
O professor argentino Carlos Molineri, da Universidad Nacional de Tucumán/ CONICET, esteve por duas semanas em visita ao Programa de Pós-Graduação em Entomologia. Reconhecido internacionalmente por suas pesquisas com Ephemeroptera, Molineri visitou Viçosa para desenvolver atividades em colaboração com o professor Frederico Salles, orientador do PPG, reforçando uma parceria científica consolidada ao longo de mais de duas décadas.
Durante sua estadia, o pesquisador dedicou-se à revisão de exemplares da família Polymitarcyidae (Ephemeroptera), depositados na coleção entomológica da UFV. O trabalho resultou na identificação de centenas de espécimes de diferentes espécies, incluindo duas espécies inéditas para a ciência. Além disso, foram descobertas fêmeas de espécies anteriormente conhecidas apenas a partir de exemplares machos e novas localizações para espécies já identificadas. Essas descobertas devem estar publicadas pelo grupo de pesquisadores até o final de junho.
“Isso aumenta de forma notável o conhecimento sobre a distribuição do grupo no Brasil, pois inclui áreas pouco conhecidas nos estados de Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Tocantins, Pará e Amazonas. Todo este avanço é sustentado pelo trabalho de coleta e curadoria de muitos colegas de todo o país”, destaca o professor.
A relação acadêmica entre Molineri e pesquisadores brasileiros é antiga. Desde o início dos anos 2000, ele mantém uma estreita colaboração com o professor Frederico, especialmente em estudos de sistemática, taxonomia, filogenia e biogeografia de Ephemeroptera. Ao longo desse período, realizou diversas visitas ao Brasil, além de estágios de pós-graduação e pós-doutorado com renomados entomólogos brasileiros.
Para o professor, a experiência recente na UFV foi extremamente positiva. “A ciência brasileira é de alta qualidade, contando com infraestrutura e um claro apoio estatal. O que me chama a atenção, no entanto, é a baixíssima representatividade de mulheres em cargos altos no sistema científico e acadêmico; isso aponta claramente que o Brasil deve melhorar sua política de igualdade de gênero na ciência.”
Ele espera que a visita também fortaleça novas colaborações. “O trabalho à distância é contínuo. Ele envolve reuniões para desenvolver pesquisas e publicar comunicações científicas, além da coorientação de estudantes de graduação e pós-graduação.” A expectativa é de ampliação do intercâmbio acadêmico entre as duas instituições, especialmente em razão da convergência entre suas linhas de pesquisa.
Foto: Frederico Salles