Perfil: Gerson Adriano Silva

Gerson Adriano Silva

O pós-doutor em Entomologia Gerson Adriano Silva em breve estará de mudança para a cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), onde assumirá o cargo de professor adjunto do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro). Gerson foi aprovado no concurso para a Área de Entomologia Agrícola e aguarda a sua nomeação para iniciar a tão desejada carreira docente, coroando uma trajetória de 13 anos de estudos e muita persistência na UFV.

Mineiro, natural de Itabira, Gerson ingressou no curso de Agronomia em 2002. Além da oportunidade de dar sequência aos estudos, entrar para a UFV significou deixar para trás uma rotina difícil de trabalho numa fábrica de tijolos na sua terra natal. “O trabalho era pesado e cansativo. Mas acredito que esse período foi útil para nos preparar para enfrentar situações de dificuldade”.

Ingressar na UFV também não significou que a vida passaria a ser fácil. “Cheguei sozinho em Viçosa. Durante toda a graduação, eu morei no alojamento Pós, juntamente com mais seis estudantes. O convívio com os companheiros de alojamento sempre foi muito bom. Em termos financeiros, não tínhamos uma vida de luxos. Sempre tivemos bolsas de atividades e isso ajudou a reduzir as despesas. Como tínhamos boas relações com os outros estudantes do curso, do laboratório e do alojamento, eles nos emprestavam materiais das disciplinas da graduação. Se fosse preciso, iríamos trabalhar fora da UFV para nos manter estudando”- Gerson afirma, manifestando toda a sua disposição.

As lembranças sempre no plural se devem à vida de estudante que Gerson passou a compartilhar com o seu irmão Nilson, desde 2004, quando ele também foi estudar em Viçosa. Seguindo os passos do irmão, Nilson ingressou no curso de Agronomia. Gerson conta que desde pequeno, ele ajudava o pai no plantio e nos tratos de lavouras de milho e feijão, e que isso foi despertando nele o interesse pela Agronomia. “Esse interesse foi aumentado à medida que eu ia estudando e também por assistir ao programa Globo Rural, aos domingos. Eu via os agrônomos resolvendo problemas que ocorriam nas lavouras e, muitas vezes, eles eram professores da UFV. Acredito que eu possa ter influenciado um pouco a escolha do Nilson. Sempre quando eu ia para Itabira, levava fotos, cartão postal, livros ou material de estudo, além de comentar com ele sobre o que eu estudava no curso e o que eu fazia no estágio”.

O estágio tinha endereço certo: o porão do alojamento feminino, onde fica o Laboratório de Manejo Integrado de Pragas (MIP). No mesmo ano em que ingressou no curso de Agronomia, Gerson foi selecionado para integrar a equipe do professor Marcelo Coutinho Picanço. Gerson participou de pesquisas, projetos de teses e dissertações, da organização de cursos de extensão, como dias de campo e os cursos oferecidos na Semana do Fazendeiro da UFV. Com gratidão, Gerson ressalta que “o professor Marcelo sempre foi preocupado com a formação dos seus estudantes. Ele pagou curso de inglês e ofereceu cursos de estatística, redação científica e como se expressar em público. Tudo isso ajudou a melhorar o meu desempenho acadêmico, ampliar a minha visão como pesquisador, a ter ética científica, profissional e pessoal”.

O dia a dia no Laboratório de MIP, Gerson também dividiu com o irmão mais novo. Além do curso de graduação em comum e o local de estágio, Gerson e Nilson ainda compartilharam a moradia estudantil e os materiais de estudo. “O material que eu adquiria eu o guardava para que o Nilson o utilizasse futuramente” – conta.

Apesar da companhia do irmão, Gerson garante que a principal dificuldade mesmo foi a saudade dos demais familiares. Ele também teve que aprender a lidar com a saudade da namorada, Karla. Até o casamento, foram sete anos e meio de namoro à distância. “Quando vim para Viçosa eu já tinha aproximadamente um ano e meio de namoro. Continuamos o namoro apesar da distância. Eu ia a Itabira apenas nos feriados prolongados e durante as férias, na maior parte do tempo nos falávamos apenas pelo telefone. Ficamos nessa situação durante a graduação e o mestrado. Assim que eu iniciei o doutorado, fiquei noivo e casei seis meses depois”.

No início de longe e há alguns anos de perto, a esposa Karla vem acompanhando o crescimento de Gerson ao longo da carreira acadêmica. Em 2007, ele se formou em Agronomia. Em seguida, iniciou o mestrado em Entomologia. Depois, fez doutorado em Fitotecnia e em 2013, iniciou o pós-doutorado e um intenso período de preparação para concursos. Para Gerson, esse período foi de grande amadurecimento. “Eu troquei informações com os colegas que já tinham passado em concursos, procurei tirar dessas conversas elementos que seriam úteis para a minha preparação. Durante o pós-doc eu tive a oportunidade de ter um contato mais profundo com os estudantes, pude orientá-los nos estudos e também na execução de pesquisas. Eu passei a acreditar mais no meu potencial, a dar mais valor nos conselhos de professores. Passei a ser mais estrategista na elaboração das minhas provas durante os concursos. O pós-doc também está sendo fundamental para preparar os artigos da minha tese de doutorado, fazer parceiras de pesquisas e participar de publicações de artigos e capítulos de livro” – descreve.

Mesmo não desprezando outras oportunidades de trabalho, Gerson afirma: “sempre vi na carreira docente uma grande oportunidade de devolver para a sociedade brasileira aquilo que tem sido investido em mim, ao longo da minha formação. Eu sempre estudei em escolas públicas. Tive bons professores que foram exemplo de dedicação, doação e orientadores para a vida. E isso fez com que eu desejasse ser igual a essas pessoas”.

Agora, prestes a iniciar a carreira docente na UENF, Gerson revela seus planos futuros. “Tenho muitas expectativas com relação a essa fase que está por vir. Pretendo realizar diversas atividades, ministrar aulas para a graduação e para a pós-graduação, oferecer cursos de extensão na Semana do Produtor Rural, pretendo montar uma equipe de pesquisa, investir na formação dos estudantes, firmar parcerias com os pesquisadores da UENF e de outras universidade e centros de pesquisas”. O novo professor também não esconde a apreensão e a satisfação que sente: “Existe uma autocobrança para ser um profissional que corresponde, no mínimo, às expectativas da Universidade e da Sociedade. Mas esse também é um momento muito especial, em que eu tenho a confirmação de que todo o esforço e persistência valeram a pena”.

4 Comments on “Perfil: Gerson Adriano Silva

  1. Olá sou pesquisadora na área de entomologia forense. Gostaria do contato desse professor?

  2. Gerson, exemplo a ser seguido em relação aos estudos e ao aprendizado. Batalhador, hosnesto, humilde, lutou muito e cada vitória é mais que merecida. Que venham muitas outras!!!!
    Parabéns

  3. Exemplo para todos nós do programa de pós-graduação em Entomologia da UFV.

    Parabéns pelo esforço e dedicação, mais um profissional excelente formado pela casa e que contribuirá muito para o desenvolvimento da ciência e de nosso país.

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