito em Pesquisa, também homenageou:

  • o professor do Departamento de Biologia Geral, Cosme Damião Cruz, com a Medalha Peter H. Rolfs do Mérito em Ensino;
  • a professora do Departamento de Ciências Sociais, Nádia Dutra de Souza, com a Medalha Peter H. Rolfs do Mérito em Extensão;
  • e o assessor especial da Pró-reitoria de Ensino, Benício José Almeida Ramalho, com a Medalha Peter H. Rolfs do Mérito Administrativo.

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