
Estudantes do Programa de Pós-Graduação em Entomologia (PPG Entomologia) participaram de uma visita inédita ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP), durante as atividades da disciplina especial “Digital Morphology: X-ray Imaging, Data Processing, and Analysis”, ministrada pelo pesquisador alemão Thomas van de Kamp. A experiência permitiu que os participantes conhecessem de perto uma das mais avançadas infraestruturas científicas do mundo e utilizassem tecnologias de imagem por raios X aplicadas às suas próprias pesquisas.
O LNLS integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e é responsável pela operação do Sirius, considerada uma das mais modernas fontes de luz síncrotron do mundo. A instalação possibilita investigações detalhadas sobre a composição e a estrutura da matéria, contribuindo para avanços em áreas como ciência dos materiais, nanotecnologia, biotecnologia, agricultura, saúde e meio ambiente.
A visita teve caráter especial para o grupo, que pôde acompanhar todas as etapas do processo de análise em uma das linhas de luz do Sirius. Segundo o professor Frederico Salles, a experiência superou as expectativas dos participantes. “Todos saíram muito satisfeitos e impressionados com o que vimos no CNPEM. Os estudantes certamente tiveram muitos motivos para se orgulhar da ciência que é feita no país. E melhor, viram que suas pesquisas podem se beneficiar de uma estrutura de ponta e totalmente à disposição deles”, destacou.
Um dos momentos mais marcantes da visita foi a oportunidade de analisar amostras levadas pelos próprios estudantes. “Cada um levou materiais de seu interesse, e todas as amostras foram analisadas durante nossa estada. Ver o objeto do seu estudo sendo investigado de uma forma tão moderna e saber que esses dados terão tantas implicações é realmente fantástico”, afirmou o professor.
Ciência de ponta aplicada à entomologia
Para a mestranda Rhiala Gomes Albergaria, a visita ao Sirius representou uma oportunidade única de ampliar sua visão sobre as possibilidades da pesquisa científica. “Ver de perto a estrutura do laboratório e entender como a luz síncrotron é utilizada para investigar materiais, organismos e estruturas em escala microscópica amplia muito a nossa visão sobre as possibilidades da ciência. Essa experiência reforça como diferentes áreas do conhecimento trabalham juntas para responder perguntas complexas”, relatou.
Durante a atividade, a estudante pôde analisar, em três dimensões e de forma não destrutiva, uma estrutura presente no coração da abelha Melipona quadrifasciata, sem a necessidade de dissecação. Segundo ela, a experiência complementou o aprendizado obtido em outras técnicas de imagem utilizadas na pós-graduação e abriu novas perspectivas para futuras investigações.
A mestranda Iâmara Pereira compartilha da mesma percepção. Para ela, a experiência foi inspiradora tanto pela qualidade da estrutura quanto pelo caráter interdisciplinar das atividades desenvolvidas. “Estar em um ambiente onde a pesquisa científica é tão valorizada e bem estruturada foi muito motivador, quase um paraíso para quem faz ciência. Foi especialmente interessante trabalhar ao lado de pesquisadores das ciências exatas aplicando seus conhecimentos a questões da entomologia. Poder olhar para perguntas que surgem na biologia sob a perspectiva da física e da matemática ampliou bastante minha forma de pensar a pesquisa”, disse.
A estudante, que trabalha com insetos aquáticos, conta que nunca havia imaginado a aplicação de técnicas de raios X em sua área de estudo. “Foi muito interessante perceber como diferentes áreas do conhecimento podem dialogar e abrir novas perspectivas para perguntas científicas”, destacou.
Novas possibilidades
Embora a visita fosse uma atividade complementar e não obrigatória da disciplina, todos os estudantes optaram por participar. O professor acredita que a aproximação com o LNLS poderá gerar benefícios duradouros para a UFV. “São muitas as aplicações dessa tecnologia. Nossas pesquisas com morfologia externa, morfologia interna e sistemática de insetos aquáticos serão muito beneficiadas. Além disso, essa parceria abre portas para todos o PPG Entomologia e para toda a Universidade”, afirmou.
Para os participantes, a visita também reforçou a importância de valorizar a ciência produzida no Brasil. “É incrível pensar que temos aqui um acelerador de partículas tão potente e uma infraestrutura científica desse nível, acessível a pesquisadores de todo o país”, observou Iâmara.