Egresso da Entomologia compartilha sua experiência como professor na Universidade Federal do Acre

Adalberto_Hipólito de Sousa

“O bom filho a casa torna”, já diz o ditado. Mestre e doutor em Entomologia pela UFV, o professor Adalberto Hipólito de Sousa, da Universidade Federal do Acre (UFAC), está novamente em Viçosa (MG), agora, para o pós-doutorado. Sob a orientação da professora Lêda Faroni, Adalberto concluiu o doutorado em abril de 2010 e pouco tempo depois foi aprovado para professor na UFAC, onde atua na área de Manejo Integrado de Pragas, investigando métodos alternativos de controle. Adalberto compartilha um pouco da sua experiência, dá dicas àqueles que almejam uma vaga de professor numa instituição federal e assegura: “O Programa de Pós-Graduação em Entomologia da UFV tem excelência internacional e sempre proporcionou as melhores condições para o treinamento dos seus estudantes”.

Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), Adalberto chegou a Viçosa em 2005, para fazer mestrado, e seguiu no doutorado. “O período entre a conclusão do doutorado e a preparação para os concursos foi de muita dedicação e entusiasmo. Foram aproximadamente 20 dias entre a minha defesa e uma viagem de partida para três concursos consecutivos. Defendi o doutorado com três anos após ingresso, abdicando de um ano de bolsa. Fui encorajado pelos meus orientadores e recorri aos amigos da UFV para ouvir sugestões e obter materiais adequados”.

De acordo com o professor da UFAC, é fundamental que desde o início, o pós-graduando foque nas áreas que deseja disputar nos concursos e que não desanime, mesmo diante da conjuntura desfavorável: “O cenário atual do Brasil preocupa a todos os jovens profissionais que almejam uma vaga docente numa instituição federal. O cenário é igual para todos. Em geral, os concursos na área de entomologia são bem concorridos e apresentam bons candidatos. É importante que o estudante de pós-graduação vislumbre desde cedo as áreas para concurso e busque cursar disciplinas que lhes propicie bases para o seu trabalho de pesquisa e treinamento mais amplo. Os conhecimentos adquiridos durante as disciplinas, seminários, qualificação e pesquisa, somam bastante no momento do concurso. Na pesquisa, destaco a interação com bons pesquisadores, inclusive de instituições fora do Brasil, buscando sempre o que há de mais avançado em tecnologia. No cenário atual, o profissional deve se dedicar ainda mais para se tornar um forte candidato, no mais amplo sentido”.

Entomologia

Durante os cursos de pós-graduação, Adalberto desenvolveu pesquisas com atmosfera enriquecida com ozônio, como estratégia de controle de insetos-praga de produtos armazenados, utilizando ferramentas toxicológicas, comportamentais e fisiológicas.  Para isso, ele contou com a orientação da professora Lêda Faroni e coorientação do professor Raul Narciso Guedes. “Ao longo do mestrado e doutorado, foi estabelecida uma relação de confiança e respeito, tanto com a professora Lêda, quanto em relação à sua pesquisa. Os objetivos e metas das pesquisas sempre foram estabelecidos logo no início. Isso permitiu o direcionamento de disciplinas mais adequadas para a minha formação, participação na elaboração de projetos de pesquisa fomentados pela Fapemig e CNPq, bem como treinamento sobre a calibração de equipamentos de geração de ozônio”.

Assim como em sua relação com a professora Lêda, Adalberto também destaca os ensinamentos, disponibilidade e amizade do seu coorientador: “Ele foi fundamental para atingir as metas estabelecidas, tendo como consequência a publicação dos artigos em bons periódicos. O Raul, além de ter sido muito atencioso durante o meu mestrado e doutorado, hoje, é um grande incentivador para os meus orientados. Em 2016, ele esteve na Universidade Federal do Acre (Campus Rio Branco), colaborando como membro da banca de um concurso na área de entomologia. Na ocasião, ministrou uma palestra sobre a sua linha de pesquisa e fez uma série de esclarecimentos para os alunos”.

Universidade Federal do Acre

Na UFAC, Adalberto atua na área de Manejo Integrado de Pragas, “priorizando investigações sobre métodos alternativos de controle, como inseticidas botânicos da flora amazônica, resistência de variedades crioulas (milho e feijão) e atmosferas modificadas. De maneira geral, são utilizadas ferramentas toxicológicas, comportamentais e fisiológicas de insetos”. Para ele, o início da carreira docente foi de muita satisfação: “Já existia um laboratório de entomologia com uma dinâmica de trabalho estabelecida e uma coleção didática organizada. Fui bem recepcionado pelos colegas do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza e logo me adaptei à realidade da instituição e da cidade de Rio Branco”. Inicialmente, Adalberto ministrava apenas disciplinas dos cursos de graduação em Engenharia Agronômica e Engenharia Florestal, mas logo foi credenciado para o PPG em Produção Vegetal.

Paralelo ao ensino e à pesquisa, Adalberto passou por uma experiência administrativa, sendo diretor de pesquisa da UFAC, de 2012 a 2014. “Foi uma experiência que proporcionou conhecimento mais apurado sobre a dinâmica administrativa da universidade, onde pude contribuir com alguns projetos da administração superior. A minha contribuição foi de aproximadamente dois anos. Como estou no início da carreira docente, acho importante priorizar projetos de pesquisa e o ensino, tanto na graduação quanto na pós-graduação”.

Como a maioria dos pesquisadores brasileiros, Adalberto avalia que, atualmente, as expectativas não são as melhores em relação à pesquisa: “Os cortes são sentidos por pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa em todo o país, refletindo em dificuldades para dar prosseguimento aos projetos. Infelizmente, é possível que haja significante redução na produção científica do país em pouco tempo, tendo como consequência o retrocesso em relação a outros países em desenvolvimento. Na UFAC, a maioria das obras prossegue, mas percebe-se que a universidade enfrenta dificuldades com relação a serviços prestados por empresas terceirizadas, como por exemplo, nas obras de revitalização dos laboratórios”.

Retorno à UFV

Apesar das dificuldades sentidas Brasil afora, desanimar não faz parte dos planos. Atualmente, o professor da UFAC passa por período de treinamento na UFV, onde deverá ficar até junho de 2018. “Neste período pós-doutoral, será determinada a toxicidade do óleo essencial de pimenta-longa para populações brasileiras do caruncho-do-milho; o potencial sinérgico do óleo; os efeitos sub-letais do óleo essencial sobre o comportamento locomotor e sobre o desenvolvimentos populacional do caruncho; e também será investigado o transporte do óleo essencial e seus principais componentes, por meio do estudo do mecanismo de sorção e da difusão através dos grãos, além de avaliar a estabilidade dos compostos majoritários”.

Para o professor da UFAC, retornar à UFV depois de sete anos está sendo uma experiência muito positiva: “Sinto-me honrado em retornar à UFV, onde construí amizades e tive ótimas condições de treinamento para a carreira docente. É uma grande oportunidade para estabelecer e fortalecer parcerias, estudar novos conceitos e contribuir com a instituição”.

Nesse sentido, Adalberto se coloca à disposição e apresenta possibilidades para colaboração científica na instituição onde trabalha: “Ressalto que a Universidade Federal do Acre está de portas abertas para estabelecer parcerias e conta com pesquisadores atuando em áreas estratégicas da entomologia, como Manejo Integrado de Pragas Agrícolas e Florestais, Entomologia de Produtos Armazenados, Ecologia de Comunidade e Biodiversidade (Formicidae, Vespidae e Apidae), Morfologia Interna e Controle Biológico. Os programas de pós-graduação em Produção Vegetal (Agronomia); Ciências Florestais; Ecologia e Manejo de Recursos Naturais; e Ciência, Inovação e Tecnologia para Amazônia (CITA) são contemplados com pelo menos uma das linhas de pesquisas relacionadas e procuram sempre estabelecer parcerias com instituições com excelência em pesquisa”.

One Comment on “Egresso da Entomologia compartilha sua experiência como professor na Universidade Federal do Acre

  1. Professor Adalberto! Merecedor desse reconhecimento. Um exemplo como pessoa e profissional.

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