Dieta distinta entre cupins construtores e inquilinos assegura coabitação harmônica

Papatasi

Uma pesquisa conduzida pelo professor Og DeSouza, do Departamento de Entomologia da UFV, e seus colaboradores de diversas instituições, demonstrou como é possível a coabitação de espécies de cupins construtoras e inquilinas num mesmo cupinzeiro sem a ocorrência de conflitos.

Em artigo publicado no mês de junho na PlosOne, os pesquisadores mostram quantitativamente uma possível estratégia utilizada pelos inquilinos para assegurar a coexistência harmônica com seus hospedeiros: o uso de dietas distintas entre as espécies envolvidas.

Como os cupins são insetos detritívoros, se alimentam de organismos mortos ou em decomposição, para inferir a fonte de alimentação de inquilinos e construtores, os pesquisadores avaliaram as proporções de isótopos de carbono (13C) e nitrogênio (15N) nos indivíduos coletados.

A concentração de isótopos no corpo de um animal reflete a comida que ele consumiu durante o seu tempo de vida. Por exemplo, valores mais elevados de 15N indicam uma dieta voltada para a matéria orgânica mais humificada, enquanto valores mais baixos apontam para uma dieta menos decomposta.

O estudo foi realizado em cupinzeiros localizados próximo da cidade de Sete Lagoas, estado de Minas Gerais, no sudeste do Brasil. Uma região de cerrado, caracterizada pelo clima equatorial, com inverno seco.

A pesquisa constatou que pelo menos para o ecossistema em questão, não existia potencial para conflito entre as espécies devido à segregação de dietas. Cupins hospedeiros e inquilinos se alimentam de fontes diferentes, conseguindo, assim, viver em harmonia dentro de um mesmo cupinzeiro.

De acordo com o pesquisador Og DeSouza, o estudo teve o objetivo de inferir a dieta e não determinar a fonte de alimentação das espécies. Mas ele acredita que, provavelmente, por explorarem uma dieta mais decomposta que aquela dos cupins construtores, os inquilinos se alimentam de algum subproduto dos seus hospedeiros.

Os resultados da pesquisa revelam que a distinção entre as dietas das espécies resultam de características previamente fixadas no passado evolutivo dos coabitantes. Portanto, uma vez que os inquilinos não exploram dietas utilizadas pelos hospedeiros, eles evitam conflitos relacionados ao uso de recursos alimentares, assegurando a estabilidade da convivência ao longo do tempo.

Para ler o artigo na íntegra acesse aqui.

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