
Quatro professores do Programa de Pós-Graduação em Entomologia aparecem este ano entre os mais influentes do mundo, na lista elaborada pela Universidade Stanford (EUA) e publicada pela editora Elsevier. O ranking é apresentado desde 2019 e utiliza medidores como o número total de citações, o Índice h (h-index, que indica a produtividade e impacto do trabalho do pesquisador), e citações de autoria única, de primeiro ou de último autor (que evidenciam a liderança científica). Mais do que prestígio aos autores, a presença dos professores Raul Guedes, José Serrão, José Zanuncio e Marcelo Picanço na lista confere visibilidade às pesquisas desenvolvidas no programa e atesta a relevância, para a sociedade, dos trabalhos realizados em laboratório.
“Na verdade, nosso maior interesse não são essas métricas, e sim contribuir com a sociedade para resolver problemas. Mas acho que isso (a presença na lista) mostra que a gente acertou o ponto, que estamos desenvolvendo trabalhos que são importantes, que a comunidade científica mundial julga como extremamente importante”, avalia o professor José Serrão. Ele aparece nesta lista desde 2019, quando ela foi criada, graças a trabalhos em torno do controle de pragas, um desafio em escala mundial, e estudos sobre os efeitos nocivos de determinados produtos em insetos não-alvo. “Claro que ninguém faz molécula pra matar inseto benéfico, mas eles acabam sendo afetados. Mesmo não causando mortalidade, às vezes há efeitos residuais importantes, que alteram o desempenho desses insetos. Nosso trabalho envolve essencialmente investigar como isso afeta vários órgãos, em uma tentativa de entender como isso pode ser resolvido em todo o mundo. A gente não vai conseguir banir o uso dessas substâncias, mas pensamos em como poderíamos amenizar esses efeitos.”
Com forte atuação em Toxicologia e Ecotoxicologia de Inseticidas, o professor Raul Guedes, pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da UFV, também viu seu nome se firmar na lista graças a estudos conectados com fortes demandas internacionais. Em 2006, quando a praga do tomateiro chegou à Europa, os trabalhos realizados em Viçosa, que apresentavam o avanço das pesquisas feitas no Brasil, ganharam o interesse da comunidade internacional, abrindo espaço para uma rede que foi, em seguida, impulsionada pela disseminação da praga também nos Estados Unidos e na Ásia. “Logo que eu fui contratado pela UFV, trabalhei com o Marcelo Picanço em torno desse tema, que era um problema crescente no Brasil. O Marcelo já estava muito bem posicionado na área, e eu acabei pegando carona ao aliar a minha área de investigação com um modelo diferente do que eu mais habitualmente trabalhava, que eram os insetos de produtos armazenados.”
Depois, com o crescimento do impacto desses trabalhos, Raul e Marcelo foram algumas vezes convidados a visitar universidades estrangeiras, o que fortaleceu os contatos que eles já tinham criado e abriu outros caminhos. “Trabalhei com alguns colegas europeus, e no esteio disso, fui convidado a escrever algumas revisões que acabaram se popularizando. E eu passei a ser convidado com mais frequência”, conta Raul. Vinte anos depois, a rede está viva e alimentada, como mostra a lista publicada pela Elsevier, e hoje beneficia inclusive estudantes do PPG, que puderam visitar laboratórios internacionais e, em alguns casos, conquistar dupla titualização graças aos contatos construídos nesse processo.
Rede ampliada
Se a presença na lista de “mais influentes” nem sempre se converte em mais facilidade de financiamento de pesquisa, ela cumpre, porém, esse papel de fortalecer as relações internacionais dos pesquisadores. “Acaba havendo uma ampliação da rede de colaborações”, conclui Serrão. “E uma coisa que o laboratório sempre teve interesse é em colaborar com as pessoas. Eu sempre comento com meus estudantes que a minha função aqui é facilitar a vida deles para eles realizarem sonhos.” A rede de colaboração também é o interesse principal de Raul, inclusive em sua atuação como pró-reitor. “Não é sempre que essa consequência vai acontecer, mas, às vezes, há essa coincidência de fatores. O exemplo mais contundente que eu posso dar neste momento é o trabalho com esse colega da Bélgica, que já permitiu dupla titulação e doutorado pleno. Então, é uma coisa tangível.”
Para os professores, o reconhecimento traz também mais responsabilidade. “É preciso ter mais cuidado com o que a gente pensa, com o que a gente fala e, principalmente, com o que a gente escreve”, avalia Serrão. “Eu me sinto bastante pressionado, no bom sentido, a pensar mais, a fazer as coisas mais desdirecionadas mesmo, para que não haja interpretações equivocadas no futuro.”
Fotos: Rodrigo Carvalho Gonçalves e Divulgação UFV