Projeto sobre mapeamento neural do sistema nervoso de insetos traz professor da University of Southampton à UFV

Philip L. Newland

Na última semana, a Entomologia recebeu o pesquisador visitante especial, Philip L. Newland, professor da University of Southampton, no Reino Unido. O pesquisador inglês integra a equipe do projeto “Insecticide toxicity changing insect neuronal networks: physiological and computational approaches”, coordenado pelo professor da Entomologia, Eugênio Eduardo de Oliveira, com participação do professor da Escola de Engenharia de São Carlos (USP), Carlos Dias Maciel.

De acordo com o coordenador do projeto, “o nosso interesse é evidenciar quais redes neurais são mais importantes na percepção gustatória de agentes intoxicantes, principalmente pesticidas, usados no controle de importantes pragas agrícolas como, por exemplo, o percevejo marrom da soja, Euschistus heros. Nós usaremos técnicas de neurofisiologia e computacionais para entender como essa percepção é controlada pelos insetos”.

Na recente visita do professor Newland à UFV, ele contribuiu para os ensaios fisiológicos preliminares com E. heros e também para a disciplina “Bases Neurais do Comportamento em Invertebrados”, que está dentro da principal área de atuação do pesquisador. Essa foi a segunda vez que o professor Newland esteve na Entomologia. No ano passado, ele veio à UFV, acompanhado do professor Carlos Dias Maciel, quando estabeleceram as bases do atual projeto e os caminhos a serem percorridos durante a parceria.

O professor Eugênio conta que esse é o primeiro projeto que ele está desenvolvendo em parceria com os pesquisadores: “Embora durante o meu doutoramento eu tenha lido muitos trabalhos do professor Newland sobre controle neural da locomoção em insetos, esta é primeira vez que estou tendo oportunidade de integrar uma equipe de estudos dele. Eu o conheci em 2012, quando ele foi a São Carlos ministrar uma palestra sobre Neurofisiologia de Insetos. Nessa ocasião, contatei o professor Maciel e o professor Newland para que pudéssemos discutir ideias e integrar nossos conhecimentos em uma parceria”.

Segundo o professor Newland, naquele encontro, ficou claro que os três pesquisadores tinham muito em comum: “Juntos, rapidamente, discutimos nossos pensamentos e ideias, e decidimos montar um projeto com interface entre a Biologia e a Engenharia para concentrar em um importante inseto-praga da soja, o percevejo. Decidimos desenvolver um estudo integrado, de comportamento, fisiologia e modelos matemáticos, para começar a entender como o inseto responde a pesticidas e como a exposição crônica afeta o sistema nervoso do inseto”.

O projeto foi aprovado pelo programa Ciência sem Fronteiras, na modalidade pesquisador visitante especial, e será desenvolvido ao longo de três anos. Apesar de estar na fase inicial, o professor Newland está otimista com os possíveis resultados da pesquisa: “Estou animado. Para todos nós é um pouco de um passo para o desconhecido. Nenhum de nós individualmente tem as habilidades para lidar com o problema de pesquisa. Mas, trabalhando em conjunto para além das fronteiras nacionais e internacionais, podemos combinar nossas forças para enfrentar essas grandes questões. É sem dúvida a forma como grande parte da ciência no futuro deve ser realizada. Já se foram os dias em que as pessoas trabalhavam em seus próprios laboratórios de pequeno porte. Para enfrentar os grandes problemas de hoje na saúde ou na segurança alimentar, para citar apenas duas áreas, temos que trabalhar em conjunto, combinando diferentes abordagens e conhecimentos” – finaliza.

Eugênio Oliveira e Philip L. Newland

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